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Efeitos da intensificação agrícola na qualidade ecológica das linhas de água inseridas na rede secundária do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva

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Resumo:A agricultura intensiva apresenta impactos significativos nos ecossistemas dulçaquícolas, sendo por isso fundamental que em grandes projetos de irrigação se efetue a monitorização ambiental destes ecossistemas. Este trabalho comparou os resultados das monitorizações de três elementos biológicos, fauna piscícola, macroinvertebrados bentónicos e macrófitos, na rede secundária de rega do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, realizadas em 2016, 2019 e 2021, de acordo com a Diretiva Quadro da Água (DQA). O objetivo foi compreender o impacto da agricultura intensiva sobre estes elementos biológicos, realizando uma avaliação indireta com base em parâmetros físico-químicos que podem ser afetados por este tipo de agricultura. Especificamente, procurou-se identificar os principais fatores que influenciam a composição das comunidades biológicas ao longo do espaço e do tempo, e as tendências de variação na qualidade biológica. Os resultados evidenciaram uma tendência de dominância de taxa de elevada tolerância à degradação ambiental, tendo as comunidades biológicas apresentado uma reduzida variação interanual, e não existindo tendências claras de diferenciação em função da localização geográfica. Os taxa responderam diferenciadamente aos parâmetros físicoquímicos, tendo os taxa tolerantes sido mais abundantes na presença de elevados teores de nutrientes. No caso da fauna piscícola, observou-se um número considerável de indivíduos de espécies exóticas. A qualidade biológica apresentou uma ligeira pioria em 2019 face aos outros anos, que não foi claramente acompanhada de variação sensível dos parâmetros físico-químicos, podendo resultar das condições ambientais. Os resultados não evidenciaram uma relação entre a intensificação agrícola e a qualidade biológica. A qualidade biológica quantificada com base nos macroinvertebrados bentónicos foi inferior a “Bom” em todas as estações, não sendo atingidos os objetivos ambientais estabelecidos pela DQA. Isto sugere que as medidas de mitigação dos impactos da agricultura intensiva podem estar a ser insuficientes, e que esta situação deve ser analisada em maior detalhe no futuro.
Autores principais:Jorge, André Lourenço
Assunto:Monitorização ambiental Ecossistemas dulçaquícolas Uso do solo Elementos de qualidade biológica Diretiva Quadro da Água Teses de mestrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A agricultura intensiva apresenta impactos significativos nos ecossistemas dulçaquícolas, sendo por isso fundamental que em grandes projetos de irrigação se efetue a monitorização ambiental destes ecossistemas. Este trabalho comparou os resultados das monitorizações de três elementos biológicos, fauna piscícola, macroinvertebrados bentónicos e macrófitos, na rede secundária de rega do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, realizadas em 2016, 2019 e 2021, de acordo com a Diretiva Quadro da Água (DQA). O objetivo foi compreender o impacto da agricultura intensiva sobre estes elementos biológicos, realizando uma avaliação indireta com base em parâmetros físico-químicos que podem ser afetados por este tipo de agricultura. Especificamente, procurou-se identificar os principais fatores que influenciam a composição das comunidades biológicas ao longo do espaço e do tempo, e as tendências de variação na qualidade biológica. Os resultados evidenciaram uma tendência de dominância de taxa de elevada tolerância à degradação ambiental, tendo as comunidades biológicas apresentado uma reduzida variação interanual, e não existindo tendências claras de diferenciação em função da localização geográfica. Os taxa responderam diferenciadamente aos parâmetros físicoquímicos, tendo os taxa tolerantes sido mais abundantes na presença de elevados teores de nutrientes. No caso da fauna piscícola, observou-se um número considerável de indivíduos de espécies exóticas. A qualidade biológica apresentou uma ligeira pioria em 2019 face aos outros anos, que não foi claramente acompanhada de variação sensível dos parâmetros físico-químicos, podendo resultar das condições ambientais. Os resultados não evidenciaram uma relação entre a intensificação agrícola e a qualidade biológica. A qualidade biológica quantificada com base nos macroinvertebrados bentónicos foi inferior a “Bom” em todas as estações, não sendo atingidos os objetivos ambientais estabelecidos pela DQA. Isto sugere que as medidas de mitigação dos impactos da agricultura intensiva podem estar a ser insuficientes, e que esta situação deve ser analisada em maior detalhe no futuro.