Publicação
A governação clínica nos cuidados de saúde primários em Portugal : estratégias e resultados
| Resumo: | O conceito de governação clínica nasceu em resposta a uma crescente burocratização e a um domínio progressivo de «assuntos financeiros» que o National Health Service (NHS), sistema de saúde nacional de saúde britânico, e os seus profissionais de saúde vinham a assistir em finais do século XX, como uma iniciativa para garantir e aumentar os padrões de qualidade dos cuidados de saúde a nível local, por todo o sistema nacional de saúde. A implementação da governação clínica nos Cuidados de Saúde Primários (CSP) portugueses deu-se, principalmente, no contexto de uma reforma iniciada em 2005, que ambicionou desenvolver uma nova cultura de trabalho, com uma gestão mais próxima e com a promoção da governação clínica, de forma a contrariar práticas anacrónicas, excessivamente centralizadoras e burocráticas da administração pública. Esta reforma – consubstanciada pela constituição das Unidades de Saúde Familiar (USF) que têm atingido ótimos resultados em diversos indicadores de qualidade de desempenho, associação de Centros de Saúde em Agrupamentos de Centros de Saúde e criação de outras Unidades Funcionais (UF), introdução de um novo modelo de gestão e instituição da governação clínica, reorganização dos serviços de suporte e informatização completa dos serviços – é considerada uma das mais bem‑sucedidas reformas de serviços públicos das últimas décadas, resultando numa melhoria efetiva do sistema de saúde português. Também o estado de saúde da população portuguesa melhorou consideravelmente ao longo da última década, graças aos CSP e à introdução de melhorias na reforma, revelam diversos estudos. Portugal tem agora CSP que são alvo da atenção internacional pela sua singularidade. Porém, alguns desafios permanecem, sobretudo em relação a uma disparidade verificada em indicadores de qualidade entre o desempenho de umas UF e das novas USF. A esperança reside, então, na vontade existente dos profissionais de saúde, principais atores desta mudança, para que se continue com a evolução. |
|---|---|
| Autores principais: | Jesus, José Miguel Filipe de |
| Assunto: | Governação clínica Cuidados de saúde primários Unidade de saúde familiar Centro de saúde Portugal |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O conceito de governação clínica nasceu em resposta a uma crescente burocratização e a um domínio progressivo de «assuntos financeiros» que o National Health Service (NHS), sistema de saúde nacional de saúde britânico, e os seus profissionais de saúde vinham a assistir em finais do século XX, como uma iniciativa para garantir e aumentar os padrões de qualidade dos cuidados de saúde a nível local, por todo o sistema nacional de saúde. A implementação da governação clínica nos Cuidados de Saúde Primários (CSP) portugueses deu-se, principalmente, no contexto de uma reforma iniciada em 2005, que ambicionou desenvolver uma nova cultura de trabalho, com uma gestão mais próxima e com a promoção da governação clínica, de forma a contrariar práticas anacrónicas, excessivamente centralizadoras e burocráticas da administração pública. Esta reforma – consubstanciada pela constituição das Unidades de Saúde Familiar (USF) que têm atingido ótimos resultados em diversos indicadores de qualidade de desempenho, associação de Centros de Saúde em Agrupamentos de Centros de Saúde e criação de outras Unidades Funcionais (UF), introdução de um novo modelo de gestão e instituição da governação clínica, reorganização dos serviços de suporte e informatização completa dos serviços – é considerada uma das mais bem‑sucedidas reformas de serviços públicos das últimas décadas, resultando numa melhoria efetiva do sistema de saúde português. Também o estado de saúde da população portuguesa melhorou consideravelmente ao longo da última década, graças aos CSP e à introdução de melhorias na reforma, revelam diversos estudos. Portugal tem agora CSP que são alvo da atenção internacional pela sua singularidade. Porém, alguns desafios permanecem, sobretudo em relação a uma disparidade verificada em indicadores de qualidade entre o desempenho de umas UF e das novas USF. A esperança reside, então, na vontade existente dos profissionais de saúde, principais atores desta mudança, para que se continue com a evolução. |
|---|