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Thermal comfort in urban outdoor public spaces : An assessment using climatewalks in Lisbon

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Resumo:Esta tese teve como principal objetivo aprofundar a compreensão do conforto térmico em ambientes urbanos, com especial enfoque na escala microclimática relevante para o planeamento do território e utilizadores do espaço público. Partindo da crescente preocupação com o impacto do calor nas cidades, a investigação procurou responder a questões críticas relacionadas com a medição, perceção e mitigação do stress térmico ao nível dos pedestres no espaço outdoor, através de uma abordagem multidimensional: quantitativa, qualitativa, espacial e temporal. O primeiro objetivo consistiu em avaliar a aplicabilidade de dados climáticos globais, nomeadamente os disponibilizados pelos serviços “Copernicus Climate Services”, para estudos sobre conforto térmico urbano. Apesar da sua utilidade para a análise de tendências climáticas em larga escala, os dados Copernicus revelaram-se inadequados para captar as variações microclimáticas sentidas pelas pessoas. A validação empírica, realizada com estações meteorológicas móveis em Lisboa e Munique, mostrou discrepâncias significativas entre os valores modelados e os valores medidos no terreno, especialmente em áreas com morfologias urbanas complexas. Por exemplo, enquanto os dados de Copernicus indicavam apenas stress térmico moderado em Lisboa durante o verão, as medições reais evidenciaram condições mais severas. Este contraste validou a necessidade de recolha de dados locais de alta frequência e de uma análise orientada à escala pedonal. O segundo objetivo visou precisamente essa recolha extensiva e sistemática de dados in-situ, ao longo de um ano, em diferentes estações, horários e condições meteorológicas. Através de 78 climatewalks, 6 rotas diferentes em Lisboa, cobrindo cerca de 260 km a pé, foi realizada uma análise microclimática sem precedentes. Os dados recolhidos foram classificados segundo as Zonas Climáticas Locais (LCZs), permitindo estudar a variação do conforto térmico em função do tipo de tecido urbano, época do ano e hora do dia. A análise demonstrou que as LCZs 8 (grandes edifícios de baixa altura) e B (árvores dispersas) apresentaram valores médios mensais e máximos de UTCI mais baixos, enquanto as LCZs 9 (áreas pouco construídas), D (vegetação rasteira) e F (solo nu) foram as mais desconfortáveis. Esta informação foi essencial para atingir o terceiro objetivo da tese: avaliar o conforto termofisiológico humano utilizando o UTCI, tanto em escalas meso como microclimáticas.
Autores principais:Silva,Tiago Filipe Jorge da
Assunto:Urban microclimate UTCI LCZ urban morphology urban shading Microclima urbano UTCI LCZ morfologia urbana sombreamento urbano
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta tese teve como principal objetivo aprofundar a compreensão do conforto térmico em ambientes urbanos, com especial enfoque na escala microclimática relevante para o planeamento do território e utilizadores do espaço público. Partindo da crescente preocupação com o impacto do calor nas cidades, a investigação procurou responder a questões críticas relacionadas com a medição, perceção e mitigação do stress térmico ao nível dos pedestres no espaço outdoor, através de uma abordagem multidimensional: quantitativa, qualitativa, espacial e temporal. O primeiro objetivo consistiu em avaliar a aplicabilidade de dados climáticos globais, nomeadamente os disponibilizados pelos serviços “Copernicus Climate Services”, para estudos sobre conforto térmico urbano. Apesar da sua utilidade para a análise de tendências climáticas em larga escala, os dados Copernicus revelaram-se inadequados para captar as variações microclimáticas sentidas pelas pessoas. A validação empírica, realizada com estações meteorológicas móveis em Lisboa e Munique, mostrou discrepâncias significativas entre os valores modelados e os valores medidos no terreno, especialmente em áreas com morfologias urbanas complexas. Por exemplo, enquanto os dados de Copernicus indicavam apenas stress térmico moderado em Lisboa durante o verão, as medições reais evidenciaram condições mais severas. Este contraste validou a necessidade de recolha de dados locais de alta frequência e de uma análise orientada à escala pedonal. O segundo objetivo visou precisamente essa recolha extensiva e sistemática de dados in-situ, ao longo de um ano, em diferentes estações, horários e condições meteorológicas. Através de 78 climatewalks, 6 rotas diferentes em Lisboa, cobrindo cerca de 260 km a pé, foi realizada uma análise microclimática sem precedentes. Os dados recolhidos foram classificados segundo as Zonas Climáticas Locais (LCZs), permitindo estudar a variação do conforto térmico em função do tipo de tecido urbano, época do ano e hora do dia. A análise demonstrou que as LCZs 8 (grandes edifícios de baixa altura) e B (árvores dispersas) apresentaram valores médios mensais e máximos de UTCI mais baixos, enquanto as LCZs 9 (áreas pouco construídas), D (vegetação rasteira) e F (solo nu) foram as mais desconfortáveis. Esta informação foi essencial para atingir o terceiro objetivo da tese: avaliar o conforto termofisiológico humano utilizando o UTCI, tanto em escalas meso como microclimáticas.