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Caracterização mineralógica, petrográfica e geoquímica das mineralizações ferro-manganesíferas da Toca do Mocho/ Serra da Mina (Faixa Piritosa Ibérica)

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Resumo:Inserido no sector W da Faixa Piritosa Ibérica, o jazigo filoniano ferro-manganesífero da Toca do Mocho/Serra da Mina representa uma das mineralizações mais importantes de todo o sistema filoniano Fe-Mn da faixa Cercal-Odemira. Este trabalho tem o intuito de complementar estudos anteriores, através da caracterização mineralógica, petrográfica e geoquímica dos minérios do sector de Toca do Mocho e, deste modo, aprofundar o conhecimento da génese deste importante jazigo da faixa Cercal-Odemira. Na sequência dos trabalhos de campo foram selecionados seis afloramentos chave, onde foi realizada uma campanha de amostragem sistemática e representativa dos diferentes tipos de minério identificados com base em critérios mineralógicos e texturais. Subsequentemente, efetuou-se a caracterização mineralógica, petrográfica e geoquímica das amostras. Com base nos dados mineralógicos, petrográficos, de química mineral e litogeoquímica, os minérios estudados do sector de Toca do Mocho foram divididos em dois tipos, no minério do tipo I (A e B) e do tipo II. O minério do tipo I-A traduz o preenchimento inicial do filão mineralizado e é composto predominantemente por hematite + goethite, acompanhado, em menores proporções, por pirolusite, quartzo e galena. O minério do tipo I-B representa a sobreposição de eventos de brechificação e remobilização tectónica associada ao preenchimento polifásico do filão e é constituído por goethite ± hematite ± pirolusite ± criptomelano ± manganomelano ± quartzo. O minério do tipo II espelha o incremento de fenómenos de enriquecimento supergénico sobre os tipos de minério anteriormente referidos e é definido pela associação mineral: goethite + pirolusite + criptomelano ± coronadite ± ramsdellite ± manganomelano ± quartzo ± barite. Do ponto de vista geoquímico os diferentes tipos de minério são caracterizados por elevados conteúdos em Fe2O3 e MnO, estando as maiores concentrações de MnO associadas aos minérios do tipo II. Os diferentes tipos de minério exibem, invariavelmente, valores muito baixos de Al2O3, CaO, MgO, Na2O, K2O, TiO2, S. Os minérios do tipo I-A, são igualmente caracterizados por: i) elevados conteúdos em Zn e Pb; e ii) anomalia de Ce ligeiramente negativa. O minério do tipo I-B é definido por: i) conteúdos mais reduzidos em Zn e Pb comparativamente aos restantes tipos de minério; ii) conteúdos mais elevados em Cu, As, Ba e Sr relativamente ao minério do tipo I-A: iii) anomalia de Ce inexistente. Os minérios do tipo II, em regra, exibem anomalias de Ce ligeiramente positivas e concentrações mais elevadas que os minérios do tipo I em diversos elementos traço (e,g., Zn, Pb, Ba, Cu e Sr). A totalidade das amostras estudadas exibem valores ligeiramente negativos da anomalia de Eu. Com base nos resultados obtidos neste trabalho, concluiu-se que a mineralização ferro manganesífera da Toca do Mocho/Serra da Mina é produto de um sistema hidrotermal associado à circulação focalizada de fluidos, enriquecidos principalmente em Fe e Mn, ao longo de falhas tardi variscas (direção SW-NE). Posteriormente o jazigo da Toca do Mocho foi afetado por fenómenos de enriquecimento supergénico que foram responsáveis pela destabilização das paragéneses primárias e consequente formação de fases mineralógicas secundárias, tais como goethite, criptomelano, manganomelano (s.l.) e coronadite.
Autores principais:Santos, Rui Miguel Silva
Assunto:Mineralização filoniana ferro-manganesífera Faixa Cercal-Odemira Litogeoquímica Fluidos hidrotermais Enriquecimento supergénico Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Inserido no sector W da Faixa Piritosa Ibérica, o jazigo filoniano ferro-manganesífero da Toca do Mocho/Serra da Mina representa uma das mineralizações mais importantes de todo o sistema filoniano Fe-Mn da faixa Cercal-Odemira. Este trabalho tem o intuito de complementar estudos anteriores, através da caracterização mineralógica, petrográfica e geoquímica dos minérios do sector de Toca do Mocho e, deste modo, aprofundar o conhecimento da génese deste importante jazigo da faixa Cercal-Odemira. Na sequência dos trabalhos de campo foram selecionados seis afloramentos chave, onde foi realizada uma campanha de amostragem sistemática e representativa dos diferentes tipos de minério identificados com base em critérios mineralógicos e texturais. Subsequentemente, efetuou-se a caracterização mineralógica, petrográfica e geoquímica das amostras. Com base nos dados mineralógicos, petrográficos, de química mineral e litogeoquímica, os minérios estudados do sector de Toca do Mocho foram divididos em dois tipos, no minério do tipo I (A e B) e do tipo II. O minério do tipo I-A traduz o preenchimento inicial do filão mineralizado e é composto predominantemente por hematite + goethite, acompanhado, em menores proporções, por pirolusite, quartzo e galena. O minério do tipo I-B representa a sobreposição de eventos de brechificação e remobilização tectónica associada ao preenchimento polifásico do filão e é constituído por goethite ± hematite ± pirolusite ± criptomelano ± manganomelano ± quartzo. O minério do tipo II espelha o incremento de fenómenos de enriquecimento supergénico sobre os tipos de minério anteriormente referidos e é definido pela associação mineral: goethite + pirolusite + criptomelano ± coronadite ± ramsdellite ± manganomelano ± quartzo ± barite. Do ponto de vista geoquímico os diferentes tipos de minério são caracterizados por elevados conteúdos em Fe2O3 e MnO, estando as maiores concentrações de MnO associadas aos minérios do tipo II. Os diferentes tipos de minério exibem, invariavelmente, valores muito baixos de Al2O3, CaO, MgO, Na2O, K2O, TiO2, S. Os minérios do tipo I-A, são igualmente caracterizados por: i) elevados conteúdos em Zn e Pb; e ii) anomalia de Ce ligeiramente negativa. O minério do tipo I-B é definido por: i) conteúdos mais reduzidos em Zn e Pb comparativamente aos restantes tipos de minério; ii) conteúdos mais elevados em Cu, As, Ba e Sr relativamente ao minério do tipo I-A: iii) anomalia de Ce inexistente. Os minérios do tipo II, em regra, exibem anomalias de Ce ligeiramente positivas e concentrações mais elevadas que os minérios do tipo I em diversos elementos traço (e,g., Zn, Pb, Ba, Cu e Sr). A totalidade das amostras estudadas exibem valores ligeiramente negativos da anomalia de Eu. Com base nos resultados obtidos neste trabalho, concluiu-se que a mineralização ferro manganesífera da Toca do Mocho/Serra da Mina é produto de um sistema hidrotermal associado à circulação focalizada de fluidos, enriquecidos principalmente em Fe e Mn, ao longo de falhas tardi variscas (direção SW-NE). Posteriormente o jazigo da Toca do Mocho foi afetado por fenómenos de enriquecimento supergénico que foram responsáveis pela destabilização das paragéneses primárias e consequente formação de fases mineralógicas secundárias, tais como goethite, criptomelano, manganomelano (s.l.) e coronadite.