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Impactos das alterações climáticas (aquecimento e acidificação) na qualidade nutricional do sargo-veado

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Resumo:As alterações climáticas, nomeadamente o aumento da temperatura e a diminuição do pH da água do mar, consequência das atividades antropogénicas, constituem uma das principais ameaças para os ecossistemas marinhos. Estes fatores abióticos têm impacto na composição e qualidade nutricional do pescado, o que, consequentemente, resulta em efeitos na saúde humana. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo principal estudar os efeitos do aquecimento (ΔT °C=+4 °C) e da acidificação (pCO2~1000 μatm) dos oceanos na qualidade nutricional de sargos-veados juvenis (Diplodus cervinus). A combinação de ambos os fatores de stress promoveu o aumento significativo do peso total, índice de condição de Fulton, teores de ácidos gordos monoinsaturados (MUFAs), ácido palmitoleico (POA) e linoleico (LA) e índice hipocolesterolémico/hipercolesterolémico (h/H), no entanto levou à diminuição significativa do índice hepatossomático (IHS), teores de ácidos gordos saturados (SFAs), ácido palmítico (PA) e esteárico (SA), fósforo e grupo carbonilo. O aquecimento isolado provocou o aumento significativo do peso e do teor de malonaldeído (MDA) e, por outro lado, conduziu a uma redução significativa do IHS, energia, teores de MUFAs, ácidos gordos polinsaturados (PUFA), ácido oleico (OA), eicosenóico (EA), POA, LA e docosahexaenóico (DHA), ácidos gordos ómega-3 (ω3) e ómega-6 (ω6), total de EPA+DHA, manganês e teor do grupo carbonilo. A acidificação isolada promoveu o aumento significativo da energia, MUFAs, teores de OA, POA, LA e ω6, h/H e a diminuição significativa dos teores de SFAs, PA e grupo carbonilo. O aquecimento parece ser o fator de stress com maior influência sobre a qualidade nutricional, principalmente no perfil lipídico, levando à diminuição de ácidos gordos ω3 e ω6, nomeadamente os essenciais, como o LA, que só podem ser obtidos através da alimentação. Deste modo, podem ocorrer deficiências nutricionais, as quais, consequentemente, podem conduzir ao aumento do risco de desenvolver doenças cardiovasculares
Autores principais:Marques, Joana de Matos
Assunto:alterações climáticas aquecimento acidificação sargo-veado qualidade nutricional
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As alterações climáticas, nomeadamente o aumento da temperatura e a diminuição do pH da água do mar, consequência das atividades antropogénicas, constituem uma das principais ameaças para os ecossistemas marinhos. Estes fatores abióticos têm impacto na composição e qualidade nutricional do pescado, o que, consequentemente, resulta em efeitos na saúde humana. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo principal estudar os efeitos do aquecimento (ΔT °C=+4 °C) e da acidificação (pCO2~1000 μatm) dos oceanos na qualidade nutricional de sargos-veados juvenis (Diplodus cervinus). A combinação de ambos os fatores de stress promoveu o aumento significativo do peso total, índice de condição de Fulton, teores de ácidos gordos monoinsaturados (MUFAs), ácido palmitoleico (POA) e linoleico (LA) e índice hipocolesterolémico/hipercolesterolémico (h/H), no entanto levou à diminuição significativa do índice hepatossomático (IHS), teores de ácidos gordos saturados (SFAs), ácido palmítico (PA) e esteárico (SA), fósforo e grupo carbonilo. O aquecimento isolado provocou o aumento significativo do peso e do teor de malonaldeído (MDA) e, por outro lado, conduziu a uma redução significativa do IHS, energia, teores de MUFAs, ácidos gordos polinsaturados (PUFA), ácido oleico (OA), eicosenóico (EA), POA, LA e docosahexaenóico (DHA), ácidos gordos ómega-3 (ω3) e ómega-6 (ω6), total de EPA+DHA, manganês e teor do grupo carbonilo. A acidificação isolada promoveu o aumento significativo da energia, MUFAs, teores de OA, POA, LA e ω6, h/H e a diminuição significativa dos teores de SFAs, PA e grupo carbonilo. O aquecimento parece ser o fator de stress com maior influência sobre a qualidade nutricional, principalmente no perfil lipídico, levando à diminuição de ácidos gordos ω3 e ω6, nomeadamente os essenciais, como o LA, que só podem ser obtidos através da alimentação. Deste modo, podem ocorrer deficiências nutricionais, as quais, consequentemente, podem conduzir ao aumento do risco de desenvolver doenças cardiovasculares