Publicação
Giant cell arteritis : characterization of a single-centre cohort
| Resumo: | A arterite de células gigantes (ACG) é a vasculite primária sistémica mais prevalente no mundo ocidental, afetando predominantemente indivíduos ≥50 anos. Esta doença envolve preferencialmente a aorta e os seus ramos, provocando, pelo processo inflamatório, uma obstrução parcial ou completa do fluxo, o que resulta num risco aumentado de eventos isquémicos graves, particularmente perda visual irreversível, acidentes vasculares cerebrais e isquémia aguda coronária ou de membros. Este envolvimento sistémico explica o amplo espetro clínico da doença e o processo inflamatório sistémico subjacente é responsável pelas manifestações constitucionais típicas da doença. As manifestações clínicas mais frequentes de ACG são altamente inespecíficas, o que dificulta o diagnóstico e pode atrasar o início do tratamento. Neste estudo, analisámos as caraterísticas de 114 doentes com este diagnóstico seguidos no nosso centro. Vários parâmetros demográficos, clínicos, laboratoriais, comorbilidades e terapêuticas concomitantes foram analisados. A idade média ao diagnóstico foi 74,4 ± 8,7 anos, com um rácio de género 2,08:1 a favor das mulheres. As manifestações clínicas mais comuns foram: cefaleia, manifestações tipo-polimialgia reumática, claudicação mandibular, alterações visuais e sintomas constitucionais. Globalmente, as caraterísticas desta coorte têm uma boa correspondência com outros estudos do Sul da Europa mas verificámos uma maior prevalência de perda de visão irreversível e certas comorbilidades (doença coronária, obesidade, doença cerebrovascular, diabetes mellitus, doença renal crónica, hipercolesterolemia e doença arterial periférica) e terapêuticas (antiagregantes, estatinas e anti-hipertensores) nos nossos doentes. Analisámos também as diferenças entre indivíduos diagnosticados com <75 anos e mais velhos. O grupo com ≥75 anos ao diagnóstico apresentou maior mortalidade nos primeiros três anos e menor tempo de doença, bem como índice de massa corporal mais baixo. Este grupo tinha também maior prevalência de manifestações oculares em geral, perda de visão irreversível e eventos isquémicos agudos (quer no global quer com envolvimento oftalmológico), sendo também mais frequentemente medicados com pulsos de metilprednisolona em alta dose. |
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| Autores principais: | Raimundo, Diana Marcelino Belchior |
| Assunto: | Arterite de células gigantes Arterite temporal Vasculite de grandes vasos Vasculite Estudo retrospetivo Reumatologia |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A arterite de células gigantes (ACG) é a vasculite primária sistémica mais prevalente no mundo ocidental, afetando predominantemente indivíduos ≥50 anos. Esta doença envolve preferencialmente a aorta e os seus ramos, provocando, pelo processo inflamatório, uma obstrução parcial ou completa do fluxo, o que resulta num risco aumentado de eventos isquémicos graves, particularmente perda visual irreversível, acidentes vasculares cerebrais e isquémia aguda coronária ou de membros. Este envolvimento sistémico explica o amplo espetro clínico da doença e o processo inflamatório sistémico subjacente é responsável pelas manifestações constitucionais típicas da doença. As manifestações clínicas mais frequentes de ACG são altamente inespecíficas, o que dificulta o diagnóstico e pode atrasar o início do tratamento. Neste estudo, analisámos as caraterísticas de 114 doentes com este diagnóstico seguidos no nosso centro. Vários parâmetros demográficos, clínicos, laboratoriais, comorbilidades e terapêuticas concomitantes foram analisados. A idade média ao diagnóstico foi 74,4 ± 8,7 anos, com um rácio de género 2,08:1 a favor das mulheres. As manifestações clínicas mais comuns foram: cefaleia, manifestações tipo-polimialgia reumática, claudicação mandibular, alterações visuais e sintomas constitucionais. Globalmente, as caraterísticas desta coorte têm uma boa correspondência com outros estudos do Sul da Europa mas verificámos uma maior prevalência de perda de visão irreversível e certas comorbilidades (doença coronária, obesidade, doença cerebrovascular, diabetes mellitus, doença renal crónica, hipercolesterolemia e doença arterial periférica) e terapêuticas (antiagregantes, estatinas e anti-hipertensores) nos nossos doentes. Analisámos também as diferenças entre indivíduos diagnosticados com <75 anos e mais velhos. O grupo com ≥75 anos ao diagnóstico apresentou maior mortalidade nos primeiros três anos e menor tempo de doença, bem como índice de massa corporal mais baixo. Este grupo tinha também maior prevalência de manifestações oculares em geral, perda de visão irreversível e eventos isquémicos agudos (quer no global quer com envolvimento oftalmológico), sendo também mais frequentemente medicados com pulsos de metilprednisolona em alta dose. |
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