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A pintura como drama : tensão mitopoética na beleza e no trágico contemporâneos

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Resumo:A Pintura Como Drama descreve uma heurística do poético pictórico, relevando o carácter sintomático da beleza e do trágico contemporâneos. O belo-trágico inscreve-se numa acepção dramática evocando as suas derivações: entre a modernidade e a actualidade afirma-se a importância do belo (para além do feio) e do trágico (para além do sublime), mas ambivalentemente. Compreende-se que, em função de uma unidade, a beleza e o trágico traduzam um ponto comum na reflexividade inerente ao estético de cariz pictórico e à natureza como modelo de uma estética pura, como um drama da arte. Esta perspectiva anota, que, ao pretender distanciar-se da antropomorfização do estético, a aproximação da arte ao real revolve, todavia, o que de excessivo reside na arte, como se um resto designasse o estado de êxtase na sua excentricidade fenomenal. Em paralelo, a paradoxal possibilidade de reiteração de um paradigma da verdade no poético remanesce da paridade do carácter belo-trágico e da arte como enigma (na elocução de uma mitopoética actual). Considera-se a produção artística na sua afirmação não-niilista, que, no contexto contemporâneo, se presentifica no fluxo da era do cibervisual em modo de resiliência, em confronto com a banalidade e a cópia. Seguindo a construção de um fluxo estético, conjugando-a com a tragicidade do real e a catástrofe natural, afirmamos a importância da hibridez e do polissémico da linguagem artística, descrevendo uma propedêutica da arte, que, em sentido figural, se revela deferente à natureza. Perante uma tensão entre a estética purista e a metaforologia, a idealidade e a concreção, o mimético e a criatividade humana, o múltiplo e o singular, Bacon, Biberstein, Rothko, Miró, Kiefer, Richter, entre outros artistas, exemplificam o figural pictórico; citando-se os filósofos Mario Perniola, e também George Steiner, Kant, Lacan, Deleuze, Lacoue-Labarthe, Platão, Louis Marin para discutir a sua possibilidade.
Autores principais:Cravo, Ana Cristina Acciaioli de Figueiredo
Assunto:Pintura - séc.20 Pintura - Estética Estética - séc.20 Trágico (Filosofia) - Na arte Belo (Estética) - Na arte Arte - Filosofia Teses de doutoramento - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Pintura Como Drama descreve uma heurística do poético pictórico, relevando o carácter sintomático da beleza e do trágico contemporâneos. O belo-trágico inscreve-se numa acepção dramática evocando as suas derivações: entre a modernidade e a actualidade afirma-se a importância do belo (para além do feio) e do trágico (para além do sublime), mas ambivalentemente. Compreende-se que, em função de uma unidade, a beleza e o trágico traduzam um ponto comum na reflexividade inerente ao estético de cariz pictórico e à natureza como modelo de uma estética pura, como um drama da arte. Esta perspectiva anota, que, ao pretender distanciar-se da antropomorfização do estético, a aproximação da arte ao real revolve, todavia, o que de excessivo reside na arte, como se um resto designasse o estado de êxtase na sua excentricidade fenomenal. Em paralelo, a paradoxal possibilidade de reiteração de um paradigma da verdade no poético remanesce da paridade do carácter belo-trágico e da arte como enigma (na elocução de uma mitopoética actual). Considera-se a produção artística na sua afirmação não-niilista, que, no contexto contemporâneo, se presentifica no fluxo da era do cibervisual em modo de resiliência, em confronto com a banalidade e a cópia. Seguindo a construção de um fluxo estético, conjugando-a com a tragicidade do real e a catástrofe natural, afirmamos a importância da hibridez e do polissémico da linguagem artística, descrevendo uma propedêutica da arte, que, em sentido figural, se revela deferente à natureza. Perante uma tensão entre a estética purista e a metaforologia, a idealidade e a concreção, o mimético e a criatividade humana, o múltiplo e o singular, Bacon, Biberstein, Rothko, Miró, Kiefer, Richter, entre outros artistas, exemplificam o figural pictórico; citando-se os filósofos Mario Perniola, e também George Steiner, Kant, Lacan, Deleuze, Lacoue-Labarthe, Platão, Louis Marin para discutir a sua possibilidade.