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Epidemiologia molecular da colonização por Streptococcus agalactiae em mulheres grávidas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Streptococcus agalactiae é uma espécie bacteriana maioritariamente colonizadora, podendo também causar, em adultos, doença não invasiva como a maioria dos casos de infeções na pele e tecidos moles ou doença invasiva como sépsis, endocardite ou pneumonia. É a principal responsável pela doença invasiva em recém-nascidos, provocando geralmente sépsis, pneumonia, bacteriémia ou meningite. S. agalactiae coloniza assintomaticamente os tratos genitourinário e gastrointestinal e estima-se que uma em cada cinco grávidas encontra-se colonizada por S. agalactiae. Uma vez que a colonização da grávida é reconhecida como o principal reservatório de doença neonatal, o presente estudo procura caracterizar, por análise genómica, estirpes de S. agalactiae que colonizam mulheres grávidas. Em 2013, a Direção-Geral da Saúde oficializou uma norma que inclui o rastreio da colonização por S. agalactiae entre as 35 e 37 semanas de gestação e a administração de profilaxia intraparto às portadoras, sendo a penicilina a primeira opção terapêutica. Neste contexto, entre 2017 e 2018, foram estudadas 252 estirpes de S. agalactiae isoladas de exsudados vaginais/rectais de grávidas (com idades compreendidas entre os 14 e 48 anos), na zona da Grande Lisboa, das quais, posteriormente, os genomas foram extraídos e sequenciados. Observou-se uma elevada diversidade dos serotipos (SID = 0.817; 95%; IC: 0.803 – 0.829), em que o serotipo Ia foi o mais frequente (23.8%), seguidos pelos serotipos III (21.0%), V (19.0%), II (16.7%) e Ib (14.3%). O serotipo Ib aumentou em frequência em comparação com a sua prevalência em estudos anteriores neste mesmo contexto. Foram observados 46 sequence types (ST) com uma diversidade elevada (SID = 0.917; 95%; IC: 0.900 – 0.934), distribuídos por 10 complexos clonais (CC) e 4 singletons. O CC23/24 dominou (28.2%), seguido pelos CC1 (23.0%), CC17 (17.5%), CC19 (13.9%) e CC10 (9.1%). A linhagem CC1/alp3/PI-1+PI-2a foi a mais frequentemente identificada neste estudo e incluiu 23 estirpes do serotipo Ib, representando cerca de metade das estirpes resistentes a macrólidos, lincosamidas e estreptograminas B, e sendo a segunda linhagem mais representada na resistência à tetraciclina. Esta linhagem é a que mais contribuiu para a taxa de resistência a macrólidos e lincosamidas, e tem mostrado uma tendência de aumento em Portugal. Esta mesma linhagem do serotipo Ib foi, entre 2009 e 2015, a principal responsável pela doença invasiva em adultos excluindo as grávidas. Embora S. agalactiae seja intrinsecamente suscetível à penicilina foram já descritas estirpes que apresentam uma suscetibilidade diminuída à penicilina. Neste contexto, através de métodos fenotípicos e genotípicos foi realizada uma pesquisa por estirpes com suscetibilidade diminuída à penicilina. Nesta pesquisa foram identificadas três estirpes que exibiram fenotipicamente suscetibilidade diminuída à penicilina, que continham o mesmo padrão de mutações nas proteínas de ligação à penicilina (PBP), sendo uma destas mutações única na coleção, previamente descrita na literatura em estirpes com o mesmo fenótipo, o que sugere que desempenha um papel importante na suscetibilidade diminuída. É fundamental a realização de mais estudos epidemiológicos a fim de monitorizar as linhagens genéticas e genes de resistência, em ambos os contextos de colonização e doença invasiva, contribuindo para adequadas estratégias de prevenção e tratamento da doença invasiva por S. agalactiae.
Autores principais:Pedrosa, Rui David Ferro, 1996-
Assunto:Streptococcus agalactiae Epidemiologia molecular Grávidas Colonização Genómica Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Streptococcus agalactiae é uma espécie bacteriana maioritariamente colonizadora, podendo também causar, em adultos, doença não invasiva como a maioria dos casos de infeções na pele e tecidos moles ou doença invasiva como sépsis, endocardite ou pneumonia. É a principal responsável pela doença invasiva em recém-nascidos, provocando geralmente sépsis, pneumonia, bacteriémia ou meningite. S. agalactiae coloniza assintomaticamente os tratos genitourinário e gastrointestinal e estima-se que uma em cada cinco grávidas encontra-se colonizada por S. agalactiae. Uma vez que a colonização da grávida é reconhecida como o principal reservatório de doença neonatal, o presente estudo procura caracterizar, por análise genómica, estirpes de S. agalactiae que colonizam mulheres grávidas. Em 2013, a Direção-Geral da Saúde oficializou uma norma que inclui o rastreio da colonização por S. agalactiae entre as 35 e 37 semanas de gestação e a administração de profilaxia intraparto às portadoras, sendo a penicilina a primeira opção terapêutica. Neste contexto, entre 2017 e 2018, foram estudadas 252 estirpes de S. agalactiae isoladas de exsudados vaginais/rectais de grávidas (com idades compreendidas entre os 14 e 48 anos), na zona da Grande Lisboa, das quais, posteriormente, os genomas foram extraídos e sequenciados. Observou-se uma elevada diversidade dos serotipos (SID = 0.817; 95%; IC: 0.803 – 0.829), em que o serotipo Ia foi o mais frequente (23.8%), seguidos pelos serotipos III (21.0%), V (19.0%), II (16.7%) e Ib (14.3%). O serotipo Ib aumentou em frequência em comparação com a sua prevalência em estudos anteriores neste mesmo contexto. Foram observados 46 sequence types (ST) com uma diversidade elevada (SID = 0.917; 95%; IC: 0.900 – 0.934), distribuídos por 10 complexos clonais (CC) e 4 singletons. O CC23/24 dominou (28.2%), seguido pelos CC1 (23.0%), CC17 (17.5%), CC19 (13.9%) e CC10 (9.1%). A linhagem CC1/alp3/PI-1+PI-2a foi a mais frequentemente identificada neste estudo e incluiu 23 estirpes do serotipo Ib, representando cerca de metade das estirpes resistentes a macrólidos, lincosamidas e estreptograminas B, e sendo a segunda linhagem mais representada na resistência à tetraciclina. Esta linhagem é a que mais contribuiu para a taxa de resistência a macrólidos e lincosamidas, e tem mostrado uma tendência de aumento em Portugal. Esta mesma linhagem do serotipo Ib foi, entre 2009 e 2015, a principal responsável pela doença invasiva em adultos excluindo as grávidas. Embora S. agalactiae seja intrinsecamente suscetível à penicilina foram já descritas estirpes que apresentam uma suscetibilidade diminuída à penicilina. Neste contexto, através de métodos fenotípicos e genotípicos foi realizada uma pesquisa por estirpes com suscetibilidade diminuída à penicilina. Nesta pesquisa foram identificadas três estirpes que exibiram fenotipicamente suscetibilidade diminuída à penicilina, que continham o mesmo padrão de mutações nas proteínas de ligação à penicilina (PBP), sendo uma destas mutações única na coleção, previamente descrita na literatura em estirpes com o mesmo fenótipo, o que sugere que desempenha um papel importante na suscetibilidade diminuída. É fundamental a realização de mais estudos epidemiológicos a fim de monitorizar as linhagens genéticas e genes de resistência, em ambos os contextos de colonização e doença invasiva, contribuindo para adequadas estratégias de prevenção e tratamento da doença invasiva por S. agalactiae.