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À procura da Terra dos Vivos: os lugares de povoamento das primeiras fases do Megalitismo funerário no Centro e Sul de Portugal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:No debate científico em torno das origens do Megalitismo funerário no Ocidente Peninsular, um dos principais tópicos de discussão relaciona-se com o parco conhecimento que ainda existe acerca dos espaços de habitat das comunidades que terão construído e utilizado esses monumentos. Partindo do quadro cronométrico disponível, não há evidências que, no Centro e Sul do actual território português, o arranque do Megalitismo funerário ocorra antes do intervalo de tempo situado entre ~3700-3300 cal BC, momento que Rui Boaventura denominou de Fase 1 – pré-ídolos-placa (Boaventura, 2009). Em termos crono-culturais, esse espaço temporal parece integrar uma fase plena do Neolítico médio, momento onde se regista um conjunto de comportamentos humanos, com profundas alterações dos sistemas sociais, que demonstram quadros de grande complexidade social e simbólica, visível essencialmente na selecção e transformação antrópica de uma paisagem e na construção dos discursos e das memórias sociais. O Neolítico médio no Ocidente Peninsular, na sua fase mais plena (segundo e terceiro quartel do 4º milénio cal BC), parece corresponder a um momento de estabilização e uniformidade, de um maior conhecimento colectivo, culturalmente reconhecido por grupos que ocupam um vasto território, partilhando uma identidade cada vez mais comum. É inserida nesta dinâmica que ocorre a entrada em cena das arquitecturas funerárias megalíticas, num fenómeno que marca, indubitavelmente, o Neolítico médio pleno, e que também define a cronologia de arranque desta etapa. Com as origens do Megalitismo funerário como cenário de reflexão central, este texto incidirá, essencialmente, nos espaços de habitat contemporâneos dessa etapa, correlacionando os dados empíricos disponíveis, destacando dois elementos principais: Cronologia e Cultura-Material.
Autores principais:Neves, César
Outros Autores:Diniz, Mariana
Assunto:Megalitismo Habitat Neolítico médio Cronologia 4º milénio cal BC Megalithism Settlement Middle Neolithic Chronology 4th millennium cal BC
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:No debate científico em torno das origens do Megalitismo funerário no Ocidente Peninsular, um dos principais tópicos de discussão relaciona-se com o parco conhecimento que ainda existe acerca dos espaços de habitat das comunidades que terão construído e utilizado esses monumentos. Partindo do quadro cronométrico disponível, não há evidências que, no Centro e Sul do actual território português, o arranque do Megalitismo funerário ocorra antes do intervalo de tempo situado entre ~3700-3300 cal BC, momento que Rui Boaventura denominou de Fase 1 – pré-ídolos-placa (Boaventura, 2009). Em termos crono-culturais, esse espaço temporal parece integrar uma fase plena do Neolítico médio, momento onde se regista um conjunto de comportamentos humanos, com profundas alterações dos sistemas sociais, que demonstram quadros de grande complexidade social e simbólica, visível essencialmente na selecção e transformação antrópica de uma paisagem e na construção dos discursos e das memórias sociais. O Neolítico médio no Ocidente Peninsular, na sua fase mais plena (segundo e terceiro quartel do 4º milénio cal BC), parece corresponder a um momento de estabilização e uniformidade, de um maior conhecimento colectivo, culturalmente reconhecido por grupos que ocupam um vasto território, partilhando uma identidade cada vez mais comum. É inserida nesta dinâmica que ocorre a entrada em cena das arquitecturas funerárias megalíticas, num fenómeno que marca, indubitavelmente, o Neolítico médio pleno, e que também define a cronologia de arranque desta etapa. Com as origens do Megalitismo funerário como cenário de reflexão central, este texto incidirá, essencialmente, nos espaços de habitat contemporâneos dessa etapa, correlacionando os dados empíricos disponíveis, destacando dois elementos principais: Cronologia e Cultura-Material.