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A educação estética de Schiller na contemporaneidade: o uso da arte para uma educação moral

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A Europa vivia os dias da Revolução Francesa, da promessa de uma República, da procura de um indivíduo livre e iluminado, capaz de fazer um uso dos seus pensamentos. No entanto, aquilo que parecia promissor tornou-se numa luta violenta pelos ideais, o que acabou por desagradar a muitos. Esse desânimo fazia-se sentir em especial entre os filósofos da Alemanha do século XVIII, até entre os que tinham inicialmente proclamado o movimento da Aufklärung (Iluminismo alemão). Os ideais manifestavam-se de várias formas e em várias frentes, e é neste contexto que chegamos a Friedrich Schiller um filósofo que começa por apoiar o Iluminismo, mas desilude-se com estes ideais quando começa a constatar a onda de violência que acaba por gerar. Schiller crê ser essencial arranjar uma solução para a sua sociedade e acredita que a educação é a base de tudo, e defende uma educação através da arte. Schiller entendia que através da arte era possível atingir um indivíduo capaz de harmonizar os seus impulsos (sensível e formal), ser um homem livre, um bom cidadão e fazer um uso pleno da moral, nas palavras do autor, um ser humano absoluto. Schiller escreveu, em 1793, uma série de cartas ao seu amigo, o Duque de Augustenburg, onde apresenta os seus ideais educativos. Começa por expressar o seu desagrado para com os acontecimentos da sua época, e ao longo dos seus textos apresenta e aprofunda a sua visão de alguns conceitos que reforçam o seu pensamento educativo: beleza, liberdade, impulso lúdico, Estado e contemplação. Além disso, o filósofo mostra o seu agrado e a influência que os clássicos gregos tiveram no seu ideal educativo; de Platão traz os conceitos de artifício, visão e belo, de Aristóteles traz o conceito de catarse, ligado principalmente à tragédia, arte que, sendo também Schiller um dramaturgo, dominava com mestria. Para compreender Schiller e o seu pensamento é importante relembrar os gregos e principalmente a sua visão de educação que estava tão ligada à arte. Schiller recupera estes conceitos e torna de novo a arte e a educação como bases para a construção de uma moralidade social. À primeira vista, estudar Schiller nos tempos que correm pode parecer pouco relevante e os seus ideais pouco actuais. A arte dos nossos dias está distante da arte dos tempos de Schiller, a arte contemporânea vive distante de alguns conceitos mais focados na arte clássica e até parece viver distante de alguns conceitos falados por Schiller, sendo uma das principais e grandes diferenças a exaltação e o louvor do conceito de feio. As revoluções artísticas do século XX transformavam o mundo da arte, mas por outro lado, aproximaram-na do público, querendo trazer a arte para o alcance de todos. Desde os finais do século XIX que estas mudanças começavam a aparecer, mas a grande reviravolta artística dá-se já no princípio do século XX. Para perceber estes novos ideias artísticos é preciso voltar ao começo da arte contemporânea e analisar os movimentos mais revolucionários e com maior impacto a nível conceptual. Com o objectivo de compreender se os artistas contemporâneos se enquadram nos conceitos schillerianos é importante analisá-los com o olhar do filósofo, num nível mais geral, e também num nível mais específico, analisando em particular dois artistas contemporâneos: Andy Goldsworthy e Sophia de Melo Breyner Andresen. Poderemos assim verificar se os ideais de Schiller são plausíveis na nossa sociedade e, mesmo tendo em conta todas as diferenças temporais, iremos também apurar de que forma poderemos tornar a arte contemporânea numa arte que Schiller aceitaria para o desenvolvimento de uma educação moral. Para finalizar, abordaremos uma questão prática: a aplicação das teorias de Schiller nos nossos dias e como os seus ideais podem ter repercussões positivas no comportamento dos indivíduos. A análise foca-se particularmente na forma como o nosso país encara a educação pela arte, nas escolas e instituições que praticam este tipo de educação, em especial os Serviços Educativos dos museus de arte, onde se irá observar principalmente o público mais novo. Apesar de ser um filósofo ligeiramente “esquecido” por alguns, Schiller trará uma lufada de ar fresco à educação e à arte dos nossos dias, alertando para a necessidade de unir a arte e à educação. Por isso se manifesta tão importante relembrar os seus ideais e ajustá-los à arte contemporânea, para que possam ser aplicados na nossa sociedade contemporânea.
Autores principais:Nunes, Ana
Assunto:Schiller, Friedrich von, 1759-1805 - Estética Educação moral Civilização moderna - Filosofia Teses de mestrado - 2014
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Europa vivia os dias da Revolução Francesa, da promessa de uma República, da procura de um indivíduo livre e iluminado, capaz de fazer um uso dos seus pensamentos. No entanto, aquilo que parecia promissor tornou-se numa luta violenta pelos ideais, o que acabou por desagradar a muitos. Esse desânimo fazia-se sentir em especial entre os filósofos da Alemanha do século XVIII, até entre os que tinham inicialmente proclamado o movimento da Aufklärung (Iluminismo alemão). Os ideais manifestavam-se de várias formas e em várias frentes, e é neste contexto que chegamos a Friedrich Schiller um filósofo que começa por apoiar o Iluminismo, mas desilude-se com estes ideais quando começa a constatar a onda de violência que acaba por gerar. Schiller crê ser essencial arranjar uma solução para a sua sociedade e acredita que a educação é a base de tudo, e defende uma educação através da arte. Schiller entendia que através da arte era possível atingir um indivíduo capaz de harmonizar os seus impulsos (sensível e formal), ser um homem livre, um bom cidadão e fazer um uso pleno da moral, nas palavras do autor, um ser humano absoluto. Schiller escreveu, em 1793, uma série de cartas ao seu amigo, o Duque de Augustenburg, onde apresenta os seus ideais educativos. Começa por expressar o seu desagrado para com os acontecimentos da sua época, e ao longo dos seus textos apresenta e aprofunda a sua visão de alguns conceitos que reforçam o seu pensamento educativo: beleza, liberdade, impulso lúdico, Estado e contemplação. Além disso, o filósofo mostra o seu agrado e a influência que os clássicos gregos tiveram no seu ideal educativo; de Platão traz os conceitos de artifício, visão e belo, de Aristóteles traz o conceito de catarse, ligado principalmente à tragédia, arte que, sendo também Schiller um dramaturgo, dominava com mestria. Para compreender Schiller e o seu pensamento é importante relembrar os gregos e principalmente a sua visão de educação que estava tão ligada à arte. Schiller recupera estes conceitos e torna de novo a arte e a educação como bases para a construção de uma moralidade social. À primeira vista, estudar Schiller nos tempos que correm pode parecer pouco relevante e os seus ideais pouco actuais. A arte dos nossos dias está distante da arte dos tempos de Schiller, a arte contemporânea vive distante de alguns conceitos mais focados na arte clássica e até parece viver distante de alguns conceitos falados por Schiller, sendo uma das principais e grandes diferenças a exaltação e o louvor do conceito de feio. As revoluções artísticas do século XX transformavam o mundo da arte, mas por outro lado, aproximaram-na do público, querendo trazer a arte para o alcance de todos. Desde os finais do século XIX que estas mudanças começavam a aparecer, mas a grande reviravolta artística dá-se já no princípio do século XX. Para perceber estes novos ideias artísticos é preciso voltar ao começo da arte contemporânea e analisar os movimentos mais revolucionários e com maior impacto a nível conceptual. Com o objectivo de compreender se os artistas contemporâneos se enquadram nos conceitos schillerianos é importante analisá-los com o olhar do filósofo, num nível mais geral, e também num nível mais específico, analisando em particular dois artistas contemporâneos: Andy Goldsworthy e Sophia de Melo Breyner Andresen. Poderemos assim verificar se os ideais de Schiller são plausíveis na nossa sociedade e, mesmo tendo em conta todas as diferenças temporais, iremos também apurar de que forma poderemos tornar a arte contemporânea numa arte que Schiller aceitaria para o desenvolvimento de uma educação moral. Para finalizar, abordaremos uma questão prática: a aplicação das teorias de Schiller nos nossos dias e como os seus ideais podem ter repercussões positivas no comportamento dos indivíduos. A análise foca-se particularmente na forma como o nosso país encara a educação pela arte, nas escolas e instituições que praticam este tipo de educação, em especial os Serviços Educativos dos museus de arte, onde se irá observar principalmente o público mais novo. Apesar de ser um filósofo ligeiramente “esquecido” por alguns, Schiller trará uma lufada de ar fresco à educação e à arte dos nossos dias, alertando para a necessidade de unir a arte e à educação. Por isso se manifesta tão importante relembrar os seus ideais e ajustá-los à arte contemporânea, para que possam ser aplicados na nossa sociedade contemporânea.