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A personalidade e a vulnerabilidade ao abuso de álcool : um estudo exploratório numa amostra de agentes militares e policiais

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Resumo:A perturbação de abuso de álcool é uma grande ameaça à integridade dos indivíduos e das comunidades em que se inserem. Na vulnerabilidade a esta perturbação está implicada a interacção de factores de ordem individual e contextual, sendo o stresse ocupacional, desencadeado pelo desempenho de uma profissão de risco, um factor influente. Há evidências de que a personalidade desempenha também um papel importante, sobretudo na etiologia desta perturbação, e vários estudos têm procurado correlacionar a vulnerabilidade ao seu desenvolvimento com variáveis específicas da personalidade. As conclusões, contudo, têm sido insuficientes para explorar novas formas de prevenção e intervenção clínicas e psicossociais (Babor, 1993). O objectivo deste trabalho foi o de contribuir para a identificação de dimensões da personalidade associadas à vulnerabilidade à perturbação de abuso de álcool. Foram analisados perfis do MMPI-2 de 12 participantes, agentes de forças militares e policiais, referenciados com quadros de consumo abusivo de álcool. Para tal, foram considerados os resultados do inventário directamente relacionadas com a personalidade e a psicopatologia, bem como as características configuracionais dos perfis potencialmente associadas a esta vulnerabilidade. Na análise diferenciaram-se dois tipos de perfil: um, o perfil-tipo A, com elevações significativas (T > 65) em várias escalas – perfil no seu conjunto sugestivo de perturbação de personalidade subjacente à perturbação clínica, de sofrimento psicológico intenso e de grandes dificuldades de adaptação à realidade; outro, o perfiltipo B, sem indícios de perturbação de personalidade e sugestivo de estilo de resposta defensivo, vulnerabilidade emocional associada a grande controlo do sofrimento o que, no seu conjunto, aponta para um pseudo-equilíbrio psicológico. Os resultados obtidos são compatíveis com o modelo teórico-empírico de Cloninger e Sigvardsson (1996), onde são propostos dois tipos de Personalidade, Tipo I e II, com características similares aos perfis-tipo identificados no presente estudo. Verificou-se, ainda, que as escalas que tradicionalmente a literatura aponta como específicas para a detecção do potencial para consumos abusivos de álcool ou outras substâncias não se mostraram eficazes neste âmbito de avaliação clínico-laboral.
Autores principais:Fernandes, Carina Sofia Teixeira
Assunto:Alcoolismo Personalidade - Psicologia Vulnerabilidade Stress ocupacional Avaliação psicológica Teses de mestrado - 2011
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A perturbação de abuso de álcool é uma grande ameaça à integridade dos indivíduos e das comunidades em que se inserem. Na vulnerabilidade a esta perturbação está implicada a interacção de factores de ordem individual e contextual, sendo o stresse ocupacional, desencadeado pelo desempenho de uma profissão de risco, um factor influente. Há evidências de que a personalidade desempenha também um papel importante, sobretudo na etiologia desta perturbação, e vários estudos têm procurado correlacionar a vulnerabilidade ao seu desenvolvimento com variáveis específicas da personalidade. As conclusões, contudo, têm sido insuficientes para explorar novas formas de prevenção e intervenção clínicas e psicossociais (Babor, 1993). O objectivo deste trabalho foi o de contribuir para a identificação de dimensões da personalidade associadas à vulnerabilidade à perturbação de abuso de álcool. Foram analisados perfis do MMPI-2 de 12 participantes, agentes de forças militares e policiais, referenciados com quadros de consumo abusivo de álcool. Para tal, foram considerados os resultados do inventário directamente relacionadas com a personalidade e a psicopatologia, bem como as características configuracionais dos perfis potencialmente associadas a esta vulnerabilidade. Na análise diferenciaram-se dois tipos de perfil: um, o perfil-tipo A, com elevações significativas (T > 65) em várias escalas – perfil no seu conjunto sugestivo de perturbação de personalidade subjacente à perturbação clínica, de sofrimento psicológico intenso e de grandes dificuldades de adaptação à realidade; outro, o perfiltipo B, sem indícios de perturbação de personalidade e sugestivo de estilo de resposta defensivo, vulnerabilidade emocional associada a grande controlo do sofrimento o que, no seu conjunto, aponta para um pseudo-equilíbrio psicológico. Os resultados obtidos são compatíveis com o modelo teórico-empírico de Cloninger e Sigvardsson (1996), onde são propostos dois tipos de Personalidade, Tipo I e II, com características similares aos perfis-tipo identificados no presente estudo. Verificou-se, ainda, que as escalas que tradicionalmente a literatura aponta como específicas para a detecção do potencial para consumos abusivos de álcool ou outras substâncias não se mostraram eficazes neste âmbito de avaliação clínico-laboral.