Publicação
Rituais familiares : um fator de proteção para a adaptação do pais de crianças e adolescentes com paralisia cerebral?
| Resumo: | A paralisia cerebral é a perturbação do desenvolvimento mais comum na infância, estimando-se que a sua prevalência no mundo seja de 2 a 2.5 casos por 1000 nascimentos. Cuidar de uma criança /adolescente com paralisia cerebral envolve vários desafios de modo a atender às necessidades inerentes a esta condição crónica. A adaptação individual e familiar no âmbito das condições crónicas de saúde em idade pediátrica tem sido alvo de crescente atenção nos últimos anos. Neste contexto específico, cada vez mais se considera a relevância da família para uma positiva adaptação de pacientes e pais/cuidadores. De entre os vários fatores familiares de relevo, os rituais familiares têm sido considerados importantes recursos para a adaptação de indivíduos e famílias no contexto de condições cronicas de saúde. O presente estudo comparou a associação entre o significado dos rituais familiares e os indicadores de adaptação, nomeadamente, a qualidade de vida e o ajustamento psicológico (depressão e ansiedade) em dois grupos: pais de crianças e adolescentes entre os 6 e os 20 anos com paralisia cerebral (amostra do grupo clínico, N=31) e sem paralisia cerebral (amostra do grupo de controlo, N=31). Os participantes responderam a questionários de auto-relato que avaliaram o significado dos rituais familiares (Questionários dos Rituais Familiares), a qualidade de vida (EUROHIS-QOL) e a sintomatologia depressiva (PHQ9) e ansiosa (GAD-7). Os resultados mostraram não haver diferenças entre os grupos relativamente às variáveis em estudo. Verificou-se uma associação positiva entre o significado dos rituais familiares e a qualidade de vida e uma associação negativa entre o significado dos rituais familiares e a sintomatologia depressiva e ansiosa na amostra clínica. Adicionalmente, verificou-se que a associação entre o significado dos rituais familiares e a sintomatologia depressiva era moderada pelo grupo (clínico vs. controlo): os rituais familiares estavam significativamente associados a menores níveis de sintomatologia depressiva no grupo clínico, mas não no grupo de controlo. Estes resultados sugerem que os rituais familiares podem ser considerados um fator protetor da adaptação parental de pais de crianças e adolescentes com paralisia cerebral. |
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| Autores principais: | Regateiro, Joana Raquel Félix |
| Assunto: | Paralisia cerebral Rituais familiares Qualidade de vida Ansiedade Depressão (psicologia) Teses de mestrado - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A paralisia cerebral é a perturbação do desenvolvimento mais comum na infância, estimando-se que a sua prevalência no mundo seja de 2 a 2.5 casos por 1000 nascimentos. Cuidar de uma criança /adolescente com paralisia cerebral envolve vários desafios de modo a atender às necessidades inerentes a esta condição crónica. A adaptação individual e familiar no âmbito das condições crónicas de saúde em idade pediátrica tem sido alvo de crescente atenção nos últimos anos. Neste contexto específico, cada vez mais se considera a relevância da família para uma positiva adaptação de pacientes e pais/cuidadores. De entre os vários fatores familiares de relevo, os rituais familiares têm sido considerados importantes recursos para a adaptação de indivíduos e famílias no contexto de condições cronicas de saúde. O presente estudo comparou a associação entre o significado dos rituais familiares e os indicadores de adaptação, nomeadamente, a qualidade de vida e o ajustamento psicológico (depressão e ansiedade) em dois grupos: pais de crianças e adolescentes entre os 6 e os 20 anos com paralisia cerebral (amostra do grupo clínico, N=31) e sem paralisia cerebral (amostra do grupo de controlo, N=31). Os participantes responderam a questionários de auto-relato que avaliaram o significado dos rituais familiares (Questionários dos Rituais Familiares), a qualidade de vida (EUROHIS-QOL) e a sintomatologia depressiva (PHQ9) e ansiosa (GAD-7). Os resultados mostraram não haver diferenças entre os grupos relativamente às variáveis em estudo. Verificou-se uma associação positiva entre o significado dos rituais familiares e a qualidade de vida e uma associação negativa entre o significado dos rituais familiares e a sintomatologia depressiva e ansiosa na amostra clínica. Adicionalmente, verificou-se que a associação entre o significado dos rituais familiares e a sintomatologia depressiva era moderada pelo grupo (clínico vs. controlo): os rituais familiares estavam significativamente associados a menores níveis de sintomatologia depressiva no grupo clínico, mas não no grupo de controlo. Estes resultados sugerem que os rituais familiares podem ser considerados um fator protetor da adaptação parental de pais de crianças e adolescentes com paralisia cerebral. |
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