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Estados depressivos em diabetes tipo 2
| Summary: | A diabetes tipo 2 e a depressão são duas patologias com incidência crescente. A comorbilidade diabetes tipo 2 e depressão tem sido amplamente investigada, nomeadamente num óptica de influência recíproca e de impacto da depressão sobre a evolução da diabetes. O presente trabalho sobre estados depressivos em diabetes tipo 2 respondeu a perguntas em áreas carenciadas de estudos, nomeadamente na população portuguesa, ou contribuiu com perspetivas inovadoras com interesse clínico. Os principais objetivos foram: a) determinar a prevalência da depressão numa amostra clínica portuguesa de 997 doentes com diabetes tipo 2; b) avaliar a associação dos estados depressivos com a adaptação psicológica à diabetes, nomeadamente a restruturação cognitiva positiva em 121 doentes, maioritariamente com diabetes tipo 2; c) detetar a relação entre condições psicológicas de risco para incidência de estados depressivos e a deterioração do controlo glicémico em duas populações de doentes com diabetes tipo 2, numa de 90 doentes, e predominantemente deprimida, onde a condição de risco avaliada foi o temperamento afetivo, e noutra com 273 doentes e predominantemente não deprimida, onde a condição de risco estudada foi a vulnerabilidade ao “stress”; d) avaliar a resposta à terapêutica com psicoterapia interpessoal ou sertralina em 34 doentes com diabetes tipo 2 e depressão major num estudo prospetivo de 6 meses quanto à depressão e outras variáveis adicionais, nomeadamente o controlo metabólico. A prevalência de depressão (detetada por questionário) foi de 25.4%. A depressão estava associada a menos aspetos positivos relacionados com a diabetes referidos pelos doentes. O temperamento depressivo excessivo aumentava a probabilidade de deterioração do controlo metabólico, sendo este efeito mediado parcialmente pela adaptação à diabetes. A vulnerabilidade ao “stress” não aumentava a probabilidade de agravamento do controlo metabólico, mas a depressão sim. A intervenção psicoterapêutica interpessoal melhorou a depressão sem diferenças face à sertralina. O controlo metabólico melhorou em ambas as intervenções, mas não significativamente. O nosso trabalho confirma o impacto negativo da depressão sobre parâmetros psicológicos e clínicos relacionados com a diabetes tipo 2 e sugere a importância de a rastrear regularmente nas consultas específicas dado o valor alto da sua prevalência. Este pressuposto também pareceu válido nas condições temperamentais ou de vulnerabilidade ao “stress” associadas ao aumento de risco para depressão, sugerindo que nestas condições a depressão deva ser prevenida. A adaptação à diabetes constituiu um importante parâmetro de interesse clínico. A psicoterapia interpessoal conseguiu obter resultados comparáveis a um tratamento já validado. |
|---|---|
| Main Authors: | Góis, Carlos José Fernandes da Conceição, 1957- |
| Subject: | Diabetes mellitus tipo 2 Estados depressivos Adaptação psicológica à diabetes Temperamento depressivo Psicoterapia Teses de doutoramento - 2013 |
| Year: | 2013 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | doctoral thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | A diabetes tipo 2 e a depressão são duas patologias com incidência crescente. A comorbilidade diabetes tipo 2 e depressão tem sido amplamente investigada, nomeadamente num óptica de influência recíproca e de impacto da depressão sobre a evolução da diabetes. O presente trabalho sobre estados depressivos em diabetes tipo 2 respondeu a perguntas em áreas carenciadas de estudos, nomeadamente na população portuguesa, ou contribuiu com perspetivas inovadoras com interesse clínico. Os principais objetivos foram: a) determinar a prevalência da depressão numa amostra clínica portuguesa de 997 doentes com diabetes tipo 2; b) avaliar a associação dos estados depressivos com a adaptação psicológica à diabetes, nomeadamente a restruturação cognitiva positiva em 121 doentes, maioritariamente com diabetes tipo 2; c) detetar a relação entre condições psicológicas de risco para incidência de estados depressivos e a deterioração do controlo glicémico em duas populações de doentes com diabetes tipo 2, numa de 90 doentes, e predominantemente deprimida, onde a condição de risco avaliada foi o temperamento afetivo, e noutra com 273 doentes e predominantemente não deprimida, onde a condição de risco estudada foi a vulnerabilidade ao “stress”; d) avaliar a resposta à terapêutica com psicoterapia interpessoal ou sertralina em 34 doentes com diabetes tipo 2 e depressão major num estudo prospetivo de 6 meses quanto à depressão e outras variáveis adicionais, nomeadamente o controlo metabólico. A prevalência de depressão (detetada por questionário) foi de 25.4%. A depressão estava associada a menos aspetos positivos relacionados com a diabetes referidos pelos doentes. O temperamento depressivo excessivo aumentava a probabilidade de deterioração do controlo metabólico, sendo este efeito mediado parcialmente pela adaptação à diabetes. A vulnerabilidade ao “stress” não aumentava a probabilidade de agravamento do controlo metabólico, mas a depressão sim. A intervenção psicoterapêutica interpessoal melhorou a depressão sem diferenças face à sertralina. O controlo metabólico melhorou em ambas as intervenções, mas não significativamente. O nosso trabalho confirma o impacto negativo da depressão sobre parâmetros psicológicos e clínicos relacionados com a diabetes tipo 2 e sugere a importância de a rastrear regularmente nas consultas específicas dado o valor alto da sua prevalência. Este pressuposto também pareceu válido nas condições temperamentais ou de vulnerabilidade ao “stress” associadas ao aumento de risco para depressão, sugerindo que nestas condições a depressão deva ser prevenida. A adaptação à diabetes constituiu um importante parâmetro de interesse clínico. A psicoterapia interpessoal conseguiu obter resultados comparáveis a um tratamento já validado. |
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