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Enxaqueca na criança : reavaliação 24 anos após o diagnóstico inicial
| Summary: | Apesar da elevada prevalência e impacto socioeconómico da enxaqueca, o seu prognóstico a longo prazo ainda não foi claramente descrito. O presente estudo propõe-se a reavaliar um grupo de 66 crianças e adolescentes de uma coorte inicial de 84, diagnosticados com enxaqueca com e sem aura de acordo com os critérios ICHD- -II, no ano de 1994. Os dois principais objetivos são: compreender a história natural da enxaqueca e identificar fatores preditores de uma evolução clínica favorável ou desfavorável. Os dados foram colhidos através de uma entrevista telefónica padronizada. O diagnóstico foi feito com base na versão portuguesa de ID-MigraineTM. A análise descritiva e estatística foi realizada recorrendo à ferramenta IBM Statistics 24, ao “chi-test” e ao “Fisher-test”. O seguimento foi conseguido em 41 dos 66 doentes. No ano de 2018, 39% manteve o diagnóstico, 36,6% remitiu por completo e 24,4% sofreu uma alteração do diagnóstico. 73% dos doentes com enxaqueca referiu uma melhoria. Os métodos mais utilizados foram a analgesia não prescrita e a evitação de fatores precipitantes. A maioria das mulheres deste grupo refere uma associação entre as crises de enxaqueca e o período menstrual, gravidez e amamentação. De todos os parâmetros estudados, apenas a história familiar e o sexo feminino foram preditores de uma evolução clínica desfavorável, apesar de nenhum apresentar significância estatística: p=0.049 e p=0.067, respetivamente. Cerca de 24 anos após o diagnóstico inicial, apesar de uma tendência para a enxaqueca melhorar, a maioria dos doentes continua a sofrer de cefaleias na idade adulta. O tratamento de eleição observado sugere que a melhor abordagem a longo prazo é educar a criança desde cedo, encorajando-a a evitar os seus fatores precipitantes. A utilização regular de profilaxia não alterou a evolução das queixas. Parece existir um papel importante dos fatores genéticos e hormonais na fisiopatologia desta entidade. |
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| Main Authors: | Lopes, Carlota Ferreirinha Rodrigues |
| Subject: | Enxaqueca Evolução clínica Fatores de prognóstico Pediatria |
| Year: | 2019 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | restricted access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | Apesar da elevada prevalência e impacto socioeconómico da enxaqueca, o seu prognóstico a longo prazo ainda não foi claramente descrito. O presente estudo propõe-se a reavaliar um grupo de 66 crianças e adolescentes de uma coorte inicial de 84, diagnosticados com enxaqueca com e sem aura de acordo com os critérios ICHD- -II, no ano de 1994. Os dois principais objetivos são: compreender a história natural da enxaqueca e identificar fatores preditores de uma evolução clínica favorável ou desfavorável. Os dados foram colhidos através de uma entrevista telefónica padronizada. O diagnóstico foi feito com base na versão portuguesa de ID-MigraineTM. A análise descritiva e estatística foi realizada recorrendo à ferramenta IBM Statistics 24, ao “chi-test” e ao “Fisher-test”. O seguimento foi conseguido em 41 dos 66 doentes. No ano de 2018, 39% manteve o diagnóstico, 36,6% remitiu por completo e 24,4% sofreu uma alteração do diagnóstico. 73% dos doentes com enxaqueca referiu uma melhoria. Os métodos mais utilizados foram a analgesia não prescrita e a evitação de fatores precipitantes. A maioria das mulheres deste grupo refere uma associação entre as crises de enxaqueca e o período menstrual, gravidez e amamentação. De todos os parâmetros estudados, apenas a história familiar e o sexo feminino foram preditores de uma evolução clínica desfavorável, apesar de nenhum apresentar significância estatística: p=0.049 e p=0.067, respetivamente. Cerca de 24 anos após o diagnóstico inicial, apesar de uma tendência para a enxaqueca melhorar, a maioria dos doentes continua a sofrer de cefaleias na idade adulta. O tratamento de eleição observado sugere que a melhor abordagem a longo prazo é educar a criança desde cedo, encorajando-a a evitar os seus fatores precipitantes. A utilização regular de profilaxia não alterou a evolução das queixas. Parece existir um papel importante dos fatores genéticos e hormonais na fisiopatologia desta entidade. |
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