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Processamento de frases temporariamente ambíguas (garden-path): estudo de eyetracking em Português Europeu

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Neste trabalho, analisamos os movimentos oculares de falantes nativos de Português Europeu durante a leitura silenciosa de frases com ambiguidade sintática temporária, frases garden-path, como Enquanto o repórter fotografava o pássaro chilreava na árvore. Nas nossas frases, o segundo sintagma nominal (o pássaro) tem aparentemente duas possibilidades de encaixe na representação sintática: objeto do verbo da oração subordinada temporal (fotografar) ou sujeito do verbo da oração principal (chilrear). Diferentes estudos têm verificado que frases idênticas à apresentada são difíceis de processar, atribuindo essas dificuldades ao facto de os leitores tenderem a inserir inicialmente o SN como objeto do verbo que o precede. Contudo, para a construção de uma estrutura gramatical da frase ambígua, deveriam inseri-lo como sujeito do verbo seguinte. Esses estudos têm ainda verificado que a interpretação gerada a partir da primeira análise sintática, em que o SN é objeto, tende a persistir na memória, afetando a interpretação final das frases ambíguas. Para investigarmos o impacto da ambiguidade sintática temporária no processamento e na interpretação final das frases, construímos uma experiência com recurso ao paradigma de eyetracking. Os participantes leram frases em duas condições, ambígua (sem vírgula depois do primeiro verbo – fotografava o pássaro) e não-ambígua (com vírgula depois do primeiro verbo – fotografava, o pássaro), e de seguida responderam a perguntas de compreensão (para a frase apresentada, o repórter fotografava o pássaro? ou o pássaro chilreava na árvore?). Os nossos resultados demonstraram, desde início, um padrão de leitura distinto nas duas condições, que se intensifica com o tempo. Na frase ambígua, ocorrem várias regressões e há um acumular de tempos de leitura, comportamento que não se verifica na frase não-ambígua. Os resultados parecem assim sugerir dificuldade na resolução da estrutura ambígua, comportamento esperado quando há comprometimento com uma única estruturação sintática: SN como objeto do verbo da oração subordinada (teoria garden-path). A elevada taxa de acerto das respostas a ambas as perguntas de compreensão sugere contudo que, regra geral, não há impacto da ambiguidade na interpretação final das frases: eventuais problemas iniciais de estruturação e de interpretação terão sido resolvidos na reanálise.
Autores principais:Simões, Diana Duarte
Assunto:Língua portuguesa - Frase (Linguística) Ambiguidade Teses de mestrado - 2022
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Neste trabalho, analisamos os movimentos oculares de falantes nativos de Português Europeu durante a leitura silenciosa de frases com ambiguidade sintática temporária, frases garden-path, como Enquanto o repórter fotografava o pássaro chilreava na árvore. Nas nossas frases, o segundo sintagma nominal (o pássaro) tem aparentemente duas possibilidades de encaixe na representação sintática: objeto do verbo da oração subordinada temporal (fotografar) ou sujeito do verbo da oração principal (chilrear). Diferentes estudos têm verificado que frases idênticas à apresentada são difíceis de processar, atribuindo essas dificuldades ao facto de os leitores tenderem a inserir inicialmente o SN como objeto do verbo que o precede. Contudo, para a construção de uma estrutura gramatical da frase ambígua, deveriam inseri-lo como sujeito do verbo seguinte. Esses estudos têm ainda verificado que a interpretação gerada a partir da primeira análise sintática, em que o SN é objeto, tende a persistir na memória, afetando a interpretação final das frases ambíguas. Para investigarmos o impacto da ambiguidade sintática temporária no processamento e na interpretação final das frases, construímos uma experiência com recurso ao paradigma de eyetracking. Os participantes leram frases em duas condições, ambígua (sem vírgula depois do primeiro verbo – fotografava o pássaro) e não-ambígua (com vírgula depois do primeiro verbo – fotografava, o pássaro), e de seguida responderam a perguntas de compreensão (para a frase apresentada, o repórter fotografava o pássaro? ou o pássaro chilreava na árvore?). Os nossos resultados demonstraram, desde início, um padrão de leitura distinto nas duas condições, que se intensifica com o tempo. Na frase ambígua, ocorrem várias regressões e há um acumular de tempos de leitura, comportamento que não se verifica na frase não-ambígua. Os resultados parecem assim sugerir dificuldade na resolução da estrutura ambígua, comportamento esperado quando há comprometimento com uma única estruturação sintática: SN como objeto do verbo da oração subordinada (teoria garden-path). A elevada taxa de acerto das respostas a ambas as perguntas de compreensão sugere contudo que, regra geral, não há impacto da ambiguidade na interpretação final das frases: eventuais problemas iniciais de estruturação e de interpretação terão sido resolvidos na reanálise.