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As expressões vivenciais e comportamentais da ansiedade em adolescentes : fatores psicossociais associados ao risco e à proteção face à psicopatologia

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Resumo:A adolescência é uma fase importante de desenvolvimento, associada a novas necessidades e vulnerabilidades. O estudo realizado teve por objetivo analisar fatores psicossociais, pessoais e contextuais, associados a diferentes níveis de sintomatologia ansiosa e de vulnerabilidade clínica em adolescentes portugueses. De carácter transversal, seguiu uma metodologia diferencial e correlacional a partir dos dados de uma amostra de 371 participantes com idades entre os 14 e os 19 anos, de ambos os sexos. Como instrumentos de recolha foram utilizados o Youth Self Report, pertencente à bateria ASEBA, e um Questionário Psicossocial elaborado para este estudo. A análise de resultados das medidas finais do YSR indica diferenças quanto ao sexo dos adolescentes: relativamente aos rapazes, as raparigas reportam comportamentos e vivências compatíveis com níveis mais elevados de Ansiedade/Depressão e de Queixas Somáticas. Ao nível das idades não se verificaram diferenças significativas em nenhuma das medidas do YSR. A análise dos dados sugere que o Cluster Ansiedade/Depressão representa maioritariamente a ansiedade, que se mostra associada a todos os tipos de problemas identificados pelo YSR e à vulnerabilidade à psicopatologia em geral. Os adolescentes que apresentaram níveis elevados de Ansiedade/Depressão e de Vulnerabilidade Psicopatológica revelaram estar menos satisfeitos com as relações interpessoais e com a vida nos diferentes contextos, designadamente familiar e escolar. Os conflitos familiares, as dificuldades financeiras na família, a relação com o pai, a satisfação nas relações de amizade e a vivência atual de uma situação difícil revelaram-se preditores da condição clínica, tal como a satisfação na escola se revelou um importante fator de proteção. A perceção pessoal global, quando conjugada com os fatores contextuais, demonstrou ser a mais relevante na predição da condição clínica, evidenciando que fatores individuais, especialmente a avaliação que o adolescente faz de si próprio, têm um papel fundamental na saúde mental dos adolescentes. Na discussão analisam-se os resultados considerando potenciais fatores de risco e proteção e considera-se a hipótese de a ansiedade se constituir como uma dimensão transversal a toda a psicopatologia.
Autores principais:Estrela, Mafalda Pitta da Cunha Calçada
Assunto:Adolescentes Ansiedade Fatores de risco Teses de mestrado - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A adolescência é uma fase importante de desenvolvimento, associada a novas necessidades e vulnerabilidades. O estudo realizado teve por objetivo analisar fatores psicossociais, pessoais e contextuais, associados a diferentes níveis de sintomatologia ansiosa e de vulnerabilidade clínica em adolescentes portugueses. De carácter transversal, seguiu uma metodologia diferencial e correlacional a partir dos dados de uma amostra de 371 participantes com idades entre os 14 e os 19 anos, de ambos os sexos. Como instrumentos de recolha foram utilizados o Youth Self Report, pertencente à bateria ASEBA, e um Questionário Psicossocial elaborado para este estudo. A análise de resultados das medidas finais do YSR indica diferenças quanto ao sexo dos adolescentes: relativamente aos rapazes, as raparigas reportam comportamentos e vivências compatíveis com níveis mais elevados de Ansiedade/Depressão e de Queixas Somáticas. Ao nível das idades não se verificaram diferenças significativas em nenhuma das medidas do YSR. A análise dos dados sugere que o Cluster Ansiedade/Depressão representa maioritariamente a ansiedade, que se mostra associada a todos os tipos de problemas identificados pelo YSR e à vulnerabilidade à psicopatologia em geral. Os adolescentes que apresentaram níveis elevados de Ansiedade/Depressão e de Vulnerabilidade Psicopatológica revelaram estar menos satisfeitos com as relações interpessoais e com a vida nos diferentes contextos, designadamente familiar e escolar. Os conflitos familiares, as dificuldades financeiras na família, a relação com o pai, a satisfação nas relações de amizade e a vivência atual de uma situação difícil revelaram-se preditores da condição clínica, tal como a satisfação na escola se revelou um importante fator de proteção. A perceção pessoal global, quando conjugada com os fatores contextuais, demonstrou ser a mais relevante na predição da condição clínica, evidenciando que fatores individuais, especialmente a avaliação que o adolescente faz de si próprio, têm um papel fundamental na saúde mental dos adolescentes. Na discussão analisam-se os resultados considerando potenciais fatores de risco e proteção e considera-se a hipótese de a ansiedade se constituir como uma dimensão transversal a toda a psicopatologia.