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Participar para ver: as interacções sociais nas aulas de Ciências da Natureza como uma prática inclusiva de alunos cegos no 2º Ciclo do Ensino Básico
| Resumo: | No decorrer do século XX, nas sociedades ditas ocidentais, a educação de alunos em condição de necessidades educativas especiais sofreu profundas alterações e, com a Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), a educação inclusiva passa a inscrever-se nos discursos educativos. A partir daqui, tem havido um esforço considerável em muitos países para que as políticas e as práticas educativas se tornem mais inclusivas (Ainscow & César; Freire & César, 2002). Neste sentido, torna-se essencial a construção de cenários educativos mais inclusivos, que acolham a diferença como uma riqueza que é património de todos (César, 2003), cabendo a Escola respeitar a diversidade dos alunos que a frequentam e permitir que todos se apropriem de uma cultura científica. A promoção do trabalho colaborativo em cenários de educação formal, assente nas interacções sociais, nomeadamente no caso dos alunos cegos, poderá permitir o desenvolvimento das competências sócio-cognitivas e emocionais dos alunos. Esta investigação consiste num estudo de caso intrínseco (Stake, 1995/2007) , de natureza interpretativa (Denzin & Lincoln, 1994) referente a uma turma do 5º ano de escolaridade, frequentada por uma aluna cega. Neste estudo também participam a professora de ciências da natureza e a professora do apoio educativo. Os dados foram recolhidos através da observação participante (registos no diário de borda da investigadora bem como em registos áudio e fotográficos), entrevistas às professoras e à aluna cega, questionários e recolha documental. Pretende-se analisar e compreender como se pode contribuir para a inclusão da aluna cega, através de experiências de aprendizagem associadas ao trabalho colaborativo. Os resultados apresentam um conjunto de categorias que procuram caracterizar as interacções sociais que surgiram, no decorrer das actividades, no grupo em que participava a aluna cega. A realização das tarefas investigativas, associadas ao trabalho colaborativo, constitui uma ferramenta importante na apropriação de conhecimentos bem como na mobilização/desenvolvimento de competências nos alunos. Contribuiu, ainda, para a promoção da inclusão de todos os alunos, nomeadamente da aluna cega. Deste modo, a análise das interacções sociais evidencia as potencialidades desta forma de trabalho na promoção de cenários de educação formal mais inclusivos. |
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| Autores principais: | Ferreira, Tânia Isabel Campanacho Ferreira |
| Assunto: | Inclusão Cegos Trabalho colaborativo Interacções sociais Teses de mestrado - 2009 |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | No decorrer do século XX, nas sociedades ditas ocidentais, a educação de alunos em condição de necessidades educativas especiais sofreu profundas alterações e, com a Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), a educação inclusiva passa a inscrever-se nos discursos educativos. A partir daqui, tem havido um esforço considerável em muitos países para que as políticas e as práticas educativas se tornem mais inclusivas (Ainscow & César; Freire & César, 2002). Neste sentido, torna-se essencial a construção de cenários educativos mais inclusivos, que acolham a diferença como uma riqueza que é património de todos (César, 2003), cabendo a Escola respeitar a diversidade dos alunos que a frequentam e permitir que todos se apropriem de uma cultura científica. A promoção do trabalho colaborativo em cenários de educação formal, assente nas interacções sociais, nomeadamente no caso dos alunos cegos, poderá permitir o desenvolvimento das competências sócio-cognitivas e emocionais dos alunos. Esta investigação consiste num estudo de caso intrínseco (Stake, 1995/2007) , de natureza interpretativa (Denzin & Lincoln, 1994) referente a uma turma do 5º ano de escolaridade, frequentada por uma aluna cega. Neste estudo também participam a professora de ciências da natureza e a professora do apoio educativo. Os dados foram recolhidos através da observação participante (registos no diário de borda da investigadora bem como em registos áudio e fotográficos), entrevistas às professoras e à aluna cega, questionários e recolha documental. Pretende-se analisar e compreender como se pode contribuir para a inclusão da aluna cega, através de experiências de aprendizagem associadas ao trabalho colaborativo. Os resultados apresentam um conjunto de categorias que procuram caracterizar as interacções sociais que surgiram, no decorrer das actividades, no grupo em que participava a aluna cega. A realização das tarefas investigativas, associadas ao trabalho colaborativo, constitui uma ferramenta importante na apropriação de conhecimentos bem como na mobilização/desenvolvimento de competências nos alunos. Contribuiu, ainda, para a promoção da inclusão de todos os alunos, nomeadamente da aluna cega. Deste modo, a análise das interacções sociais evidencia as potencialidades desta forma de trabalho na promoção de cenários de educação formal mais inclusivos. |
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