Publicação
Dinâmica espacial e temporal do ravinamento na margem esquerda da bacia do Baixo Tejo : formas, processos e factores
| Resumo: | O presente trabalho teve por objectivo geral contribuir para o conhecimento da erosão do solo por ravinamento e estruturou-se em três partes. A primeira consistiu numa revisão da literatura publicada, cujos resultados evidenciam o ravinamento como produto da combinação entre a acção do escoamento e a ocorrência de movimentos de massa ao longo do tempo, em contraste com a abordagem baseada em processos hídricos que tem vigorado. O enquadramento conceptual resultante forneceu sustentação teórica ao restante da investigação. Na segunda parte construiu-se uma perspectiva de conjunto sobre a incidência do fenómeno numa área de estudo abrangendo 2912 km2 da margem esquerda da bacia do baixo Tejo. Fotointerpretação e validação de campo permitiram diferenciar oito grandes padrões de ravinamento e estabelecer um contraste claro entre os sectores N e S da área de estudo, respectivamente associados a sistemas de ravinas de dimensões decamétricas a hectométricas em rede e em complexo, e a formas relativamente incipientes de carácter linear. Salientou-se também a relevância das formas associadas a elementos antrópicos. Na terceira parte do trabalho analisou-se em pormenor um dos grandes padrões referidos. Assumindo como área de estudo as bacias das ribeiras de Ulme e do Vale do Casal Velho (área total 151,3 km2), investigou-se a morfologia geral e a localização de um conjunto de 90 complexos de ravinas, bem como os respectivos factores de controlo. Centrou-se depois a análise num sub-conjunto de 30 formas, relacionando-se quantitativamente morfologia, processos evolutivos e potenciais factores, e investigando-se a evolução entre 1970 e 2006. Os resultados indicam o entalhe fluvial como o mais plausível factor de iniciação, mostrando controlos por parte da topografia antecedente sobre os pontos de iniciação das formas, e do escoamento proveniente de montante sobre o seu desenvolvimento. Estabeleceu-se uma sequência evolutiva geral em termos morfológicos e mostrou-se que as formas continuam em expansão, com a dinâmica actual assente em colapsos nas paredes e cabeceiras. Os resultados sugerem um importante controlo por parte dos movimentos de massa no desenvolvimento e diversificação morfológica dos complexos de ravinas, sublinhando o papel desempenhado pela dinâmica nas cabeceiras. |
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| Autores principais: | Bergonse, Rafaello |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2014 |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O presente trabalho teve por objectivo geral contribuir para o conhecimento da erosão do solo por ravinamento e estruturou-se em três partes. A primeira consistiu numa revisão da literatura publicada, cujos resultados evidenciam o ravinamento como produto da combinação entre a acção do escoamento e a ocorrência de movimentos de massa ao longo do tempo, em contraste com a abordagem baseada em processos hídricos que tem vigorado. O enquadramento conceptual resultante forneceu sustentação teórica ao restante da investigação. Na segunda parte construiu-se uma perspectiva de conjunto sobre a incidência do fenómeno numa área de estudo abrangendo 2912 km2 da margem esquerda da bacia do baixo Tejo. Fotointerpretação e validação de campo permitiram diferenciar oito grandes padrões de ravinamento e estabelecer um contraste claro entre os sectores N e S da área de estudo, respectivamente associados a sistemas de ravinas de dimensões decamétricas a hectométricas em rede e em complexo, e a formas relativamente incipientes de carácter linear. Salientou-se também a relevância das formas associadas a elementos antrópicos. Na terceira parte do trabalho analisou-se em pormenor um dos grandes padrões referidos. Assumindo como área de estudo as bacias das ribeiras de Ulme e do Vale do Casal Velho (área total 151,3 km2), investigou-se a morfologia geral e a localização de um conjunto de 90 complexos de ravinas, bem como os respectivos factores de controlo. Centrou-se depois a análise num sub-conjunto de 30 formas, relacionando-se quantitativamente morfologia, processos evolutivos e potenciais factores, e investigando-se a evolução entre 1970 e 2006. Os resultados indicam o entalhe fluvial como o mais plausível factor de iniciação, mostrando controlos por parte da topografia antecedente sobre os pontos de iniciação das formas, e do escoamento proveniente de montante sobre o seu desenvolvimento. Estabeleceu-se uma sequência evolutiva geral em termos morfológicos e mostrou-se que as formas continuam em expansão, com a dinâmica actual assente em colapsos nas paredes e cabeceiras. Os resultados sugerem um importante controlo por parte dos movimentos de massa no desenvolvimento e diversificação morfológica dos complexos de ravinas, sublinhando o papel desempenhado pela dinâmica nas cabeceiras. |
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