Publicação
Avaliação de um sistema de cruzamento de raças leiteiras : comparação de saúde, reprodução e produção entre vacas cruzadas e vacas de raça Holstein-frísia
| Resumo: | Ao longo das últimas décadas, a necessidade de produzir cada vez maiores quantidades de leite conduziu ao melhoramento da raça Holstein-Frísia, e à seleção dos animais no sentido de produzir mais leite por vaca. Esta seleção levou ao acasalamento cada vez mais frequente de animais aparentados; o elevado coeficiente de consanguinidade entre os animais desta raça resultou numa elevada depressão consanguínea que se manifesta sobretudo por um forte declínio nas características de adaptabilidade (ou fitness) dos animais, principalmente as de eficiência reprodutiva. O cruzamento rotativo de três raças tem-se tornado cada vez mais popular como estratégia para tentar diminuir os efeitos indesejáveis da consanguinidade. No presente trabalho, foram analisados dados de fêmeas Holstein-Frísia (H), Holstein x Montbéliarde (HM), e Holstein x Vermelha Sueca (HS), provenientes de 6 explorações portuguesas. Os dados analisados foram: intervalo entre partos (IEP), dias abertos (DA), número de inseminações artificiais necessárias para a conceção (Nº IA), dias em leite à primeira inseminação artificial (DEL 1ª IA), produção total ao longo da vida (PLV), produção média de leite por dia (PLD), percentagem de gordura e proteína no leite, contagem de células somáticas no leite (CCS), proporção de animais eliminados antes dos 305 dias da primeira lactação, e sobrevivência até ao parto seguinte. As cruzadas HM e as HS apresentaram IEP (p<0,01), DA (p<0,01) e DEL 1ª IA (p<0,05) inferiores às fêmeas Holstein. Não foram encontradas diferenças no Nº IA entre Holstein e HM (p=0,07) ou entre Holstein e HS (p=0,58). As fêmeas Holstein mostraram ser superiores às cruzadas na produção de leite, tanto na PLD (p<0,05) como na PLV (p<0,01). As vacas HS produziram leite com maior percentagem de gordura e de proteína que as vacas Holstein (p<0,05). Não foram encontradas diferenças na média de CCS entre vacas Holstein, HM e HS, em cada paridade. Nem as cruzadas HM (p=0,39) nem as cruzadas HS (p=0,30) diferem significativamente das Holstein puras na proporção de vacas eliminadas antes dos 305 dias da primeira lactação; Porém, uma maior proporção de vacas HM e HS parem pela terceira, quarta e quinta vez, em relação às vacas Holstein (p<0,05). Da comparação entre duas explorações, C e G (uma com animais descendentes deste cruzamento rotativo e outra cujo efetivo é de raça Holstein pura, respetivamente) destacam-se algumas diferenças, sendo as médias de IEP, DA e DEL 1ª IA ligeiramente inferiores na exploração C. Considerando os resultados do presente estudo, conclui-se que o cruzamento rotativo entre as raças Holstein-Frísia, Montbéliarde e Vermelha Sueca pode ser útil para diminuir o declínio reprodutivo das explorações leiteiras e melhorar a longevidade dos animais, pressupondo sempre um bom maneio reprodutivo e pesando sempre os benefícios obtidos contra o custo de uma possível descida na produção. |
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| Autores principais: | Prata, Inês Azevedo |
| Assunto: | Crossbreeding Montbéliarde Vermelha Sueca depressão consanguínea Swedish Red inbreeding depression |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Ao longo das últimas décadas, a necessidade de produzir cada vez maiores quantidades de leite conduziu ao melhoramento da raça Holstein-Frísia, e à seleção dos animais no sentido de produzir mais leite por vaca. Esta seleção levou ao acasalamento cada vez mais frequente de animais aparentados; o elevado coeficiente de consanguinidade entre os animais desta raça resultou numa elevada depressão consanguínea que se manifesta sobretudo por um forte declínio nas características de adaptabilidade (ou fitness) dos animais, principalmente as de eficiência reprodutiva. O cruzamento rotativo de três raças tem-se tornado cada vez mais popular como estratégia para tentar diminuir os efeitos indesejáveis da consanguinidade. No presente trabalho, foram analisados dados de fêmeas Holstein-Frísia (H), Holstein x Montbéliarde (HM), e Holstein x Vermelha Sueca (HS), provenientes de 6 explorações portuguesas. Os dados analisados foram: intervalo entre partos (IEP), dias abertos (DA), número de inseminações artificiais necessárias para a conceção (Nº IA), dias em leite à primeira inseminação artificial (DEL 1ª IA), produção total ao longo da vida (PLV), produção média de leite por dia (PLD), percentagem de gordura e proteína no leite, contagem de células somáticas no leite (CCS), proporção de animais eliminados antes dos 305 dias da primeira lactação, e sobrevivência até ao parto seguinte. As cruzadas HM e as HS apresentaram IEP (p<0,01), DA (p<0,01) e DEL 1ª IA (p<0,05) inferiores às fêmeas Holstein. Não foram encontradas diferenças no Nº IA entre Holstein e HM (p=0,07) ou entre Holstein e HS (p=0,58). As fêmeas Holstein mostraram ser superiores às cruzadas na produção de leite, tanto na PLD (p<0,05) como na PLV (p<0,01). As vacas HS produziram leite com maior percentagem de gordura e de proteína que as vacas Holstein (p<0,05). Não foram encontradas diferenças na média de CCS entre vacas Holstein, HM e HS, em cada paridade. Nem as cruzadas HM (p=0,39) nem as cruzadas HS (p=0,30) diferem significativamente das Holstein puras na proporção de vacas eliminadas antes dos 305 dias da primeira lactação; Porém, uma maior proporção de vacas HM e HS parem pela terceira, quarta e quinta vez, em relação às vacas Holstein (p<0,05). Da comparação entre duas explorações, C e G (uma com animais descendentes deste cruzamento rotativo e outra cujo efetivo é de raça Holstein pura, respetivamente) destacam-se algumas diferenças, sendo as médias de IEP, DA e DEL 1ª IA ligeiramente inferiores na exploração C. Considerando os resultados do presente estudo, conclui-se que o cruzamento rotativo entre as raças Holstein-Frísia, Montbéliarde e Vermelha Sueca pode ser útil para diminuir o declínio reprodutivo das explorações leiteiras e melhorar a longevidade dos animais, pressupondo sempre um bom maneio reprodutivo e pesando sempre os benefícios obtidos contra o custo de uma possível descida na produção. |
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