Publicação
A estrutura prósodica e a emergência de segmentos em coda no PE: um estudo de caso
| Resumo: | Com esta investigação pretende-se investigar qual o papel que a estrutura prosódica desempenha na aquisição das codas no Português Europeu. Com base num diário linguístico contendo produções de uma criança, falante nativa do PE, entre 1;05 e 3;03, procedeu-se a uma análise longitudinal dos enunciados produzidos pela criança, dividindo o total dos enunciados com coda por: codas que não foram realizadas, em que a criança recorreu a estratégias de reconstrução e codas que foram realizadas. Esta análise incidiu sobre: (i) tipo de segmento envolvido (apenas se consideraram os segmentos que reúnem consenso, ma literatura sobre o português europeu, quanto ao seu estatuto de coda, isto é, fricativa e líquidas); (ii) acento e proeminência ao nível de palavra prosódica (PW), sintagma fonológico (PhP) e sintagma entoacional (IP); (iii) posição da sílaba relativamente a PW, PhP e IP. Paralelamente, analisou-se o léxico, considerando a frequência das palavras e o momento de entrada das palavras no léxico da criança. Os resultados mostraram que: (i) as estratégias de reconstrução (RS) ocorrem mais com líquidas do que com fricativas; (ii) as fricativas ocorrem mais nas codas realizadas; (iii) o acento/proeminência não tem influência nas codas realizadas, mas tem influência nas estratégias de reconstrução que ocorrem quando a coda, independentemente do tipo de segmento, se encontra em posição acentuada e proeminente de IP; (iv) esta não influência do acento nas codas realizadas, bem como as diferenças na predominância do segmento em coda entre RS e codas realizadas, devem-se mais à distribuição dos segmentos, nos enunciados alvo (reflectindo a sua própria distribuição da língua no discurso do adulto mais fricativas átonas, mais líquidas acentuadas), do que ao modo como a criança lida com o segmento em coda; (v) a posição final de IP propicia, claramente, tanto as estratégias de reconstrução como a realização da coda; (vi) verifica-se um efeito positivo da frequência das palavras e do momento de entrada das palavras no léxico da criança, especialmente no que respeita a RS, embora se tenha analisado uma amostra reduzida do léxico. Os resultados obtidos apontam, assim, para a relevância da estrutura prosódica, nomeadamente ao nível dos constituintes superiores à sílaba, para a aquisição dos segmentos em coda, assumindo um papel de destaque o sintagma entoacional. A influência da estrutura prosódica na aquisição da coda silábica foi comprovada estatisticamente. Na linha da precoce aquisição da prosódia, contribui-se com novos dados para o entendimento da estrutura prosódica como elemento estruturador no processo de aquisição, e contribui-se, com novos resultados, para o debate sobre a aquisição da estrutura silábica, no português europeu, e para o debate sobre o papel da frequência na aquisição e desenvolvimento da língua. |
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| Autores principais: | Jordão, Raquel Maria Santiago Nogueira |
| Assunto: | Língua portuguesa Prosódia (Linguística) Sílabas Fonética Teses de mestrado - 2010 |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Com esta investigação pretende-se investigar qual o papel que a estrutura prosódica desempenha na aquisição das codas no Português Europeu. Com base num diário linguístico contendo produções de uma criança, falante nativa do PE, entre 1;05 e 3;03, procedeu-se a uma análise longitudinal dos enunciados produzidos pela criança, dividindo o total dos enunciados com coda por: codas que não foram realizadas, em que a criança recorreu a estratégias de reconstrução e codas que foram realizadas. Esta análise incidiu sobre: (i) tipo de segmento envolvido (apenas se consideraram os segmentos que reúnem consenso, ma literatura sobre o português europeu, quanto ao seu estatuto de coda, isto é, fricativa e líquidas); (ii) acento e proeminência ao nível de palavra prosódica (PW), sintagma fonológico (PhP) e sintagma entoacional (IP); (iii) posição da sílaba relativamente a PW, PhP e IP. Paralelamente, analisou-se o léxico, considerando a frequência das palavras e o momento de entrada das palavras no léxico da criança. Os resultados mostraram que: (i) as estratégias de reconstrução (RS) ocorrem mais com líquidas do que com fricativas; (ii) as fricativas ocorrem mais nas codas realizadas; (iii) o acento/proeminência não tem influência nas codas realizadas, mas tem influência nas estratégias de reconstrução que ocorrem quando a coda, independentemente do tipo de segmento, se encontra em posição acentuada e proeminente de IP; (iv) esta não influência do acento nas codas realizadas, bem como as diferenças na predominância do segmento em coda entre RS e codas realizadas, devem-se mais à distribuição dos segmentos, nos enunciados alvo (reflectindo a sua própria distribuição da língua no discurso do adulto mais fricativas átonas, mais líquidas acentuadas), do que ao modo como a criança lida com o segmento em coda; (v) a posição final de IP propicia, claramente, tanto as estratégias de reconstrução como a realização da coda; (vi) verifica-se um efeito positivo da frequência das palavras e do momento de entrada das palavras no léxico da criança, especialmente no que respeita a RS, embora se tenha analisado uma amostra reduzida do léxico. Os resultados obtidos apontam, assim, para a relevância da estrutura prosódica, nomeadamente ao nível dos constituintes superiores à sílaba, para a aquisição dos segmentos em coda, assumindo um papel de destaque o sintagma entoacional. A influência da estrutura prosódica na aquisição da coda silábica foi comprovada estatisticamente. Na linha da precoce aquisição da prosódia, contribui-se com novos dados para o entendimento da estrutura prosódica como elemento estruturador no processo de aquisição, e contribui-se, com novos resultados, para o debate sobre a aquisição da estrutura silábica, no português europeu, e para o debate sobre o papel da frequência na aquisição e desenvolvimento da língua. |
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