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Lesão renal aguda em crianças e adolescentes internados numa unidade de cuidados intensivos pediátrica

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Summary:Introdução: A lesão renal aguda (LRA) é comum em crianças gravemente doentes, causando com frequência sequelas a longo prazo. Objetivos: Averiguar a incidência de LRA em crianças internadas numa Unidade de Cuidados Intensivos Pediátrica (UCIPed) e avaliar a capacidade de diagnóstico e referenciação para consulta de Nefrologia Pediátrica. Métodos: Estudo retrospetivo dos doentes internados na UCIPed do Hospital de Santa Maria entre janeiro e junho de 2021. Foram excluídos recém-nascidos, doentes com doença renal crónica prévia e reinternamentos durante o período do estudo. Foi utilizada a definição da KDIGO, que define LRA com base no aumento da creatinina sérica em pelo menos 0,3 mg/dl em 48 horas ou em pelo menos 1,5 vezes o valor basal dos 7 dias prévios, ou diminuição do débito urinário para menos de 0,5 ml/kg/h em 6 horas. Resultados: Foram incluídos 135 doentes (idade mediana 8 anos; 50% sexo masculino; 74% com doenças crónicas prévias; 60% pós-operatórios). Detetou-se LRA em 61 doentes (45%): 44% ligeira; 49% moderada e 7% grave. Cinco doentes (8%) cumpriam apenas o critério de aumento da creatinina para diagnóstico de LRA, 33 (54%) cumpriam apenas o critério de oligúria e 23 (38%) cumpriam ambos os critérios. Dos 13 doentes internados com PIMS-TS durante o período do estudo, 10 (77%) desenvolveram LRA. A LRA foi mais frequente nos doentes com ventilação mecânica (84% vs 36%; p<0,0001). Os doentes com LRA apresentaram maior tempo de internamento (p<0,0001) e maior mortalidade (7% vs 0%; p<0,05). Apenas 15 doentes (25%) tinham o diagnóstico contemplado na nota de alta da UCIPed. Apenas um doente com LRA foi referenciado para consulta de Nefrologia Pediátrica. Conclusões: A LRA é frequente em crianças gravemente doentes e associa-se a maior tempo de internamento e maior mortalidade. São necessárias estratégias para melhorar o diagnóstico e a referenciação à consulta de Nefrologia Pediátrica.
Main Authors:Nicolau, Beatriz de Sá Guerra Almeida
Subject:Lesão renal aguda Cuidados intensivos pediátricos Pediatria
Year:2022
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:Introdução: A lesão renal aguda (LRA) é comum em crianças gravemente doentes, causando com frequência sequelas a longo prazo. Objetivos: Averiguar a incidência de LRA em crianças internadas numa Unidade de Cuidados Intensivos Pediátrica (UCIPed) e avaliar a capacidade de diagnóstico e referenciação para consulta de Nefrologia Pediátrica. Métodos: Estudo retrospetivo dos doentes internados na UCIPed do Hospital de Santa Maria entre janeiro e junho de 2021. Foram excluídos recém-nascidos, doentes com doença renal crónica prévia e reinternamentos durante o período do estudo. Foi utilizada a definição da KDIGO, que define LRA com base no aumento da creatinina sérica em pelo menos 0,3 mg/dl em 48 horas ou em pelo menos 1,5 vezes o valor basal dos 7 dias prévios, ou diminuição do débito urinário para menos de 0,5 ml/kg/h em 6 horas. Resultados: Foram incluídos 135 doentes (idade mediana 8 anos; 50% sexo masculino; 74% com doenças crónicas prévias; 60% pós-operatórios). Detetou-se LRA em 61 doentes (45%): 44% ligeira; 49% moderada e 7% grave. Cinco doentes (8%) cumpriam apenas o critério de aumento da creatinina para diagnóstico de LRA, 33 (54%) cumpriam apenas o critério de oligúria e 23 (38%) cumpriam ambos os critérios. Dos 13 doentes internados com PIMS-TS durante o período do estudo, 10 (77%) desenvolveram LRA. A LRA foi mais frequente nos doentes com ventilação mecânica (84% vs 36%; p<0,0001). Os doentes com LRA apresentaram maior tempo de internamento (p<0,0001) e maior mortalidade (7% vs 0%; p<0,05). Apenas 15 doentes (25%) tinham o diagnóstico contemplado na nota de alta da UCIPed. Apenas um doente com LRA foi referenciado para consulta de Nefrologia Pediátrica. Conclusões: A LRA é frequente em crianças gravemente doentes e associa-se a maior tempo de internamento e maior mortalidade. São necessárias estratégias para melhorar o diagnóstico e a referenciação à consulta de Nefrologia Pediátrica.