Publicação
Efeitos da PEEP na pressão intracraniana de doentes com TCE grave e ARDS
| Resumo: | Os traumatismos crânio-encefálicos (TCE) constituem um problema de saúde pública com elevado impacto económico. Para além da lesão neurológica, os doentes com TCE graves frequentemente desenvolvem complicações médicas, nomeadamente respiratórias. O desenvolvimento da Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda (ARDS) é um fator independente de pior prognóstico e mortalidade superior. Otimizar a oxigenação cerebral através do controlo da ventilação, da Pressão Intracraniana (PIC) e da Pressão de Perfusão Cerebral (PPC) constitui a pedra basilar do tratamento dos doentes com TCE grave. Contudo, a utilização de frequências respiratórias e de volumes correntes elevados para controlo da Pressão Parcial de Dióxido de Carbono no Sangue Arterial (PaCO2) são fatores de risco independentes para o desenvolvimento de ARDS após TCE grave. Assim, a ventilação mecânica de doentes com TCE grave que desenvolvem ARDS pode ser particularmente difícil. A Pressão Positiva no Final da Expiração (PEEP) pode ser estabelecida de forma segura para recrutamento alveolar nestes doentes, se for garantida a euvolémia do doente, sendo aplicada com valores inferiores aos da PIC, e se os seus efeitos forem cuidadosamente monitorizados. No presente trabalho, pretendeu-se investigar a variação da PEEP e da PIC em doentes com TCE grave, mas sem traumatismo torácico, que tenham desenvolvido ARDS. De todos os doentes hospitalizados no Serviço de Medicina Intensiva (SMI) com o diagnóstico de TCE durante 2015, encontrou-se um único doente nestas condições. No estudo de caso realizado, a monitorização da PIC revelou uma variação entre 9 – 42 mmHg com PPC dependentes da utilização de suporte vasopressor com noradrenalina em doses crescentes até 350 mcg/min. A PEEP utilizada apresentou uma variação entre 8 e 14 cmH2O. Concluindo, durante todo o internamento, os valores utilizados de PEEP foram inferiores aos valores medidos da PIC. Todavia, os valores utilizados foram inferiores aqueles reportados por outros autores na literatura. |
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| Autores principais: | Santos, Daniel José Rodrigues Roque dos |
| Assunto: | Traumatismo crânio-encefálico Síndrome da dificuldade respiratória aguda Pressão positiva no final da expiração Pressão intracraniana |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os traumatismos crânio-encefálicos (TCE) constituem um problema de saúde pública com elevado impacto económico. Para além da lesão neurológica, os doentes com TCE graves frequentemente desenvolvem complicações médicas, nomeadamente respiratórias. O desenvolvimento da Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda (ARDS) é um fator independente de pior prognóstico e mortalidade superior. Otimizar a oxigenação cerebral através do controlo da ventilação, da Pressão Intracraniana (PIC) e da Pressão de Perfusão Cerebral (PPC) constitui a pedra basilar do tratamento dos doentes com TCE grave. Contudo, a utilização de frequências respiratórias e de volumes correntes elevados para controlo da Pressão Parcial de Dióxido de Carbono no Sangue Arterial (PaCO2) são fatores de risco independentes para o desenvolvimento de ARDS após TCE grave. Assim, a ventilação mecânica de doentes com TCE grave que desenvolvem ARDS pode ser particularmente difícil. A Pressão Positiva no Final da Expiração (PEEP) pode ser estabelecida de forma segura para recrutamento alveolar nestes doentes, se for garantida a euvolémia do doente, sendo aplicada com valores inferiores aos da PIC, e se os seus efeitos forem cuidadosamente monitorizados. No presente trabalho, pretendeu-se investigar a variação da PEEP e da PIC em doentes com TCE grave, mas sem traumatismo torácico, que tenham desenvolvido ARDS. De todos os doentes hospitalizados no Serviço de Medicina Intensiva (SMI) com o diagnóstico de TCE durante 2015, encontrou-se um único doente nestas condições. No estudo de caso realizado, a monitorização da PIC revelou uma variação entre 9 – 42 mmHg com PPC dependentes da utilização de suporte vasopressor com noradrenalina em doses crescentes até 350 mcg/min. A PEEP utilizada apresentou uma variação entre 8 e 14 cmH2O. Concluindo, durante todo o internamento, os valores utilizados de PEEP foram inferiores aos valores medidos da PIC. Todavia, os valores utilizados foram inferiores aqueles reportados por outros autores na literatura. |
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