Publicação
Caraterização do envolvimento pericárdico na esclerose sistémica e complicações cardíacas associadas
| Resumo: | Introdução: A esclerose sistémica (SSc) é uma doença sistémica reumática rara, com manifestações heterogéneas que podem afetar vários sistemas de órgãos, pautada por uma elevada taxa de mortalidade caso-específica e complicações não-letais. O envolvimento cardíaco é uma manifestação clínica comum e precoce, frequentemente subestimada em fases iniciais da doença. Investigou-se o derrame pericárdico e as suas possíveis associações com hipertensão pulmonar (HTP) e prognóstico da doença. Métodos: Foram incluídos os doentes seguidos prospectivamente no Registo Nacional de Doentes Reumáticos (Reuma.pt) no Hospital Garcia de Orta. Existia em comum o diagnóstico clínico de SSc e registos de ecocardiograma. Foi realizada uma análise descritiva dos dados utilizando o programa SPSS e utilizados modelos de regressão logística para pesquisar associações entre o derrame pericárdico e a HTP e estado vital. Resultados: Entre os 148 doentes incluídos, 32 (21,6%) tinham derrame pericárdico documentado por ecocardiograma. A presença de derrame estava associada com o subtipo de SSc, presença de envolvimento gastrointestinal e pulmonar, insuficiência cardíaca (IC) , padrão restritivo nas PFRs, HTP e valor da PSAP em ecocardiograma. Os doentes com derrame apresentam maior probabilidade de ter HTP na análise não ajustada e na análise ajustada para idade, subtipo de SSc, presença de IC e HTA (ORajustado 8,47; IC95% 2,07 a 34,64) e maior probabilidade de morte no modelo ajustado para idade e subtipo de SSc (ORajustado 3,51; IC95% 1,12 a 11,05). Discussão: O derrame pericárdico ocorre em cerca de um quinto dos doentes com SSc. Existem diferenças demográficas, clínicas e imunológicas entre os doentes com e sem derrame. Este trabalho confirma que o derrame pericárdico surge em concomitância com HTP e que existe associação estatisticamente significativa, mesmo após ajuste para confundidores. Os resultados mostram que a presença de derrame pericárdico é um indicador de pior prognóstico vital nestes doentes. Sugere-se para estudos futuros uma caraterização do derrame pericárdico em doentes SSc num estudo prospetivo, de modo a esclarecer a relação temporal entre a deteção de derrame e os outcomes analisados. |
|---|---|
| Autores principais: | Fernandes, Carlos Manuel Camacho |
| Assunto: | Esclerose sistémica Derrame pericárdico Hipertensão pulmonar Prognóstico Complicações Morte Neurologia |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A esclerose sistémica (SSc) é uma doença sistémica reumática rara, com manifestações heterogéneas que podem afetar vários sistemas de órgãos, pautada por uma elevada taxa de mortalidade caso-específica e complicações não-letais. O envolvimento cardíaco é uma manifestação clínica comum e precoce, frequentemente subestimada em fases iniciais da doença. Investigou-se o derrame pericárdico e as suas possíveis associações com hipertensão pulmonar (HTP) e prognóstico da doença. Métodos: Foram incluídos os doentes seguidos prospectivamente no Registo Nacional de Doentes Reumáticos (Reuma.pt) no Hospital Garcia de Orta. Existia em comum o diagnóstico clínico de SSc e registos de ecocardiograma. Foi realizada uma análise descritiva dos dados utilizando o programa SPSS e utilizados modelos de regressão logística para pesquisar associações entre o derrame pericárdico e a HTP e estado vital. Resultados: Entre os 148 doentes incluídos, 32 (21,6%) tinham derrame pericárdico documentado por ecocardiograma. A presença de derrame estava associada com o subtipo de SSc, presença de envolvimento gastrointestinal e pulmonar, insuficiência cardíaca (IC) , padrão restritivo nas PFRs, HTP e valor da PSAP em ecocardiograma. Os doentes com derrame apresentam maior probabilidade de ter HTP na análise não ajustada e na análise ajustada para idade, subtipo de SSc, presença de IC e HTA (ORajustado 8,47; IC95% 2,07 a 34,64) e maior probabilidade de morte no modelo ajustado para idade e subtipo de SSc (ORajustado 3,51; IC95% 1,12 a 11,05). Discussão: O derrame pericárdico ocorre em cerca de um quinto dos doentes com SSc. Existem diferenças demográficas, clínicas e imunológicas entre os doentes com e sem derrame. Este trabalho confirma que o derrame pericárdico surge em concomitância com HTP e que existe associação estatisticamente significativa, mesmo após ajuste para confundidores. Os resultados mostram que a presença de derrame pericárdico é um indicador de pior prognóstico vital nestes doentes. Sugere-se para estudos futuros uma caraterização do derrame pericárdico em doentes SSc num estudo prospetivo, de modo a esclarecer a relação temporal entre a deteção de derrame e os outcomes analisados. |
|---|