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A hemoglobina glicada como factor prognóstico na resposta clínica ao tratamento de úlceras diabéticas com oxigenoterapia hiperbárica

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: Diabetes mellitus é uma doença crónica altamente prevalente que deteriora significativamente a qualidade de vida dos doentes e leva a múltiplas complicações. Uma das mais comuns são as úlceras diabéticas, que surgem devido a um processo de cicatrização lento, associado a menor imunidade e oxigenação dos tecidos. A monitorização da hemoglobina glicada A1c (HbA1c) é essencial para o controle glicémico em diabéticos. Além disso, a oxigenoterapia hiperbárica (OTHB) tem se mostrado eficaz como terapia complementar, melhorando a oxigenação dos tecidos e estimulando a angiogénese. Na 7ª Conferência de Consenso do European Committee for Hyperbaric Medicine (Lille em 2004), a OTHB foi recomendada como tipo 2 com um nível B de evidência, indicando benefícios e encorajando mais estudos nesta área. Métodos: Estudo retrospectivo de doentes com disgnóstico de pé diabético submetidos a OTHB no Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica em 2022. Foi efectuada avaliação da cicatrização das úlceras consultando os processos clínicos incluindo fotos das feridas com as dimensões das mesmas (área e profundidade). Obteve-se os valores de HbA1c antes e pós OTHB. A significância estatística (p< 0,05) da melhoria da resposta foi analisada através da razão e perímetro da úlcera pelo software Graphpad Prism, com atenção também a variáveis como hipertensão e DRC. Resultados: Foram tratados um total de 36 doentes com pé diabético no Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica em 2022. No entanto, após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, apenas 18 doentes foram incluídos no estudo. A análise mostrou que apesar de todos os doentes apresentarem alguma melhoria na área das úlceras após a OTHB, o grau de melhoria variou muito entre os doentes. O valor HbA1c não teve influência na redução da área das úlceras (p< 0,05) entre doentes com melhores (HbA1c ≤ 7%) e piores controles glicémicos (HbA1c > 7%) mas resultou numa tendência para um perímetro menor da úlcera nesses mesmos doentes. A análise de outras variáveis, como o impacto da HTA e da DCR, também foi realizada, revelando que a eficácia do tratamento pode variar com esses factores. No entanto, apesar de haver significância estatística para a HTA, este resultado deve ser interpretado com cautela na devido ao pequeno tamanho da amostra. Conclusão: A análise detalhada dos dados sugere que, apesar de não estatisticamente significativo, doentes com melhor controlo glicémico parecem obter melhores resultados no tratamento de úlceras diabéticas com oxigenoterapia hiperbárica na medida do perímetro da úlcera, mas não na razão da área da úlcera. Este estudo realça a importância de considerar múltiplos factores no tratamento de úlceras diabéticas, apesar de algumas limitações, como o pequeno tamanho da amostra. Esta investigação sublinha a necessidade de uma abordagem multifactorial no tratamento de úlceras diabéticas e aponta para a importância de desenvolver directrizes clínicas baseadas em evidências que integrem diversos factores para melhorar os resultados clínicos.
Autores principais:Salteiro, Carolina Rita
Assunto:Hemoglobinas glicadas Diabetes Oxigenoterapia hiperbárica Teses de Mestrado - 2024
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: Diabetes mellitus é uma doença crónica altamente prevalente que deteriora significativamente a qualidade de vida dos doentes e leva a múltiplas complicações. Uma das mais comuns são as úlceras diabéticas, que surgem devido a um processo de cicatrização lento, associado a menor imunidade e oxigenação dos tecidos. A monitorização da hemoglobina glicada A1c (HbA1c) é essencial para o controle glicémico em diabéticos. Além disso, a oxigenoterapia hiperbárica (OTHB) tem se mostrado eficaz como terapia complementar, melhorando a oxigenação dos tecidos e estimulando a angiogénese. Na 7ª Conferência de Consenso do European Committee for Hyperbaric Medicine (Lille em 2004), a OTHB foi recomendada como tipo 2 com um nível B de evidência, indicando benefícios e encorajando mais estudos nesta área. Métodos: Estudo retrospectivo de doentes com disgnóstico de pé diabético submetidos a OTHB no Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica em 2022. Foi efectuada avaliação da cicatrização das úlceras consultando os processos clínicos incluindo fotos das feridas com as dimensões das mesmas (área e profundidade). Obteve-se os valores de HbA1c antes e pós OTHB. A significância estatística (p< 0,05) da melhoria da resposta foi analisada através da razão e perímetro da úlcera pelo software Graphpad Prism, com atenção também a variáveis como hipertensão e DRC. Resultados: Foram tratados um total de 36 doentes com pé diabético no Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica em 2022. No entanto, após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, apenas 18 doentes foram incluídos no estudo. A análise mostrou que apesar de todos os doentes apresentarem alguma melhoria na área das úlceras após a OTHB, o grau de melhoria variou muito entre os doentes. O valor HbA1c não teve influência na redução da área das úlceras (p< 0,05) entre doentes com melhores (HbA1c ≤ 7%) e piores controles glicémicos (HbA1c > 7%) mas resultou numa tendência para um perímetro menor da úlcera nesses mesmos doentes. A análise de outras variáveis, como o impacto da HTA e da DCR, também foi realizada, revelando que a eficácia do tratamento pode variar com esses factores. No entanto, apesar de haver significância estatística para a HTA, este resultado deve ser interpretado com cautela na devido ao pequeno tamanho da amostra. Conclusão: A análise detalhada dos dados sugere que, apesar de não estatisticamente significativo, doentes com melhor controlo glicémico parecem obter melhores resultados no tratamento de úlceras diabéticas com oxigenoterapia hiperbárica na medida do perímetro da úlcera, mas não na razão da área da úlcera. Este estudo realça a importância de considerar múltiplos factores no tratamento de úlceras diabéticas, apesar de algumas limitações, como o pequeno tamanho da amostra. Esta investigação sublinha a necessidade de uma abordagem multifactorial no tratamento de úlceras diabéticas e aponta para a importância de desenvolver directrizes clínicas baseadas em evidências que integrem diversos factores para melhorar os resultados clínicos.