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O perpétuo presente : heterotopias glocais na arte contemporênea

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A mecanização da vida e o fetichismo da mercadoria, inerentes à condição urbana desde a modernidade, conduzem a uma destruição da experiência. Se os artistas contemporâneos conscientes desse sintoma aglutinam e reflectem nas obras a praxis sócio-cultural, acabam por subvertê-la por uma produção espacial e temporal autónoma. Salvaguardando o aqui e agora da experiência, os objectos artísticos são irredutíveis à transparência cognitiva proclamada pelo bio-poder, ao evidenciarem a sua qualidade matérica, que os coloca entre o visível e o invisível, a determinação espacial e a sua dissolução, sendo pela iminência do colapso que as obras comparecem no presente, a ser indefinidamente perpetuado pelo devir da matéria. A anti-monumentalidade e o carácter portátil dos objectos artísticos confere-lhes a qualidade de espaços sem espaço, ao carecerem de uma topografia definitiva e estável que demarque o seu carácter inevitavelmente provisório. Rigorosamente inqualificáveis e sempre exilados em termos geo-políticos, os espaços sem espaço e os lugares sem lugar da arte contemporânea firmam a atopia, que garante ao presente uma condição glocal, pela qualidade monádica adquirida por objectos, a um tempo, integrados mas autónomos do contexto geográfico e social. Do mesmo modo que a deslocação do significado para os receptores mantém a condição matérica dos objectos artísticos, o pendor anunciativo da comunidade heterotópica manifesta uma entrega aos desígnios de um presente que obstrui as sínteses cognitivas e, por acréscimo, a noção de totalidade subjectiva ou social. A condição indecidível das heterotopias corresponde, em termos sócio-políticos, a uma comunidade sempre retardada porque realizada no perpétuo presente.
Autores principais:Ribeiro, Fernando
Assunto:Arte contemporânea Distopia Presença Contra-presença Neutralidade Teses de doutoramento
Ano:2008
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A mecanização da vida e o fetichismo da mercadoria, inerentes à condição urbana desde a modernidade, conduzem a uma destruição da experiência. Se os artistas contemporâneos conscientes desse sintoma aglutinam e reflectem nas obras a praxis sócio-cultural, acabam por subvertê-la por uma produção espacial e temporal autónoma. Salvaguardando o aqui e agora da experiência, os objectos artísticos são irredutíveis à transparência cognitiva proclamada pelo bio-poder, ao evidenciarem a sua qualidade matérica, que os coloca entre o visível e o invisível, a determinação espacial e a sua dissolução, sendo pela iminência do colapso que as obras comparecem no presente, a ser indefinidamente perpetuado pelo devir da matéria. A anti-monumentalidade e o carácter portátil dos objectos artísticos confere-lhes a qualidade de espaços sem espaço, ao carecerem de uma topografia definitiva e estável que demarque o seu carácter inevitavelmente provisório. Rigorosamente inqualificáveis e sempre exilados em termos geo-políticos, os espaços sem espaço e os lugares sem lugar da arte contemporânea firmam a atopia, que garante ao presente uma condição glocal, pela qualidade monádica adquirida por objectos, a um tempo, integrados mas autónomos do contexto geográfico e social. Do mesmo modo que a deslocação do significado para os receptores mantém a condição matérica dos objectos artísticos, o pendor anunciativo da comunidade heterotópica manifesta uma entrega aos desígnios de um presente que obstrui as sínteses cognitivas e, por acréscimo, a noção de totalidade subjectiva ou social. A condição indecidível das heterotopias corresponde, em termos sócio-políticos, a uma comunidade sempre retardada porque realizada no perpétuo presente.