Publicação
Vivência da sobrevivência e crescimento pós-traumático em irmãos de sobreviventes de cancro pediátrico
| Resumo: | O cancro tem especificidades que o distinguem de outros eventos traumáticos, pelo que os doentes de cancro pediátrico e suas famílias vivem o trauma do diagnóstico, mas também um período prolongado e exigente de tratamentos. Na fase pós-tratamentos são ainda percecionadas experiências particularmente ameaçadoras do equilíbrio familiar. Nesta temática, os irmãos tendem a ser desconsiderados no que diz respeito às suas necessidades, pelo que a investigação centrada nesta população é muito reduzida. Objetivo: Explorar as memórias da vivência da fase ativa da doença, as preocupações atuais e o crescimento pós-traumático em irmãos de sobreviventes de cancro pediátrico. Metodologia: Este trabalho inclui uma revisão exaustiva de literatura acerca da vivência da sobrevivência e crescimento pós-traumático em irmãos de jovens sobreviventes de cancro e um estudo qualitativo. Na revisão de literatura foram pesquisadas as bases de dados científicas reconhecidas e utilizados descritores correspondentes aos objetivos da revisão. Dos 992 artigos extraídos, 13 cumpriram os critérios de inclusão. Participaram no estudo qualitativo 9 indivíduos, entre os 19 e os 34 anos. Foi utilizada uma entrevista semiestruturada que integrou as dimensões identificadas nos objetivos. As entrevistas semiestruturadas foram analisadas de acordo com a análise indutiva de conteúdo. Resultados: Os irmãos mostraram recordar as suas experiências, lembrando situações emocionalmente negativas e positivas. As emoções positivas associadas às situações lembradas foram descritas como tendo aliviado a experiência difícil por que passaram. Todos os participantes identificaram alterações condizentes com todas as dimensões do CPT, reportando a influência da experiência vivida no aumento percebido de recursos psicológicos, mas também na fragilidade emocional, na empatia em relação aos outros, mas também na desconfiança relacional, no seu sentido de vida e na responsabilidade em relação à vida, e na sua espiritualidade. Os irmãos mostraram ainda viver com alguma angústia relacionada com um sentido de incerteza em relação ao futuro, com a possibilidade de doença dos familiares e/ou com a recidiva da doença do/a irmão/ã. Conclusões: O estudo qualitativo e a revisão exaustiva de literatura ilustraram que os desafios e a vivência de experiências ameaçadoras do equilíbrio emocional dos irmãos não são exclusivos da fase mais ativa da doença. Os resultados alertam para a necessidade da continuação do apoio psicológico a esta população em fase posterior aos tratamentos. |
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| Autores principais: | Torrado, Jéssica Filipa Guerreiro |
| Assunto: | Oncologia pediátrica Sobrevivência Irmãos Teses de mestrado - 2020 |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O cancro tem especificidades que o distinguem de outros eventos traumáticos, pelo que os doentes de cancro pediátrico e suas famílias vivem o trauma do diagnóstico, mas também um período prolongado e exigente de tratamentos. Na fase pós-tratamentos são ainda percecionadas experiências particularmente ameaçadoras do equilíbrio familiar. Nesta temática, os irmãos tendem a ser desconsiderados no que diz respeito às suas necessidades, pelo que a investigação centrada nesta população é muito reduzida. Objetivo: Explorar as memórias da vivência da fase ativa da doença, as preocupações atuais e o crescimento pós-traumático em irmãos de sobreviventes de cancro pediátrico. Metodologia: Este trabalho inclui uma revisão exaustiva de literatura acerca da vivência da sobrevivência e crescimento pós-traumático em irmãos de jovens sobreviventes de cancro e um estudo qualitativo. Na revisão de literatura foram pesquisadas as bases de dados científicas reconhecidas e utilizados descritores correspondentes aos objetivos da revisão. Dos 992 artigos extraídos, 13 cumpriram os critérios de inclusão. Participaram no estudo qualitativo 9 indivíduos, entre os 19 e os 34 anos. Foi utilizada uma entrevista semiestruturada que integrou as dimensões identificadas nos objetivos. As entrevistas semiestruturadas foram analisadas de acordo com a análise indutiva de conteúdo. Resultados: Os irmãos mostraram recordar as suas experiências, lembrando situações emocionalmente negativas e positivas. As emoções positivas associadas às situações lembradas foram descritas como tendo aliviado a experiência difícil por que passaram. Todos os participantes identificaram alterações condizentes com todas as dimensões do CPT, reportando a influência da experiência vivida no aumento percebido de recursos psicológicos, mas também na fragilidade emocional, na empatia em relação aos outros, mas também na desconfiança relacional, no seu sentido de vida e na responsabilidade em relação à vida, e na sua espiritualidade. Os irmãos mostraram ainda viver com alguma angústia relacionada com um sentido de incerteza em relação ao futuro, com a possibilidade de doença dos familiares e/ou com a recidiva da doença do/a irmão/ã. Conclusões: O estudo qualitativo e a revisão exaustiva de literatura ilustraram que os desafios e a vivência de experiências ameaçadoras do equilíbrio emocional dos irmãos não são exclusivos da fase mais ativa da doença. Os resultados alertam para a necessidade da continuação do apoio psicológico a esta população em fase posterior aos tratamentos. |
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