Publicação

Resistência a antimicrobianos em isolados patogénicos e não patogénicos de Escherichia coli humanos e não humanos – Importância em Saúde Pública

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O aumento significativo e diversificado de doenças infeciosas causadas por microrganismos patogénicos, quer nos humanos quer nos animais, tem incentivado a procura de substâncias capazes de inibir o crescimento, ou até mesmo eliminar, esses microrganismos. Neste estudo, foram caracterizadas fenotípica e genotipicamente 388 estirpes de Escherichia coli (E. coli) isoladas de produtos biológicos de origem humana (n = 111), de fezes de animais produzidos para consumo (APC), nomeadamente suínos (n = 93) e bovinos (n = 40), e de fezes de animais de companhia (AC), como caninos (n = 64) e felinos (n = 80). Foram identificados patotipos de E. coli patogénica intestinal em 13,5% dos isolados clínicos, em 17,3% dos isolados de APC e em 20,8% dos isolados de AC. Todas as estirpes submetidas a sequenciação completa do genoma (n = 171) apresentaram genes de virulência associados a E. coli patogénica extraintestinal. A diversidade de serotipos e de sequências tipo foi elevada em todos os grupos. Em relação ao perfil de resistência a antibióticos, 38,4% dos isolados apresentaram resistência a pelo menos um dos antibióticos testados. Foram identificadas estirpes multirresistentes em isolados de casos clínicos (25,2%), de suínos (51,6%), de caninos (10,9%) e de felinos (6,3%). As resistências à ampicilina, tetraciclina e sulfametoxazol foram as mais frequentes em isolados de casos clínicos (28,2%), de suínos (57,7%), de caninos (9,4%) e de felinos (9,2%). Foram identificados dez isolados de E. coli produtores de beta-lactamases de espectro alargado, um com mutações no promotor ampC e 16 com o gene mcr-1.1. A análise filogenética permitiu identificar 15 clusters. Nenhum cluster integrou isolados provenientes de grupos diferentes. Este estudo evidencia a necessidade de abordar o conceito One Health para melhorar a compreensão e reduzir as vias de transmissão de bactérias patogénicas, assim como limitar a disseminação de genes que conferem resistência aos antimicrobianos.
Autores principais:Tavares, Ricardo Paulo Pereira
Assunto:Escherichia coli Resistência a antimicrobianos Multirresistência Genes de virulência WGS Teses de mestrado - 2024
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O aumento significativo e diversificado de doenças infeciosas causadas por microrganismos patogénicos, quer nos humanos quer nos animais, tem incentivado a procura de substâncias capazes de inibir o crescimento, ou até mesmo eliminar, esses microrganismos. Neste estudo, foram caracterizadas fenotípica e genotipicamente 388 estirpes de Escherichia coli (E. coli) isoladas de produtos biológicos de origem humana (n = 111), de fezes de animais produzidos para consumo (APC), nomeadamente suínos (n = 93) e bovinos (n = 40), e de fezes de animais de companhia (AC), como caninos (n = 64) e felinos (n = 80). Foram identificados patotipos de E. coli patogénica intestinal em 13,5% dos isolados clínicos, em 17,3% dos isolados de APC e em 20,8% dos isolados de AC. Todas as estirpes submetidas a sequenciação completa do genoma (n = 171) apresentaram genes de virulência associados a E. coli patogénica extraintestinal. A diversidade de serotipos e de sequências tipo foi elevada em todos os grupos. Em relação ao perfil de resistência a antibióticos, 38,4% dos isolados apresentaram resistência a pelo menos um dos antibióticos testados. Foram identificadas estirpes multirresistentes em isolados de casos clínicos (25,2%), de suínos (51,6%), de caninos (10,9%) e de felinos (6,3%). As resistências à ampicilina, tetraciclina e sulfametoxazol foram as mais frequentes em isolados de casos clínicos (28,2%), de suínos (57,7%), de caninos (9,4%) e de felinos (9,2%). Foram identificados dez isolados de E. coli produtores de beta-lactamases de espectro alargado, um com mutações no promotor ampC e 16 com o gene mcr-1.1. A análise filogenética permitiu identificar 15 clusters. Nenhum cluster integrou isolados provenientes de grupos diferentes. Este estudo evidencia a necessidade de abordar o conceito One Health para melhorar a compreensão e reduzir as vias de transmissão de bactérias patogénicas, assim como limitar a disseminação de genes que conferem resistência aos antimicrobianos.