Publicação

Tratamento e prognóstico do hipertiroidismo felino

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O hipertiroidismo felino é uma doença endócrina que afeta felinos geriátricos e que afeta diversos aparelhos e sistemas, dando origem a uma panóplia de sinais clínicos e laboratoriais. Neste trabalho foram recolhidos dados restrospetivos e prospetivos de 100 gatos diagnósticados com hipertiroidismo felino na clínica Medivet Greenwich. Este estudo teve como objetivo analisar: i) a prevalência da idade de diagnóstico, do sexo e da raça dos gatos; ii) a frequência de demonstração de sinais clínicos e laboratoriais compatíveis com hipertiroidismo; iii) o tipo de tratamento utilizado; iv) uma possível associação entre o ganho de peso após o tratamento e a concentração de T4 total; v) a curva de sobrevivência tendo em conta a idade ao diagnóstico, o sexo do animal, a presença ou ausência de DRC, assim como a presença de azotémia pré e pós tratamento. No que diz respeito à identificação do animal a média de idades da amostra foi de 13,92 anos e não houve predisposição de género. No entanto a raça em que a doença era mais prevalente em animais sem raça definida de pelo curto (85%). Na anamnese a perda de peso foi o sinal encontrado mais frequentemente. A poliúria e polidipsia foram identificados em cerca de 41,41% dos gatos. No exame físico, a tiróide palpável, os sinais digestivos, os sinais comportamentais e os sinais cardíacos foram encontrados menos frequentemente do que se esperava. A elevação da ALT estava de acordo com os resultados obtidos por outros estudos, enquanto aquela da FAS foi encontrada em menor número de animais. A frequência de animais azotémicos antes do tratamento foi ligeiramente superior à da literatura, e após tratamento estava de acordo ao que se esperava. As opções terapêuticas usadas foram farmacológicas (Vidalta®, Felimazole® e metimazol transdérmico), cirúrgicas (tiróidectomia unilateral e bilateral) e dietética (dieta com restrição de iodo – YD Hill’s®). Comparando as diferentes medicações o Vidalta® foi o tratamento mais utilizado (62%), mas também com maior número de efeitos adversos (8%). O metimazol transdérmico o menos usado (7%), talvez por ser um medicamento humano e como tal apenas ser utilizado como último recurso em caso dos outros medicamentos apresentarem efeitos adversos. A tiróidectomia, única terapêutica curativa, foi apenas escolhida por 4% dos proprietários. A maior parte destes apenas recorria a cirurgia se ocorressem efeitos adversos da medicação, não conseguissem dar os comprimidos ou o hipertiroidismo não estivesse controlado com outro tipo de tratamento. O tratamento dietético, apesar de não ser curativo, parece ser o tratamento mais seguro. Este último foi o tratamento mais barato a curto-prazo, sendo a tiróidectomia o mais barato a longo-prazo. Foi estabelecida uma correlação entre a TT4 e a perda ou ganho de peso. O tempo de sobrevivência dos animais era significativamente afectado pela idade, sexo e presença de DRC concomitante. Uma limitação foi o número reduzido de animais em certos tipos de tratamento.
Autores principais:Nascimento, Daniela Fernandes Ramalho Costa
Assunto:Hipertiroidismo felino idade sexo raça tipo de tratamento prognóstico Feline hyperthyroidism age gender breed type of treatment prognosis
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O hipertiroidismo felino é uma doença endócrina que afeta felinos geriátricos e que afeta diversos aparelhos e sistemas, dando origem a uma panóplia de sinais clínicos e laboratoriais. Neste trabalho foram recolhidos dados restrospetivos e prospetivos de 100 gatos diagnósticados com hipertiroidismo felino na clínica Medivet Greenwich. Este estudo teve como objetivo analisar: i) a prevalência da idade de diagnóstico, do sexo e da raça dos gatos; ii) a frequência de demonstração de sinais clínicos e laboratoriais compatíveis com hipertiroidismo; iii) o tipo de tratamento utilizado; iv) uma possível associação entre o ganho de peso após o tratamento e a concentração de T4 total; v) a curva de sobrevivência tendo em conta a idade ao diagnóstico, o sexo do animal, a presença ou ausência de DRC, assim como a presença de azotémia pré e pós tratamento. No que diz respeito à identificação do animal a média de idades da amostra foi de 13,92 anos e não houve predisposição de género. No entanto a raça em que a doença era mais prevalente em animais sem raça definida de pelo curto (85%). Na anamnese a perda de peso foi o sinal encontrado mais frequentemente. A poliúria e polidipsia foram identificados em cerca de 41,41% dos gatos. No exame físico, a tiróide palpável, os sinais digestivos, os sinais comportamentais e os sinais cardíacos foram encontrados menos frequentemente do que se esperava. A elevação da ALT estava de acordo com os resultados obtidos por outros estudos, enquanto aquela da FAS foi encontrada em menor número de animais. A frequência de animais azotémicos antes do tratamento foi ligeiramente superior à da literatura, e após tratamento estava de acordo ao que se esperava. As opções terapêuticas usadas foram farmacológicas (Vidalta®, Felimazole® e metimazol transdérmico), cirúrgicas (tiróidectomia unilateral e bilateral) e dietética (dieta com restrição de iodo – YD Hill’s®). Comparando as diferentes medicações o Vidalta® foi o tratamento mais utilizado (62%), mas também com maior número de efeitos adversos (8%). O metimazol transdérmico o menos usado (7%), talvez por ser um medicamento humano e como tal apenas ser utilizado como último recurso em caso dos outros medicamentos apresentarem efeitos adversos. A tiróidectomia, única terapêutica curativa, foi apenas escolhida por 4% dos proprietários. A maior parte destes apenas recorria a cirurgia se ocorressem efeitos adversos da medicação, não conseguissem dar os comprimidos ou o hipertiroidismo não estivesse controlado com outro tipo de tratamento. O tratamento dietético, apesar de não ser curativo, parece ser o tratamento mais seguro. Este último foi o tratamento mais barato a curto-prazo, sendo a tiróidectomia o mais barato a longo-prazo. Foi estabelecida uma correlação entre a TT4 e a perda ou ganho de peso. O tempo de sobrevivência dos animais era significativamente afectado pela idade, sexo e presença de DRC concomitante. Uma limitação foi o número reduzido de animais em certos tipos de tratamento.