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Telepsiquiatria e depressão unipolar : a evidência científica da videoconferência

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As medidas adotadas para controlar a pandemia do SARS-CoV2, tais como: confinamento e distanciamento social, aliadas a incerteza e deterioração das condições económicas têm inequivocamente efeitos sobre a saúde mental. Começa a surgir evidência científica de efeitos adversos na saúde mental de indivíduos previamente saudáveis e agravamento da mesma em indivíduos com patologia mental pré-existente, nomeadamente a Depressão Unipolar/Perturbação Depressiva Major (DU). A pandemia implicou a adoção de novas medidas para facilitar o acesso aos cuidados de saúde, tais como, consultas através de videoconferência, que no caso particular da Psiquiatria se designa por Telepsiquiatria (TP). Este trabalho pretende analisar a evidência científica no uso de TP, recorrendo à videoconferência, através dos seguintes parâmetros: a aceitação e satisfação dos doentes e profissionais de saúde, eficácia, custo/benefício, vantagens e limitações, em comparação com as consultas presenciais (CP), no tratamento da DU. Foi feita uma revisão bibliográfica de ensaios clínicos randomizados, com Evidência científica de Nível I, publicados entre 2000 e 2020, que comparassem a utilização de TP, no formato de videoconferência em indivíduos adultos com diagnóstico de DU, com as CP. Foram incluídos 10 estudos. A satisfação dos pacientes relativamente à TP, é igual ou superior às CP. Em termos de eficácia, a maioria dos estudos analisados referem, pelo menos, redução semelhante dos sintomas depressivos. Relativamente ao custo/benefício, apesar de exigir um maior investimento inicial em tecnologia, a TP permite um custo mais baixo por evitar as deslocações dos doentes. A maior vantagem da TP parece se a de permitir o acesso dos doentes com DU com dificuldades de deslocação às instituições de saúde. A maioria dos ensaios clínicos reportam-se a amostras pequenas, a populações específicas, usam métodos de avaliação diferentes e centram-se na aceitação da TP pelos doentes e psiquiatras, pela eficácia, limitações e custo/benefício. A pandemia de COVID-19 acelerou a adoção maciça da TP, mas são necessários mais estudos que comparem a TP e as CP.
Autores principais:Dinis, André Filipe Barrau Mendes Ferreira
Assunto:Telemedicina Telepsiquiatria Perturbação depressiva major Depressão unipolar Videoconferência Psiquiatria
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As medidas adotadas para controlar a pandemia do SARS-CoV2, tais como: confinamento e distanciamento social, aliadas a incerteza e deterioração das condições económicas têm inequivocamente efeitos sobre a saúde mental. Começa a surgir evidência científica de efeitos adversos na saúde mental de indivíduos previamente saudáveis e agravamento da mesma em indivíduos com patologia mental pré-existente, nomeadamente a Depressão Unipolar/Perturbação Depressiva Major (DU). A pandemia implicou a adoção de novas medidas para facilitar o acesso aos cuidados de saúde, tais como, consultas através de videoconferência, que no caso particular da Psiquiatria se designa por Telepsiquiatria (TP). Este trabalho pretende analisar a evidência científica no uso de TP, recorrendo à videoconferência, através dos seguintes parâmetros: a aceitação e satisfação dos doentes e profissionais de saúde, eficácia, custo/benefício, vantagens e limitações, em comparação com as consultas presenciais (CP), no tratamento da DU. Foi feita uma revisão bibliográfica de ensaios clínicos randomizados, com Evidência científica de Nível I, publicados entre 2000 e 2020, que comparassem a utilização de TP, no formato de videoconferência em indivíduos adultos com diagnóstico de DU, com as CP. Foram incluídos 10 estudos. A satisfação dos pacientes relativamente à TP, é igual ou superior às CP. Em termos de eficácia, a maioria dos estudos analisados referem, pelo menos, redução semelhante dos sintomas depressivos. Relativamente ao custo/benefício, apesar de exigir um maior investimento inicial em tecnologia, a TP permite um custo mais baixo por evitar as deslocações dos doentes. A maior vantagem da TP parece se a de permitir o acesso dos doentes com DU com dificuldades de deslocação às instituições de saúde. A maioria dos ensaios clínicos reportam-se a amostras pequenas, a populações específicas, usam métodos de avaliação diferentes e centram-se na aceitação da TP pelos doentes e psiquiatras, pela eficácia, limitações e custo/benefício. A pandemia de COVID-19 acelerou a adoção maciça da TP, mas são necessários mais estudos que comparem a TP e as CP.