Publicação
Romantismo político e constitucionalismo identitário : o paradoxo do conceito romântico de povo
| Resumo: | Neste artigo revisitamos em que consistiu o movimento do romantismo político e as suas várias fontes, definições e tradições nacionais e filosóficas. Centramo- nos, todavia, no conceito de povo a fim de ilustrar a forma como os românticos, desviando- se do normativismo liberal, entenderam o povo enquanto entidade dependente de formas superiores e autênticas de vida, integradas na unidade cultural do Estado- nação, transformando- se o povo também numa experiência existencial para cada um dos seus membros. Deste modo, encontramos aqui um paradoxo do conceito romântico: se, por um lado, o romantismo trouxe a diferenciação das comunidades nacionais, por outro abriu também portas a um complexo movimento reivindicações identitárias do sujeito. O paradoxo implicou por isso um duplo movimento de auto- identificação e desidentificação individual: auto- identificação do sujeito com as identidades que historicamente o situam e definem; mas desidentificação com outras formas de identidade biológica, cultural e socialmente adquiridas, num movimento já não orgânico mas ‘anti- orgânico’ e híper- individualista. Este paradoxo subsiste até aos nossos dias, tal como nos demonstra a experiência política da União Europeia, ela própria imersa num processo de justaposição identitária |
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| Autores principais: | Lomba, Pedro |
| Assunto: | Constitucionalismo Identidade europeia Democracia |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Neste artigo revisitamos em que consistiu o movimento do romantismo político e as suas várias fontes, definições e tradições nacionais e filosóficas. Centramo- nos, todavia, no conceito de povo a fim de ilustrar a forma como os românticos, desviando- se do normativismo liberal, entenderam o povo enquanto entidade dependente de formas superiores e autênticas de vida, integradas na unidade cultural do Estado- nação, transformando- se o povo também numa experiência existencial para cada um dos seus membros. Deste modo, encontramos aqui um paradoxo do conceito romântico: se, por um lado, o romantismo trouxe a diferenciação das comunidades nacionais, por outro abriu também portas a um complexo movimento reivindicações identitárias do sujeito. O paradoxo implicou por isso um duplo movimento de auto- identificação e desidentificação individual: auto- identificação do sujeito com as identidades que historicamente o situam e definem; mas desidentificação com outras formas de identidade biológica, cultural e socialmente adquiridas, num movimento já não orgânico mas ‘anti- orgânico’ e híper- individualista. Este paradoxo subsiste até aos nossos dias, tal como nos demonstra a experiência política da União Europeia, ela própria imersa num processo de justaposição identitária |
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