Publicação
Apologias da educação feminina no século XVIII: do conservadorismo de Mary Astell ao radicalismo de Catharine Macaulay
| Resumo: | O século XVIII foi palco de um intenso debate sobre a educação feminina, um primeiro passo no desafio à “Lei do Costume”, a qual perpetuava a inferioridade das mulheres em relação aos homens e as confinava ao espaço doméstico e privado. Assim, a defesa do direito à educação enquadra-se num plano mais amplo de reivindicações, o da defesa da igualdade intelectual. Neste trabalho propomo-nos analisar o modelo de educação feminina vigente no século XVIII em Inglaterra. Considerando este longo século como o período desde os últimos Stuarts, após a Restauração, até ao seu terminus, e tendo como marco histórico instigador de mudanças a Revolução Francesa (1789), abordar-se-ão propostas de duas autoras que reflectiram sobre padrões distintos do modelo educativo feminino. Nessas propostas observa-se o intuito cada vez mais vincado de as mulheres acederem a uma educação que visasse mais do que as tarefas de índole doméstica. Num primeiro momento dá-se especial relevância à obra de Mary Astell, A Serious Proposal to the Ladies, for the Advancement of their true and greatest Interest (1694), e o seu impacte à época. Posteriormente, aborda-se o texto reivindicativo de Catharine Macaulay, Letters on Education with Observations on Religious and Metaphysical Subjects (1790), exemplo cabal do radicalismo da década de 90 desse século. Pretende-se, assim, demonstrar que o clima político tumultuoso e de incerteza em que as duas autoras viveram, embora em momentos diferentes, propiciou a oportunidade de as mulheres repensarem e redefinirem o seu papel. Apesar de as escritoras poderem facilmente ser categorizadas como opostos ideológicos, uma análise mais profunda dos seus escritos revela a sua complementaridade e ilustra a preocupação comum relativamente à educação feminina, através do dissecar das percepções contemporâneas sobre o contributo da mulher no século XVIII. |
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| Autores principais: | Rodrigues, Ana Patrícia Antunes Fanha |
| Assunto: | Astell, Mary, 1666-1731 Macaulay, Catharine, 1731-1791 Educação das mulheres - Grã-Bretanha - séc.17-18 Mulheres - Direitos - Grã-Bretanha - séc.17-18 Teses de mestrado - 2006 |
| Ano: | 2006 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O século XVIII foi palco de um intenso debate sobre a educação feminina, um primeiro passo no desafio à “Lei do Costume”, a qual perpetuava a inferioridade das mulheres em relação aos homens e as confinava ao espaço doméstico e privado. Assim, a defesa do direito à educação enquadra-se num plano mais amplo de reivindicações, o da defesa da igualdade intelectual. Neste trabalho propomo-nos analisar o modelo de educação feminina vigente no século XVIII em Inglaterra. Considerando este longo século como o período desde os últimos Stuarts, após a Restauração, até ao seu terminus, e tendo como marco histórico instigador de mudanças a Revolução Francesa (1789), abordar-se-ão propostas de duas autoras que reflectiram sobre padrões distintos do modelo educativo feminino. Nessas propostas observa-se o intuito cada vez mais vincado de as mulheres acederem a uma educação que visasse mais do que as tarefas de índole doméstica. Num primeiro momento dá-se especial relevância à obra de Mary Astell, A Serious Proposal to the Ladies, for the Advancement of their true and greatest Interest (1694), e o seu impacte à época. Posteriormente, aborda-se o texto reivindicativo de Catharine Macaulay, Letters on Education with Observations on Religious and Metaphysical Subjects (1790), exemplo cabal do radicalismo da década de 90 desse século. Pretende-se, assim, demonstrar que o clima político tumultuoso e de incerteza em que as duas autoras viveram, embora em momentos diferentes, propiciou a oportunidade de as mulheres repensarem e redefinirem o seu papel. Apesar de as escritoras poderem facilmente ser categorizadas como opostos ideológicos, uma análise mais profunda dos seus escritos revela a sua complementaridade e ilustra a preocupação comum relativamente à educação feminina, através do dissecar das percepções contemporâneas sobre o contributo da mulher no século XVIII. |
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