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Avaliação das concentrações dos metais chumbo, manganês e cádmio em leite de vaca e Bebidas de soja existentes no mercado português

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Resumo:O leite de vaca tem vindo a ser cada vez mais substituído pelas bebidas de soja na alimentação portuguesa. Esta substituição deve-se muito à intolerância à lactose, à crescente procura, principalmente pela população mais jovem, de produtos alimentares de origem não animal, menor valor calórico e menor teor de gordura e colesterol. Devido a isso, as bebidas de soja tornaram-se uma alternativa popular ao leite, contribuindo para a prevenção do aparecimento de doenças cardíacas, o cancro, a diabetes, a osteoporose e a obesidade. Contudo, as bebidas de soja e o leite de vaca apresentam características muito diferentes, pelo que só é possível tomar uma decisão consciente, tendo por base essas diferenças. O leite e os produtos lácteos, para além de serem constituídos por proteínas, lípidos, vitaminas e minerais, podem conter contaminantes químicos, que constituem um fator de risco para a saúde do consumidor, principalmente crianças, por consumirem mais leite em comparação com o seu peso, do que os adultos. No que diz respeito a contaminantes, a concentração de metais no leite pode ser influenciada por diversos fatores, como: o tipo de leite, as características do solo de que se alimenta a vaca (a alimentação da vaca interfere na composição do leite que esta produz), a composição mineral da água de irrigação, condições atmosféricas e etapas de processamento e armazenamento na produção do leite. Os metais são o grupo mais abundante de elementos na crosta terrestre. Alguns elementos são essenciais, como o manganês (Mn), o ferro (Fe) e o zinco (Zn), e outros são não essenciais, como o chumbo (Pb), o cádmio (Cd) e o arsénio (As), sendo tóxicos mesmo quando presentes em baixas concentrações. Os efeitos adversos causados na saúde pelos metais tóxicos dependem de diversos fatores, como a via de exposição (inalação, oral ou dérmica), do local de exposição, da duração da exposição e dos órgãos alvo. Por isso, a determinação de metais tóxicos é uma componente importante na segurança e qualidade dos produtos lácteos. O principal objetivo deste estudo foi determinar as concentrações de Pb, Cd e Mn em leites de vaca e bebidas de soja de diversas marcas adquiridas no mercado português. Os resultados obtidos para esses metais foram comparados entre si, com as ingestões diárias toleráveis estabelecidas/ recomendadas por agências reguladoras e com valores publicados em estudos semelhantes. O Pb e o Cd nas suas formas catiónicas e quando ligados a cadeias curtas de átomos de carbono podem levar ao desenvolvimento de doenças do sistema cardiovascular, rins, sistema nervoso, sangue e sistema esquelético. O Painel CONTAM da EFSA realizou uma avaliação de risco do chumbo e cádmio nos alimentos, estabelecendo um PTWI de 25 e 2.5 µg / kg de peso corporal, respetivamente. O Mn é um oligoelemento essencial que está presente em todas as células vivas e é essencial para o desenvolvimento normal. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) propôs uma ingestão adequada de Mn, como 3 mg / dia para adultos. Concentrações mais elevadas de Mn podem tornar-se tóxicas, levando a danos neurodegenerativos progressivos que podem provocar sintomas semelhantes à doença de Parkinson. O Pb, Cd e Mn como estão presentes nos alimentos em baixas concentrações, na ordem das partes por bilião (ppb), a sua quantificação requer um método analítico preciso com uma sensibilidade adequada, tendo, por isso, sido usado a Espectrofotometria de Absorção Atómica em Forno de Grafite (GFAAS). Para demonstrar o grau de confiança dos resultados obtidos foi testada a linearidade, a gama de trabalho, os limites analíticos (limite de deteção e de quantificação), a precisão (repetibilidade e precisão intermediária), a exatidão e a recuperação pós-digestão, testes de validação indicados para este tipo de determinação. As estimativas das quantidades de Pb, Cd e Mn ingeridas pelo consumo das amostras de leite de vaca e bebida de soja analisadas tiveram em conta as recomendações das diretrizes dietéticas dos EUA. As diretrizes dietéticas dos EUA recomendam o equivalente a 720 ml de leite por dia para adultos e crianças/adolescentes dos 9 aos 17 anos. Para as crianças dos 4 aos 8 anos, recomendase uma ingestão diária de 600 ml de leite e dos 2 aos 3 anos de idade, o valor adequado é de 480 ml. Os resultados obtidos mostram que os leites de vaca têm uma concentração de Pb (média = 193 μg / L) superior à das bebidas de soja (média = 134 μg / L), apesar de não haver uma diferença significativa (p > 0.05). De acordo com a previsão de ingestão diária tolerável de Pb para adultos de 65 Kg e a estimativa da quantidade de Pb consumida por dia pelos adultos através da ingestão dos leites de vaca e das bebidas de soja analisados, observou-se em duas das amostras de leite de vaca analisadas e uma amostra de bebida de soja valores de Pb superiores à ingestão diária tolerável de 232.14 µg. Para o cádmio, a concentração de Cd nas bebidas de soja (média = 56 μg / L) é superior à encontrada nos leites de vaca (média = 25 μg / L), havendo uma diferença significativa (p < 0.05). De acordo com a previsão de ingestão diária tolerável de Cd para um adulto de 65 kg e a estimativa da quantidade de Cd consumida por dia pelos adultos através do consumo dos leites de vaca e bebidas de soja analisados, observa-se que três amostras de leite de vaca e doze amostras de bebida de soja têm valores de Cd superiores ao valor da ingestão diária tolerável de 21.43 µg. Em relação à quantificação do Mn, a concentração de Mn nas bebidas de soja (média = 1161 μg / L) é cerca de 20 vezes superior à encontrada nos leites de vaca (média = 58 μg / L), havendo uma diferença significativa (p < 0.05). Pela ingestão diária recomendada de Mn pela EFSA e a estimativa da quantidade de Mn consumida por dia pelas crianças e adultos que consomem os leites de soja e leites de vaca analisados, os resultados para as amostras de leite de vaca mostram valores inferiores à dose recomendada por dia para adultos e crianças/adolescentes dos 2 aos 17 anos. No entanto, nas amostras de bebidas de soja, as concentrações de Mn são superiores, principalmente para as crianças dos 2 aos 8 anos, sendo preocupante ao nível da sua formação, uma vez que o órgão mais sensível a elevadas concentrações de manganês é o cérebro. Para além da comparação com os valores de ingestão diária tolerável ou recomendada, fez-se uma comparação entre os resultados obtidos neste estudo e os valores de outros estudos semelhantes disponíveis na literatura. Foi observada uma discrepância entre os valores obtidos nos vários estudos, possivelmente, influenciada por fatores como, a diferente proveniência dos produtos analisados, o que implica grandes diferenças ambientais (temperatura, humidade, solo), práticas de cultivo e pastoreio diferentes e a estação do ano em que é obtida a amostra ser também diferente. A fim de evitar a contaminação ambiental com metais pesados, que é reconhecido como um perigo de saúde pública para todo o mundo, sugere-se uma monotorização dos metais pesados na água potável, uma vez que a água potável é uma das possíveis principais fontes de contaminação do leite. Neste estudo, os valores obtidos para a ingestão diária de Pb, Cd e Mn, através de amostras de leite de vaca e bebidas de soja foram calculados assumindo as exigências de consumo diário de leite proposto pelas diretrizes alimentares para os americanos. No entanto, o valor recomendado inclui outros produtos lácteos (como o iogurte e o queijo) e, por isso, os resultados obtidos são apenas aproximações, uma vez que outros produtos lácteos podem ter concentrações menores ou maiores desses metais. Além disso, considerou-se a ingestão diária recomendada de Mn por dia, pela EFSA, correspondente à concentração de Mn proveniente por todas as fontes deste metal e não apenas pelo leite. Para além de ter sido calculada uma ingestão diária tolerável de Pb e Cd para um adulto de 65 Kg, excluindo adultos com outro peso (a ingestão diária tolerável depende do peso corporal da criança/adulto). Assim, consumir uma quantidade de leite que exceda estes valores não implica necessariamente um risco aumentado para a saúde. Porém, este tipo de estudo é essencial para garantir a segurança dos alimentos, por permitir fazer uma estimativa da ingestão de metais através da alimentação.
Autores principais:Ribeiro, Iolanda de Jesus
Assunto:leite de vaca bebidas de soja metais Espectrometria de Absorção Atómica Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O leite de vaca tem vindo a ser cada vez mais substituído pelas bebidas de soja na alimentação portuguesa. Esta substituição deve-se muito à intolerância à lactose, à crescente procura, principalmente pela população mais jovem, de produtos alimentares de origem não animal, menor valor calórico e menor teor de gordura e colesterol. Devido a isso, as bebidas de soja tornaram-se uma alternativa popular ao leite, contribuindo para a prevenção do aparecimento de doenças cardíacas, o cancro, a diabetes, a osteoporose e a obesidade. Contudo, as bebidas de soja e o leite de vaca apresentam características muito diferentes, pelo que só é possível tomar uma decisão consciente, tendo por base essas diferenças. O leite e os produtos lácteos, para além de serem constituídos por proteínas, lípidos, vitaminas e minerais, podem conter contaminantes químicos, que constituem um fator de risco para a saúde do consumidor, principalmente crianças, por consumirem mais leite em comparação com o seu peso, do que os adultos. No que diz respeito a contaminantes, a concentração de metais no leite pode ser influenciada por diversos fatores, como: o tipo de leite, as características do solo de que se alimenta a vaca (a alimentação da vaca interfere na composição do leite que esta produz), a composição mineral da água de irrigação, condições atmosféricas e etapas de processamento e armazenamento na produção do leite. Os metais são o grupo mais abundante de elementos na crosta terrestre. Alguns elementos são essenciais, como o manganês (Mn), o ferro (Fe) e o zinco (Zn), e outros são não essenciais, como o chumbo (Pb), o cádmio (Cd) e o arsénio (As), sendo tóxicos mesmo quando presentes em baixas concentrações. Os efeitos adversos causados na saúde pelos metais tóxicos dependem de diversos fatores, como a via de exposição (inalação, oral ou dérmica), do local de exposição, da duração da exposição e dos órgãos alvo. Por isso, a determinação de metais tóxicos é uma componente importante na segurança e qualidade dos produtos lácteos. O principal objetivo deste estudo foi determinar as concentrações de Pb, Cd e Mn em leites de vaca e bebidas de soja de diversas marcas adquiridas no mercado português. Os resultados obtidos para esses metais foram comparados entre si, com as ingestões diárias toleráveis estabelecidas/ recomendadas por agências reguladoras e com valores publicados em estudos semelhantes. O Pb e o Cd nas suas formas catiónicas e quando ligados a cadeias curtas de átomos de carbono podem levar ao desenvolvimento de doenças do sistema cardiovascular, rins, sistema nervoso, sangue e sistema esquelético. O Painel CONTAM da EFSA realizou uma avaliação de risco do chumbo e cádmio nos alimentos, estabelecendo um PTWI de 25 e 2.5 µg / kg de peso corporal, respetivamente. O Mn é um oligoelemento essencial que está presente em todas as células vivas e é essencial para o desenvolvimento normal. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) propôs uma ingestão adequada de Mn, como 3 mg / dia para adultos. Concentrações mais elevadas de Mn podem tornar-se tóxicas, levando a danos neurodegenerativos progressivos que podem provocar sintomas semelhantes à doença de Parkinson. O Pb, Cd e Mn como estão presentes nos alimentos em baixas concentrações, na ordem das partes por bilião (ppb), a sua quantificação requer um método analítico preciso com uma sensibilidade adequada, tendo, por isso, sido usado a Espectrofotometria de Absorção Atómica em Forno de Grafite (GFAAS). Para demonstrar o grau de confiança dos resultados obtidos foi testada a linearidade, a gama de trabalho, os limites analíticos (limite de deteção e de quantificação), a precisão (repetibilidade e precisão intermediária), a exatidão e a recuperação pós-digestão, testes de validação indicados para este tipo de determinação. As estimativas das quantidades de Pb, Cd e Mn ingeridas pelo consumo das amostras de leite de vaca e bebida de soja analisadas tiveram em conta as recomendações das diretrizes dietéticas dos EUA. As diretrizes dietéticas dos EUA recomendam o equivalente a 720 ml de leite por dia para adultos e crianças/adolescentes dos 9 aos 17 anos. Para as crianças dos 4 aos 8 anos, recomendase uma ingestão diária de 600 ml de leite e dos 2 aos 3 anos de idade, o valor adequado é de 480 ml. Os resultados obtidos mostram que os leites de vaca têm uma concentração de Pb (média = 193 μg / L) superior à das bebidas de soja (média = 134 μg / L), apesar de não haver uma diferença significativa (p > 0.05). De acordo com a previsão de ingestão diária tolerável de Pb para adultos de 65 Kg e a estimativa da quantidade de Pb consumida por dia pelos adultos através da ingestão dos leites de vaca e das bebidas de soja analisados, observou-se em duas das amostras de leite de vaca analisadas e uma amostra de bebida de soja valores de Pb superiores à ingestão diária tolerável de 232.14 µg. Para o cádmio, a concentração de Cd nas bebidas de soja (média = 56 μg / L) é superior à encontrada nos leites de vaca (média = 25 μg / L), havendo uma diferença significativa (p < 0.05). De acordo com a previsão de ingestão diária tolerável de Cd para um adulto de 65 kg e a estimativa da quantidade de Cd consumida por dia pelos adultos através do consumo dos leites de vaca e bebidas de soja analisados, observa-se que três amostras de leite de vaca e doze amostras de bebida de soja têm valores de Cd superiores ao valor da ingestão diária tolerável de 21.43 µg. Em relação à quantificação do Mn, a concentração de Mn nas bebidas de soja (média = 1161 μg / L) é cerca de 20 vezes superior à encontrada nos leites de vaca (média = 58 μg / L), havendo uma diferença significativa (p < 0.05). Pela ingestão diária recomendada de Mn pela EFSA e a estimativa da quantidade de Mn consumida por dia pelas crianças e adultos que consomem os leites de soja e leites de vaca analisados, os resultados para as amostras de leite de vaca mostram valores inferiores à dose recomendada por dia para adultos e crianças/adolescentes dos 2 aos 17 anos. No entanto, nas amostras de bebidas de soja, as concentrações de Mn são superiores, principalmente para as crianças dos 2 aos 8 anos, sendo preocupante ao nível da sua formação, uma vez que o órgão mais sensível a elevadas concentrações de manganês é o cérebro. Para além da comparação com os valores de ingestão diária tolerável ou recomendada, fez-se uma comparação entre os resultados obtidos neste estudo e os valores de outros estudos semelhantes disponíveis na literatura. Foi observada uma discrepância entre os valores obtidos nos vários estudos, possivelmente, influenciada por fatores como, a diferente proveniência dos produtos analisados, o que implica grandes diferenças ambientais (temperatura, humidade, solo), práticas de cultivo e pastoreio diferentes e a estação do ano em que é obtida a amostra ser também diferente. A fim de evitar a contaminação ambiental com metais pesados, que é reconhecido como um perigo de saúde pública para todo o mundo, sugere-se uma monotorização dos metais pesados na água potável, uma vez que a água potável é uma das possíveis principais fontes de contaminação do leite. Neste estudo, os valores obtidos para a ingestão diária de Pb, Cd e Mn, através de amostras de leite de vaca e bebidas de soja foram calculados assumindo as exigências de consumo diário de leite proposto pelas diretrizes alimentares para os americanos. No entanto, o valor recomendado inclui outros produtos lácteos (como o iogurte e o queijo) e, por isso, os resultados obtidos são apenas aproximações, uma vez que outros produtos lácteos podem ter concentrações menores ou maiores desses metais. Além disso, considerou-se a ingestão diária recomendada de Mn por dia, pela EFSA, correspondente à concentração de Mn proveniente por todas as fontes deste metal e não apenas pelo leite. Para além de ter sido calculada uma ingestão diária tolerável de Pb e Cd para um adulto de 65 Kg, excluindo adultos com outro peso (a ingestão diária tolerável depende do peso corporal da criança/adulto). Assim, consumir uma quantidade de leite que exceda estes valores não implica necessariamente um risco aumentado para a saúde. Porém, este tipo de estudo é essencial para garantir a segurança dos alimentos, por permitir fazer uma estimativa da ingestão de metais através da alimentação.