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Causas de morte de pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) arrojados nas praias de Florianópolis, Brasil

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Resumo:Os pinguins são aves marinhas não voadoras que pertencem à família Spheniscidae que contempla um total de 18 espécies distribuídas pelo hemisfério sul. De entre essas espécies, o pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) reproduz-se nas costas temperadas da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas e durante a sua migração de inverno surge com muita frequência no litoral brasileiro. O objetivo deste estudo foi identificar as principais causas de morte do pinguim de Magalhães no sul do Brasil. Assim, entre janeiro e dezembro de 2023 foram sujeitos a necrópsia 98 pinguins, nas instalações da Associação R3 Animal, em Florianópolis, Santa Catarina. A necrópsia e os exames complementares permitiram identificar a causa de morte. A maioria de pinguins era muito jovem (95,9%, 94/98), no seu primeiro ano de vida, e 76,5% (75/98) eram fêmeas. O mês onde foram registadas mais mortes foi Agosto (35,7%, 35/98) e uma grande proporção dos pinguins (86,7%, 85/98) encontrava-se em estados de caquexia. Todos os pinguins tiveram diagnósticos definitivos de causa de morte. As doenças não infeciosas foram a causa de morte mais frequente (77,6%, 76/98) seguidas das doenças infeciosas (22,5%, 22/98). Entre as causas de mortalidade não infeciosa, o diagnóstico mais frequente foi de síndrome metabólica (84,2%, 64/76), seguida do afogamento (14,5%, 11/76) e da asfixia por agente físico (1,3%, 1/76). Nas causas infeciosas destaca-se a infeção bacteriana respiratória (45.5%, 10/22), seguida do parasitismo respiratório por Cyathostoma phenisci (27,3%, 6/22), da Aspergilose (18,2%, 4/22) e do choque séptico (9,1%, 2/22). Grande parte dos pinguins teve interações antropogénicas (74,5%. 73/98). Muitos pinguins (73,5%, 72/98) estavam parasitados no estômago e/ou nos intestinos, e em 24,5% (24/98) o parasitismo contribuiu para o desfecho fatal. Os resultados obtidos são importantes para caraterizar as causas de mortalidade do pinguim-de-Magalhães na costa brasileira e para ajudar os responsáveis dos centros de reabilitação do litoral brasileiro a desenharem estratégias de conservação e de reabilitação desta ave marinha
Autores principais:Charraz, Ana Margarida Lopes
Assunto:Spheniscus magellanicus Mortalidade Síndrome metabólica Doenças infeciosas Brasil Spheniscus magellanicus Mortality Metabolic syndrome Infectious diseases Brazil
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os pinguins são aves marinhas não voadoras que pertencem à família Spheniscidae que contempla um total de 18 espécies distribuídas pelo hemisfério sul. De entre essas espécies, o pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) reproduz-se nas costas temperadas da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas e durante a sua migração de inverno surge com muita frequência no litoral brasileiro. O objetivo deste estudo foi identificar as principais causas de morte do pinguim de Magalhães no sul do Brasil. Assim, entre janeiro e dezembro de 2023 foram sujeitos a necrópsia 98 pinguins, nas instalações da Associação R3 Animal, em Florianópolis, Santa Catarina. A necrópsia e os exames complementares permitiram identificar a causa de morte. A maioria de pinguins era muito jovem (95,9%, 94/98), no seu primeiro ano de vida, e 76,5% (75/98) eram fêmeas. O mês onde foram registadas mais mortes foi Agosto (35,7%, 35/98) e uma grande proporção dos pinguins (86,7%, 85/98) encontrava-se em estados de caquexia. Todos os pinguins tiveram diagnósticos definitivos de causa de morte. As doenças não infeciosas foram a causa de morte mais frequente (77,6%, 76/98) seguidas das doenças infeciosas (22,5%, 22/98). Entre as causas de mortalidade não infeciosa, o diagnóstico mais frequente foi de síndrome metabólica (84,2%, 64/76), seguida do afogamento (14,5%, 11/76) e da asfixia por agente físico (1,3%, 1/76). Nas causas infeciosas destaca-se a infeção bacteriana respiratória (45.5%, 10/22), seguida do parasitismo respiratório por Cyathostoma phenisci (27,3%, 6/22), da Aspergilose (18,2%, 4/22) e do choque séptico (9,1%, 2/22). Grande parte dos pinguins teve interações antropogénicas (74,5%. 73/98). Muitos pinguins (73,5%, 72/98) estavam parasitados no estômago e/ou nos intestinos, e em 24,5% (24/98) o parasitismo contribuiu para o desfecho fatal. Os resultados obtidos são importantes para caraterizar as causas de mortalidade do pinguim-de-Magalhães na costa brasileira e para ajudar os responsáveis dos centros de reabilitação do litoral brasileiro a desenharem estratégias de conservação e de reabilitação desta ave marinha