Publicação
Essays in monetary and fiscal policies
| Resumo: | A presente dissertação reúne quatro artigos que examinam políticas monetárias e orçamentais na área do euro. Em específico, os dois primeiros artigos avaliam os impactos e a heterogeneidade das respostas macroeconómicas aos programas de compra de ativos em larga escala implementados pelo Banco Central Europeu (BCE). Os dois artigos subsequentes analisam as interações entre as políticas monetárias e orçamentais na área do euro. Na sequência do que foi referido anteriormente, são apresentados os resumos individuais de cada artigo que compõem a presente tese. No primeiro artigo, é utilizado um conjunto de dados ao nível bancários e ao nível regional com o objetivo de estudar os impactos e a heterogeneidade dos programas de compra de ativos em larga escala do BCE na economia. Os resultados obtidos indicam que os bancos mais expostos a títulos de dívida pública registaram um maior crescimento de empréstimos do que os bancos menos expostos após o programa de compra de ativos denominado por Asset Purchase Programme (APP). No entanto, este resultado não é verificado para o programa denominado por Pandemic Emergency Purchase Programme (PEPP). Adicionalmente, os resultados obtidos demonstram que, após o programa APP, as regiões onde os bancos estão mais expostos a títulos de dívida pública apresentam resultados macroeconómicos mais favoráveis em comparação com regiões onde os bancos têm menor exposição, operando através do canal de transmissão de crédito bancário, ou Bank Lending Channel. Concluímos que a exposição dos bancos aos ativos alvo dos programas de compra de ativos em larga escala, assim como a sua localização geográfica, são fatores importantes na explicação da magnitude e heterogeneidade dos mecanismos de transmissão monetária. O segundo artigo investiga os impactos e a heterogeneidade dos programas de compra de títulos de dívida pública da zona euro em larga escala pelo BCE no PIB real, inflação, rendimentos das obrigações de longo prazo, stress sistémico e taxa de desemprego. Neste artigo, foi estimado um modelo VAR Bayesiano (BVAR) estrutural com seis variáveis endógenas para 11 países da área do euro durante o período entre 2012:M1 e 2023:M12. Para robustez dos resultados, foi estimado um modelo BVAR estrutural com dados em painel, permitindo uma comparação direta entre um grupo de países vulneráveis e não vulneráveis. Os resultados sugerem que as magnitudes das respostas a um choque no stock de ativos de dívida pública da zona euro detidos no balanço dos bancos centrais nacionais pertencentes ao Eurosistema foram mais favoráveis iv nos países mais vulneráveis ao nível económico e financeiro. Os resultados obtidos sugerem que a fragilidade financeira e económica constitui uma das razões que explica a heterogeneidade nas respostas aos programas de compra de ativos em larga escala do BCE. O terceiro artigo investiga a resposta das políticas monetárias do BCE face a projeções de défices orçamentais. O aumento contínuo do rácio dívida-produto de vários países do euro e o uso extensivo de políticas monetárias não convencionais pelo BCE levantam questões sobre a possibilidade de a política monetária estar a reagir à política orçamental, pondo em causa a independência do banco central. Esta questão é avaliada com um modelo VAR estrutural estimado com projeções de variáveis macroeconómicas. Lidamos com a incerteza quanto ao horizonte de previsão utilizando o método thick modelling, onde estimamos um total de 96 modelos e reportamos a mediana dos resultados. Concluímos que a política monetária do BCE reagiu principalmente a alterações de projeções da inflação e não a projeções de défices orçamentais, consistente com um regime de domínio monetário. Por último, o quarto artigo investiga o impacto das políticas monetária do BCE na sustentabilidade orçamental de uma amostra de países da zona euro. Incrementamos uma função de reação orçamental com uma variável que descreve a política monetária do BCE. As conclusões são as seguintes: Primeiro, políticas monetárias contracionistas (expansionistas) tendem a levar a um aumento (diminuição) do saldo primário. Segundo, a posição da política monetária do BCE influencia significativamente o coeficiente da função de reação orçamental. Por outras palavras, uma política monetária contracionista induz um aumento maior dos saldos primários em resposta a um aumento do rácio dívidaproduto do que se a política monetária for neutra ou expansionista. Os resultados obtidos sugerem que uma política monetária expansionista tem o potencial de ajudar a sustentabilidade orçamental. Por outro lado, uma política monetária demasiado contracionista pode agravar o esforço orçamental necessário para satisfazer a restrição orçamental do governo. |
|---|---|
| Autores principais: | Pereira, Francisco Costa Pereira Gomes |
| Assunto: | Política Monetária Programas de Compra de Ativos em Larga Escala BCE Política Orçamental Sustentabilidade Orçamental Monetary Policy Large Scale Asset Purchases ECB Fiscal Policy Fiscal Sustainability |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A presente dissertação reúne quatro artigos que examinam políticas monetárias e orçamentais na área do euro. Em específico, os dois primeiros artigos avaliam os impactos e a heterogeneidade das respostas macroeconómicas aos programas de compra de ativos em larga escala implementados pelo Banco Central Europeu (BCE). Os dois artigos subsequentes analisam as interações entre as políticas monetárias e orçamentais na área do euro. Na sequência do que foi referido anteriormente, são apresentados os resumos individuais de cada artigo que compõem a presente tese. No primeiro artigo, é utilizado um conjunto de dados ao nível bancários e ao nível regional com o objetivo de estudar os impactos e a heterogeneidade dos programas de compra de ativos em larga escala do BCE na economia. Os resultados obtidos indicam que os bancos mais expostos a títulos de dívida pública registaram um maior crescimento de empréstimos do que os bancos menos expostos após o programa de compra de ativos denominado por Asset Purchase Programme (APP). No entanto, este resultado não é verificado para o programa denominado por Pandemic Emergency Purchase Programme (PEPP). Adicionalmente, os resultados obtidos demonstram que, após o programa APP, as regiões onde os bancos estão mais expostos a títulos de dívida pública apresentam resultados macroeconómicos mais favoráveis em comparação com regiões onde os bancos têm menor exposição, operando através do canal de transmissão de crédito bancário, ou Bank Lending Channel. Concluímos que a exposição dos bancos aos ativos alvo dos programas de compra de ativos em larga escala, assim como a sua localização geográfica, são fatores importantes na explicação da magnitude e heterogeneidade dos mecanismos de transmissão monetária. O segundo artigo investiga os impactos e a heterogeneidade dos programas de compra de títulos de dívida pública da zona euro em larga escala pelo BCE no PIB real, inflação, rendimentos das obrigações de longo prazo, stress sistémico e taxa de desemprego. Neste artigo, foi estimado um modelo VAR Bayesiano (BVAR) estrutural com seis variáveis endógenas para 11 países da área do euro durante o período entre 2012:M1 e 2023:M12. Para robustez dos resultados, foi estimado um modelo BVAR estrutural com dados em painel, permitindo uma comparação direta entre um grupo de países vulneráveis e não vulneráveis. Os resultados sugerem que as magnitudes das respostas a um choque no stock de ativos de dívida pública da zona euro detidos no balanço dos bancos centrais nacionais pertencentes ao Eurosistema foram mais favoráveis iv nos países mais vulneráveis ao nível económico e financeiro. Os resultados obtidos sugerem que a fragilidade financeira e económica constitui uma das razões que explica a heterogeneidade nas respostas aos programas de compra de ativos em larga escala do BCE. O terceiro artigo investiga a resposta das políticas monetárias do BCE face a projeções de défices orçamentais. O aumento contínuo do rácio dívida-produto de vários países do euro e o uso extensivo de políticas monetárias não convencionais pelo BCE levantam questões sobre a possibilidade de a política monetária estar a reagir à política orçamental, pondo em causa a independência do banco central. Esta questão é avaliada com um modelo VAR estrutural estimado com projeções de variáveis macroeconómicas. Lidamos com a incerteza quanto ao horizonte de previsão utilizando o método thick modelling, onde estimamos um total de 96 modelos e reportamos a mediana dos resultados. Concluímos que a política monetária do BCE reagiu principalmente a alterações de projeções da inflação e não a projeções de défices orçamentais, consistente com um regime de domínio monetário. Por último, o quarto artigo investiga o impacto das políticas monetária do BCE na sustentabilidade orçamental de uma amostra de países da zona euro. Incrementamos uma função de reação orçamental com uma variável que descreve a política monetária do BCE. As conclusões são as seguintes: Primeiro, políticas monetárias contracionistas (expansionistas) tendem a levar a um aumento (diminuição) do saldo primário. Segundo, a posição da política monetária do BCE influencia significativamente o coeficiente da função de reação orçamental. Por outras palavras, uma política monetária contracionista induz um aumento maior dos saldos primários em resposta a um aumento do rácio dívidaproduto do que se a política monetária for neutra ou expansionista. Os resultados obtidos sugerem que uma política monetária expansionista tem o potencial de ajudar a sustentabilidade orçamental. Por outro lado, uma política monetária demasiado contracionista pode agravar o esforço orçamental necessário para satisfazer a restrição orçamental do governo. |
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