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Saúde e qualidade de vida na polícia judiciária : avaliação de riscos psicossociais, burnout, coping e bem-estar subjetivo

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A profissão de polícia tem sido descrita como stressante, culminado em implicações substanciais para a saúde dos seus profissionais. Considerando as especificidades que apresenta, o presente estudo tem como objetivo avaliar a saúde e qualidade de vida dos profissionais da Polícia Judiciária (n=57), avaliando os riscos psicossociais a que se encontram expostos, a incidência de burnout, as estratégias de coping que utilizam e o bem-estar subjetivo, em termos de satisfação com a vida e de bem-estar experienciado. Propõe-se ainda a explorar as diferenças entre a carreira de investigação criminal (n=30) e a carreira de apoio à investigação criminal (n=27), relativamente às variáveis em estudo. Por último, procura explorar as relações entre as diversas variáveis e compreender quais os preditores de burnout e das duas medidas de bem-estar subjetivo. Os resultados mostraram que os participantes desta amostra apresentam uma situação favorável relativamente a alguns recursos do trabalho. No entanto, encontram-se expostos a um número considerável de outros riscos psicossociais, em particular, quanto às exigências emocionais, cujos efeitos para a saúde se encontram num nível crítico. Na sua generalidade, não foram encontrados problemas ao nível das dimensões de burnout. Verificou-se que estes profissionais utilizam mais estratégias de coping focadas no problema, observando-se apenas diferenças de género nas estratégias de planeamento e recurso à religião, ambas mais utilizadas pelos participantes do sexo feminino. Ao nível do bem-estar subjetivo, estes profissionais reportam estar satisfeitos com as suas vidas, apresentando igualmente um bem-estar experienciado positivo. No que respeita às diferenças entre os tipos de carreira profissional, verificou-se que os profissionais da carreira de investigação criminal apresentam mais exigências emocionais do que os da carreira de apoio e que os profissionais de apoio à investigação criminal revelam maior utilização de estratégias de planeamento. Quanto ao burnout e ao bem-estar subjetivo não foram encontradas diferenças. Observou-se ainda que os riscos psicossociais se associam a níveis mais elevados de burnout e a um bem-estar subjetivo mais reduzido e que os indicadores do seu efeito na saúde se associam a maior utilização de estratégias de coping por evitamento, contrariamente aos recursos do trabalho que se associam a uma menor utilização destas estratégias. Para além disso, verificou-se uma associação positiva entre o burnout e a utilização de estratégias de coping por evitamento e negativa entre o burnout e o bem-estar subjetivo, salientando-se um efeito maior ao nível do bem-estar experienciado, comparativamente à satisfação com a vida. O bem-estar experienciado apresentou também uma associação negativa com as estratégias de coping por evitamento. Relativamente à análise dos preditores das dimensões de burnout, as variáveis que parecem explicar melhor a fadiga física são o conflito trabalho-família, a previsibilidade e o significado do trabalho. Para a fadiga cognitiva são a previsibilidade, a negação e o conflito trabalho-família. Por fim, os que parecem explicar melhor a exaustão emocional são a comunidade social no trabalho e os comportamentos ofensivos. Quanto aos preditores de bem-estar subjetivo, a satisfação com a vida parece ser explicada pelo conflito trabalho-família e pelas possibilidades de desenvolvimento, enquanto o bem-estar experienciado é mais bem explicado pela fadiga física. Conclui-se que os participantes deste estudo apresentam problemas, maioritariamente, ao nível dos riscos psicossociais. Estudos futuros, com amostras maiores, devem continuar a avaliar estas medidas nos profissionais da Polícia Judiciária, por forma a encontrar resultados mais robustos.
Autores principais:Madeira, Mariana Amador Alliot
Assunto:Riscos psicossociais Burnout Coping Satisfação Bem-estar Polícia judiciária Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A profissão de polícia tem sido descrita como stressante, culminado em implicações substanciais para a saúde dos seus profissionais. Considerando as especificidades que apresenta, o presente estudo tem como objetivo avaliar a saúde e qualidade de vida dos profissionais da Polícia Judiciária (n=57), avaliando os riscos psicossociais a que se encontram expostos, a incidência de burnout, as estratégias de coping que utilizam e o bem-estar subjetivo, em termos de satisfação com a vida e de bem-estar experienciado. Propõe-se ainda a explorar as diferenças entre a carreira de investigação criminal (n=30) e a carreira de apoio à investigação criminal (n=27), relativamente às variáveis em estudo. Por último, procura explorar as relações entre as diversas variáveis e compreender quais os preditores de burnout e das duas medidas de bem-estar subjetivo. Os resultados mostraram que os participantes desta amostra apresentam uma situação favorável relativamente a alguns recursos do trabalho. No entanto, encontram-se expostos a um número considerável de outros riscos psicossociais, em particular, quanto às exigências emocionais, cujos efeitos para a saúde se encontram num nível crítico. Na sua generalidade, não foram encontrados problemas ao nível das dimensões de burnout. Verificou-se que estes profissionais utilizam mais estratégias de coping focadas no problema, observando-se apenas diferenças de género nas estratégias de planeamento e recurso à religião, ambas mais utilizadas pelos participantes do sexo feminino. Ao nível do bem-estar subjetivo, estes profissionais reportam estar satisfeitos com as suas vidas, apresentando igualmente um bem-estar experienciado positivo. No que respeita às diferenças entre os tipos de carreira profissional, verificou-se que os profissionais da carreira de investigação criminal apresentam mais exigências emocionais do que os da carreira de apoio e que os profissionais de apoio à investigação criminal revelam maior utilização de estratégias de planeamento. Quanto ao burnout e ao bem-estar subjetivo não foram encontradas diferenças. Observou-se ainda que os riscos psicossociais se associam a níveis mais elevados de burnout e a um bem-estar subjetivo mais reduzido e que os indicadores do seu efeito na saúde se associam a maior utilização de estratégias de coping por evitamento, contrariamente aos recursos do trabalho que se associam a uma menor utilização destas estratégias. Para além disso, verificou-se uma associação positiva entre o burnout e a utilização de estratégias de coping por evitamento e negativa entre o burnout e o bem-estar subjetivo, salientando-se um efeito maior ao nível do bem-estar experienciado, comparativamente à satisfação com a vida. O bem-estar experienciado apresentou também uma associação negativa com as estratégias de coping por evitamento. Relativamente à análise dos preditores das dimensões de burnout, as variáveis que parecem explicar melhor a fadiga física são o conflito trabalho-família, a previsibilidade e o significado do trabalho. Para a fadiga cognitiva são a previsibilidade, a negação e o conflito trabalho-família. Por fim, os que parecem explicar melhor a exaustão emocional são a comunidade social no trabalho e os comportamentos ofensivos. Quanto aos preditores de bem-estar subjetivo, a satisfação com a vida parece ser explicada pelo conflito trabalho-família e pelas possibilidades de desenvolvimento, enquanto o bem-estar experienciado é mais bem explicado pela fadiga física. Conclui-se que os participantes deste estudo apresentam problemas, maioritariamente, ao nível dos riscos psicossociais. Estudos futuros, com amostras maiores, devem continuar a avaliar estas medidas nos profissionais da Polícia Judiciária, por forma a encontrar resultados mais robustos.