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Papel do H2O2 na resistência adquirida ao cancro: alterações na organização das biomembranas

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Resumo:A membrana plasmática é uma barreira que controla a entrada e a saída de compostos na célula, ao separar o interior desta do meio extracelular. Este trabalho teve como objectivo elucidar o papel do peróxido de hidrogénio (H2O2), uma molécula sinalizadora, na alteração das jangadas lipídicas e domínios caveolae da membrana plasmática e estabelecer a possível resistência de células tumorais (HeLa) adaptadas ao H2O2, aos fármacos anti-cancro cis-diamminedicloroplatina (II) (cisplatina) e doxorrubicina. As células HeLa quando expostas a um estado estacionário de 12,5 μM de H2O2 durante 6 h adaptam-se ao H2O2, apresentando um aumento de sobrevivência quando expostas a doses letais deste agente. Durante a exposição ao H2O2 ocorreu um aumento da peroxidação lipídica da membrana, mas este aumento não comprometeu a viabilidade celular. A marcação de células HeLa com a subunidade B da toxina da cólera, a qual detecta a presença de jangadas lipídicas, mostrou uma diminuição de intensidade aos 30 min e uma ligeira acumulação de proteína aos 360 min de exposição a 12,5 μM de H2O2. Estudos usando imunofluorescência sugerem um aumento dos níveis de caveolina-1 para tempos curtos de exposição ao H2O2 em estado estacionário, facto comprovado por Western blot. Resultados preliminares usando Western blot e a análise por imunofluorescência sugerem que a pré-exposição ao H2O2 aumenta os níveis de caveolina-1 fosforilada. Estudos de sobrevivência indicam que células HeLa adaptadas ao H2O2 se tornaram mais resistentes a uma exposição a doses letais de cisplatina mas menos resistentes aquando da exposição à doxorrubicina. Estes resultados mostram, numa linha celular humana, que concentrações baixas e adaptativas de H2O2 alteram rapidamente, em poucos minutos a organização da membrana plasmática. A adaptação ao H2O2 influencia a resistência das células à utilização dos fármacos cisplatina e doxorrubicina, o que poderá ter importância na terapia anti-cancro, no desenho de terapias adjuvantes.
Autores principais:Grácio, Daniela Oliveira
Assunto:Peróxido de hidrogénio Jangadas lipídicas Caveolae Adaptação Resistência Cisplatona Doxorubicina Teses de mestrado - 2011
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A membrana plasmática é uma barreira que controla a entrada e a saída de compostos na célula, ao separar o interior desta do meio extracelular. Este trabalho teve como objectivo elucidar o papel do peróxido de hidrogénio (H2O2), uma molécula sinalizadora, na alteração das jangadas lipídicas e domínios caveolae da membrana plasmática e estabelecer a possível resistência de células tumorais (HeLa) adaptadas ao H2O2, aos fármacos anti-cancro cis-diamminedicloroplatina (II) (cisplatina) e doxorrubicina. As células HeLa quando expostas a um estado estacionário de 12,5 μM de H2O2 durante 6 h adaptam-se ao H2O2, apresentando um aumento de sobrevivência quando expostas a doses letais deste agente. Durante a exposição ao H2O2 ocorreu um aumento da peroxidação lipídica da membrana, mas este aumento não comprometeu a viabilidade celular. A marcação de células HeLa com a subunidade B da toxina da cólera, a qual detecta a presença de jangadas lipídicas, mostrou uma diminuição de intensidade aos 30 min e uma ligeira acumulação de proteína aos 360 min de exposição a 12,5 μM de H2O2. Estudos usando imunofluorescência sugerem um aumento dos níveis de caveolina-1 para tempos curtos de exposição ao H2O2 em estado estacionário, facto comprovado por Western blot. Resultados preliminares usando Western blot e a análise por imunofluorescência sugerem que a pré-exposição ao H2O2 aumenta os níveis de caveolina-1 fosforilada. Estudos de sobrevivência indicam que células HeLa adaptadas ao H2O2 se tornaram mais resistentes a uma exposição a doses letais de cisplatina mas menos resistentes aquando da exposição à doxorrubicina. Estes resultados mostram, numa linha celular humana, que concentrações baixas e adaptativas de H2O2 alteram rapidamente, em poucos minutos a organização da membrana plasmática. A adaptação ao H2O2 influencia a resistência das células à utilização dos fármacos cisplatina e doxorrubicina, o que poderá ter importância na terapia anti-cancro, no desenho de terapias adjuvantes.