Publicação

Questões éticas na cirurgia da surdez

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Desde que, no século passado, os primeiros implantes cocleares foram colocados, começaram a levantar-se algumas questões éticas relativamente à sua utilização. Este artigo revê a literatura em relação a estas questões com o objetivo de perceber quais são, atualmente, os critérios éticos que devem reger a melhores práticas no que toca à cirurgia da surdez. Para levar a cabo este objetivo analisei aquelas que me pareceram as quatro principais questões éticas que se levantam neste contexto, nomeadamente a questão da eficácia do implante coclear, a questão monetária que subjaz a esta dispendiosa cirurgia, a questão sociocultural, que apõe visões diferentes da surdez e por fim a questão do consentimento informado, tão importante quando sabemos que uma grande parte dos utilizadores desta cirurgia serão crianças. Este estudo começa por estabelecer a elevada eficácia do implante coclear na melhoria das funções cognitivas e qualidade de vida no geral para passar a mostrar que o rádio custo-eficácia justifica sua utilização unilateral precoce, por questões de justiça distributiva em contexto de recursos limitados. Conclui-se sobre a necessidade de aprendizagem de língua gestual posterior à cirurgia. Mostra-se também a necessidade de um equilíbrio de uma visão médica com a visão da comunidade surda no consentimento informado para seja garantida uma escolha livre. Se de um ponto de vista tecnológico a cirurgia da surdez está sobejamente justificada, cada vez se torna mais importante o papel do médico, não só na questão técnica mas sobretudo na questão da decisão, da alocação dos recursos e do correto e imparcial aconselhamento e esclarecimento dos doentes.
Autores principais:Santos, Vasco Maria Costa Alemão Medeiros dos
Assunto:Ética Surdez Implantes cocleares Comunidade surda Otorrinolaringologia
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Desde que, no século passado, os primeiros implantes cocleares foram colocados, começaram a levantar-se algumas questões éticas relativamente à sua utilização. Este artigo revê a literatura em relação a estas questões com o objetivo de perceber quais são, atualmente, os critérios éticos que devem reger a melhores práticas no que toca à cirurgia da surdez. Para levar a cabo este objetivo analisei aquelas que me pareceram as quatro principais questões éticas que se levantam neste contexto, nomeadamente a questão da eficácia do implante coclear, a questão monetária que subjaz a esta dispendiosa cirurgia, a questão sociocultural, que apõe visões diferentes da surdez e por fim a questão do consentimento informado, tão importante quando sabemos que uma grande parte dos utilizadores desta cirurgia serão crianças. Este estudo começa por estabelecer a elevada eficácia do implante coclear na melhoria das funções cognitivas e qualidade de vida no geral para passar a mostrar que o rádio custo-eficácia justifica sua utilização unilateral precoce, por questões de justiça distributiva em contexto de recursos limitados. Conclui-se sobre a necessidade de aprendizagem de língua gestual posterior à cirurgia. Mostra-se também a necessidade de um equilíbrio de uma visão médica com a visão da comunidade surda no consentimento informado para seja garantida uma escolha livre. Se de um ponto de vista tecnológico a cirurgia da surdez está sobejamente justificada, cada vez se torna mais importante o papel do médico, não só na questão técnica mas sobretudo na questão da decisão, da alocação dos recursos e do correto e imparcial aconselhamento e esclarecimento dos doentes.