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Sociedade civil organizada e democratização no Brasil: exclusão e a importância da qualidade dos processos

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Resumo:Neste artigo sugiro avaliar, a partir do seu caráter democrático, organizações da sociedade civil brasileira. Procuro demonstrar que somente uma sociedade civil democrática tem capacidade e potencial para aprofundar a qualidade do regime democrático existente. Isto porque um dos maiores obstáculos do aprofundamento democrático no Brasil é a exclusão social que marca e estrutura as relações sociais brasileiras e suas instituições. As interações sociais brasileiras são marcadas por uma exclusão banalizada, onde desigualdade e discriminação são reproduzidas de forma corriqueira. Esta reprodução cotidiana da desigualdade, que se manifesta em situações diversas, como por exemplo no tratamento das empregadas domésticas,1 reflete uma democratização inacabada, onde o exercício da cidadania ainda é um privilégio de poucos.2 Do mesmo jeito fica cada vez mais evidente que a cor da pele funciona como um dos fatores mais significativos nesta reprodução de privilégios de uns e de exclusão de outros.3 No Brasil, à medida que todas as pessoas negras são suspeitas de serem pobres e potencialmente perigosas, não somente as interações sociais, mas também a própria negociação de quem é cidadão na sociedade brasileira, são “racializadas.
Autores principais:Reiter, Bernd
Assunto:Democracia Sociedade civil Participação cívíca Exclusão social Organizações Não Governamentais (ONG) Brasil
Ano:2003
País:Portugal
Tipo de documento:working paper
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Neste artigo sugiro avaliar, a partir do seu caráter democrático, organizações da sociedade civil brasileira. Procuro demonstrar que somente uma sociedade civil democrática tem capacidade e potencial para aprofundar a qualidade do regime democrático existente. Isto porque um dos maiores obstáculos do aprofundamento democrático no Brasil é a exclusão social que marca e estrutura as relações sociais brasileiras e suas instituições. As interações sociais brasileiras são marcadas por uma exclusão banalizada, onde desigualdade e discriminação são reproduzidas de forma corriqueira. Esta reprodução cotidiana da desigualdade, que se manifesta em situações diversas, como por exemplo no tratamento das empregadas domésticas,1 reflete uma democratização inacabada, onde o exercício da cidadania ainda é um privilégio de poucos.2 Do mesmo jeito fica cada vez mais evidente que a cor da pele funciona como um dos fatores mais significativos nesta reprodução de privilégios de uns e de exclusão de outros.3 No Brasil, à medida que todas as pessoas negras são suspeitas de serem pobres e potencialmente perigosas, não somente as interações sociais, mas também a própria negociação de quem é cidadão na sociedade brasileira, são “racializadas.