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A aprendizagem comparticipada dos números racionais através da percentagem

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Resumo:Este estudo procura compreender os contributos que a percentagem pode dar na construção de uma aprendizagem comparticipada dos números racionais numa etapa inicial do seu estudo – 3.º e 4.º ano de escolaridade do 1.º ciclo do ensino básico – alicerçada numa perspetiva de sentido de número e de continuidade no desenvolvimento numérico dos alunos. Especificamente, pretende perceber de que modo a percentagem contribui para o alargamento do conhecimento de número ao conjunto dos números racionais, bem como para uma compreensão inter-relacionada de percentagem, numeral decimal e fração. Pretende perceber também de que modo as normas sociais e sociomatemáticas contribuem para a construção de uma aprendizagem comparticipada dos números racionais através da percentagem. O quadro conceptual remete para uma abordagem sociocultural da aprendizagem da Matemática, como atividade humana, inerentemente social e cultural. As ideias que o alicerçam envolvem a aprendizagem dos números racionais como construção comparticipada e realista, interpretada como uma extensão do conhecimento dos números inteiros, que privilegia a percentagem numa compreensão entrelaçada de representações, numa perspetiva de sentido de número. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma investigação baseada em design, com base numa experiência de ensino na sala de aula. A situação de aprendizagem envolve uma turma, no 3.º e no 4.º ano de escolaridade, numa escola pública em Lisboa, em que a professora da turma é também a investigadora. Os dados foram recolhidos através de observação participante, apoiada num diário de bordo, e de gravações áudio e vídeo de momentos de discussão matemática coletiva e da recolha documental, nomeadamente das produções escritas dos alunos. A análise procurou evidências de construção de um conhecimento conceptual de percentagem e de número racional, bem como a interpretação das ações dialógicas na turma, com vista à identificação das normas sociais e sociomatemáticas. Os resultados evidenciam que as normas sociais e sociomatemáticas da cultura da sala de aula, como comunidade de aprendizagem de matemática, permitiram suportar a compreensão dos conceitos e relações envolvidos na noção de percentagem, tendo conduzido à construção de práticas matemáticas partilhadas relativas à natureza multiplicativa dos números racionais. Para além disso, através da percentagem, foi possível integrar os conhecimentos numéricos prévios e conhecimentos intuitivos dos alunos e apoiar a construção de uma aprendizagem das diferentes representações simbólicas, de forma inter-relacionada, numa perspetiva de desenvolvimento de sentido de número. Deste estudo emerge ainda um conjunto de princípios que suportam uma conjetura sobre a aprendizagem comparticipada dos números racionais que privilegia a percentagem, nesta etapa da escolaridade, no sentido promover o envolvimento dos alunos e produzir efeitos na sua aprendizagem.
Autores principais:Guerreiro, Helena Gil
Assunto:Teses de doutoramento - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este estudo procura compreender os contributos que a percentagem pode dar na construção de uma aprendizagem comparticipada dos números racionais numa etapa inicial do seu estudo – 3.º e 4.º ano de escolaridade do 1.º ciclo do ensino básico – alicerçada numa perspetiva de sentido de número e de continuidade no desenvolvimento numérico dos alunos. Especificamente, pretende perceber de que modo a percentagem contribui para o alargamento do conhecimento de número ao conjunto dos números racionais, bem como para uma compreensão inter-relacionada de percentagem, numeral decimal e fração. Pretende perceber também de que modo as normas sociais e sociomatemáticas contribuem para a construção de uma aprendizagem comparticipada dos números racionais através da percentagem. O quadro conceptual remete para uma abordagem sociocultural da aprendizagem da Matemática, como atividade humana, inerentemente social e cultural. As ideias que o alicerçam envolvem a aprendizagem dos números racionais como construção comparticipada e realista, interpretada como uma extensão do conhecimento dos números inteiros, que privilegia a percentagem numa compreensão entrelaçada de representações, numa perspetiva de sentido de número. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma investigação baseada em design, com base numa experiência de ensino na sala de aula. A situação de aprendizagem envolve uma turma, no 3.º e no 4.º ano de escolaridade, numa escola pública em Lisboa, em que a professora da turma é também a investigadora. Os dados foram recolhidos através de observação participante, apoiada num diário de bordo, e de gravações áudio e vídeo de momentos de discussão matemática coletiva e da recolha documental, nomeadamente das produções escritas dos alunos. A análise procurou evidências de construção de um conhecimento conceptual de percentagem e de número racional, bem como a interpretação das ações dialógicas na turma, com vista à identificação das normas sociais e sociomatemáticas. Os resultados evidenciam que as normas sociais e sociomatemáticas da cultura da sala de aula, como comunidade de aprendizagem de matemática, permitiram suportar a compreensão dos conceitos e relações envolvidos na noção de percentagem, tendo conduzido à construção de práticas matemáticas partilhadas relativas à natureza multiplicativa dos números racionais. Para além disso, através da percentagem, foi possível integrar os conhecimentos numéricos prévios e conhecimentos intuitivos dos alunos e apoiar a construção de uma aprendizagem das diferentes representações simbólicas, de forma inter-relacionada, numa perspetiva de desenvolvimento de sentido de número. Deste estudo emerge ainda um conjunto de princípios que suportam uma conjetura sobre a aprendizagem comparticipada dos números racionais que privilegia a percentagem, nesta etapa da escolaridade, no sentido promover o envolvimento dos alunos e produzir efeitos na sua aprendizagem.