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Formas metafóricas e registos descritivos na escrita carnavalesca de Manuel Rui

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O objecto desta dissertação é a poética de Manuel Rui. Poética da sua obra de ficção, em prosa, os movimentos que a arquitectam e os gestos que a desenham. O trabalho começa por explorar as formulações de poética projectiva em juízos e interpretações do próprio Autor, quando era colaborador da revista Vértice responsável por recensões críticas de alguma literatura que se fazia no antigo ultramar português. Em consonância com as formulações dessa poética explícita, na abordagem do corpus, verificou-se que o jogo de escrita que o Autor pôs em cena é o jogo do carnavalesco, o jogo da transgressividade autorizada, e que esse procedimento já se estalara em inscrições paratextuais reveladoras de textos abertos a múltiplas entradas de leitura, domínio do carnavalesco. Na complexa problemática da construção da comunidade enunciativa, trabalhou-se a ocorrência de modos discursivos vários, destacando-se o Discurso Indirecto Livre, enunciação em que a escrita se apetrecha do carnavalesco e da metáfora. De seguida, analisou-se, na escrita que assim se figura, a relação complexa que se estabelece entre a metáfora e a comparação, chegando-se à hipótese analítica de que a comparação, na escrita de MR, convida à descoberta de relações inesperadas entre coisas desavindas, descortinando nelas analogias, articulando o verosímil ao inverosímil, o sério ao carnavalesco, o monológico ao heterológico. Nos últimos capítulos do trabalho, estudou-se o modo como as formas metafóricas constrõem a denegação do sério, do monológico e do instituído e procurou-se associar essas formas com o pano de fundo de toda a oficina de escrita de MR, que é a construção de uma Utopia crítica, esse instrumento de combate aos efeitos negativos da ideologia e ao modo como se estrutura a autoridade e a dominação monológicas.
Autores principais:Reis, Mário Joaquim Aires dos
Assunto:Rui, Manuel, 1941- Literatura angolana - séc.20 Análise literária Teses de doutoramento - 2010
Ano:2009
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O objecto desta dissertação é a poética de Manuel Rui. Poética da sua obra de ficção, em prosa, os movimentos que a arquitectam e os gestos que a desenham. O trabalho começa por explorar as formulações de poética projectiva em juízos e interpretações do próprio Autor, quando era colaborador da revista Vértice responsável por recensões críticas de alguma literatura que se fazia no antigo ultramar português. Em consonância com as formulações dessa poética explícita, na abordagem do corpus, verificou-se que o jogo de escrita que o Autor pôs em cena é o jogo do carnavalesco, o jogo da transgressividade autorizada, e que esse procedimento já se estalara em inscrições paratextuais reveladoras de textos abertos a múltiplas entradas de leitura, domínio do carnavalesco. Na complexa problemática da construção da comunidade enunciativa, trabalhou-se a ocorrência de modos discursivos vários, destacando-se o Discurso Indirecto Livre, enunciação em que a escrita se apetrecha do carnavalesco e da metáfora. De seguida, analisou-se, na escrita que assim se figura, a relação complexa que se estabelece entre a metáfora e a comparação, chegando-se à hipótese analítica de que a comparação, na escrita de MR, convida à descoberta de relações inesperadas entre coisas desavindas, descortinando nelas analogias, articulando o verosímil ao inverosímil, o sério ao carnavalesco, o monológico ao heterológico. Nos últimos capítulos do trabalho, estudou-se o modo como as formas metafóricas constrõem a denegação do sério, do monológico e do instituído e procurou-se associar essas formas com o pano de fundo de toda a oficina de escrita de MR, que é a construção de uma Utopia crítica, esse instrumento de combate aos efeitos negativos da ideologia e ao modo como se estrutura a autoridade e a dominação monológicas.