Publicação
Patologia borderline : representações relacionais e vulnerabilidades do self
| Resumo: | Reconhecendo a patologia borderline como um quadro clínico actual, complexo e exigente, procurou-se caracterizar a sua especificidade e heterogeneidade, numa conceptualização psicodinâmica, articulada com estudos empíricos e dimensões psicoterapêuticas. O objectivo central deste estudo foi compreender, no funcionamento borderline, a relação específica entre a qualidade das representações relacionais (Westen et al., 1990) e uma dupla vulnerabilidade do Self à angústia (Green, 1990), derivada das ameaças de intrusão e de abandono suscitadas na regulação da proximidade relacional (Dagnan et al., 2002). Foram realizados três estudos empíricos com objectivos complementares. O Estudo 1, psicométrico (N=156), permitiu a criação de uma escala de avaliação de angústias dominantes e a adaptação de três instrumentos de medida. Foram obtidos bons resultados de consistência interna e validade, e as estruturas factoriais apoiaram as teóricas subjacentes. O Estudo 2, quantitativo (N=116), visou a comparação de três grupos: borderline, depressão e não-clínico. Os resultados traduziram um maior sofrimento psicológico, maior severidade sintomatológica, mais comportamentos disruptivos e níveis de angústia mais intensos, no grupo borderline. Estes pacientes revelaram um Self mais vulnerável às ameaças de intrusão e de abandono, e um mundo de representações relacionais comprometidas por maior uso da clivagem, com menos aspectos positivos. O Estudo 3, qualitativo (N=130), permitiu conhecer as representações relacionais precoces. No grupo borderline, as representações relacionais incluíam aspectos mais graves de violência física e psicológica e menos aspectos de segurança e calor emocional. As representações do Self envolvidas nesses episódios relacionais incluíam mais frequentemente aspectos de vulnerabilidade à intrusão. As implicações clínicas e aspectos psicoterapêuticos foram apontados comoobjectivo principal em futuras investigações. |
|---|---|
| Autores principais: | Silva, Ana Sofia de Medina, 1978- |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Reconhecendo a patologia borderline como um quadro clínico actual, complexo e exigente, procurou-se caracterizar a sua especificidade e heterogeneidade, numa conceptualização psicodinâmica, articulada com estudos empíricos e dimensões psicoterapêuticas. O objectivo central deste estudo foi compreender, no funcionamento borderline, a relação específica entre a qualidade das representações relacionais (Westen et al., 1990) e uma dupla vulnerabilidade do Self à angústia (Green, 1990), derivada das ameaças de intrusão e de abandono suscitadas na regulação da proximidade relacional (Dagnan et al., 2002). Foram realizados três estudos empíricos com objectivos complementares. O Estudo 1, psicométrico (N=156), permitiu a criação de uma escala de avaliação de angústias dominantes e a adaptação de três instrumentos de medida. Foram obtidos bons resultados de consistência interna e validade, e as estruturas factoriais apoiaram as teóricas subjacentes. O Estudo 2, quantitativo (N=116), visou a comparação de três grupos: borderline, depressão e não-clínico. Os resultados traduziram um maior sofrimento psicológico, maior severidade sintomatológica, mais comportamentos disruptivos e níveis de angústia mais intensos, no grupo borderline. Estes pacientes revelaram um Self mais vulnerável às ameaças de intrusão e de abandono, e um mundo de representações relacionais comprometidas por maior uso da clivagem, com menos aspectos positivos. O Estudo 3, qualitativo (N=130), permitiu conhecer as representações relacionais precoces. No grupo borderline, as representações relacionais incluíam aspectos mais graves de violência física e psicológica e menos aspectos de segurança e calor emocional. As representações do Self envolvidas nesses episódios relacionais incluíam mais frequentemente aspectos de vulnerabilidade à intrusão. As implicações clínicas e aspectos psicoterapêuticos foram apontados comoobjectivo principal em futuras investigações. |
|---|