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Encruzilhadas do cuidado à beira de ruas, rios e tempos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta investigação antropológica foi desenvolvida em Santarém, centro urbano ribeirinho da Amazônia brasileira, no oeste do estado do Pará, entre 2020-2022. O objetivo principal da etnografia foi compreender as dinâmicas de pessoas em situação de rua, o ir e vir entre ruas, instituições e as interações com agentes institucionais da assistência social e saúde, no modo como transcorriam práticas de cuidado sob a gestão do Estado e, em meio às mobilidades ao longo de um momento crítico, a pandemia da Covid-19. Santarém, por sua vez, semelhante a outras cidades amazônicas, foi diretamente afetada pelos direcionamentos executados pelo governo federal brasileiro da época. Atravessada pelos bloqueios sanitários totais e aumento da morbimortalidade provocados pela Covid-19, a investigação desenvolveu se em uma combinação de circunstâncias adversas, que ao observar as interações a partir das encruzilhadas do cuidado e das cartografias da passagem, revelou múltiplos aspectos da precarização da vida e do trabalho. Somou-se ao contexto pesquisado, a travessia de pessoas em situação de migração e refúgio, especialmente, o povo indígena Warao. À análise, situei o contexto etnográfico na discussão sobre as técnicas do Estado para gestão de “populações”, em articulação com a antropologia das margens e teorias acerca das instituições, espaço e poder. Outras contribuições vieram dos estudos sobre: mobilidades e deslocamentos, migrações nacionais e transnacionais; marcadores sociais, identidades, diferenças e contextos interculturais; cotidianos de cuidado entre ruas e instituições; e sobre agências. Experiências epidêmicas anteriores e processos históricos de formações urbanas, na Amazônia, e de políticas de colonização e desenvolvimento, na região, dão contorno às análises da experiência vivenciada na pandemia. Reafirma-se a relevância deste trabalho aos estudos urbanos, aos interesses da antropologia da saúde e do Estado e à antropologia na e da Amazônia - em particular, em contextos de calamidade - ao reuni-lo à crescente produção nesses campos de investigação.
Autores principais:Cajado,Luciana Corrêa de Sena
Assunto:Margem Pandemia Amazónia Pessoas em situação de rua Mobilidades
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta investigação antropológica foi desenvolvida em Santarém, centro urbano ribeirinho da Amazônia brasileira, no oeste do estado do Pará, entre 2020-2022. O objetivo principal da etnografia foi compreender as dinâmicas de pessoas em situação de rua, o ir e vir entre ruas, instituições e as interações com agentes institucionais da assistência social e saúde, no modo como transcorriam práticas de cuidado sob a gestão do Estado e, em meio às mobilidades ao longo de um momento crítico, a pandemia da Covid-19. Santarém, por sua vez, semelhante a outras cidades amazônicas, foi diretamente afetada pelos direcionamentos executados pelo governo federal brasileiro da época. Atravessada pelos bloqueios sanitários totais e aumento da morbimortalidade provocados pela Covid-19, a investigação desenvolveu se em uma combinação de circunstâncias adversas, que ao observar as interações a partir das encruzilhadas do cuidado e das cartografias da passagem, revelou múltiplos aspectos da precarização da vida e do trabalho. Somou-se ao contexto pesquisado, a travessia de pessoas em situação de migração e refúgio, especialmente, o povo indígena Warao. À análise, situei o contexto etnográfico na discussão sobre as técnicas do Estado para gestão de “populações”, em articulação com a antropologia das margens e teorias acerca das instituições, espaço e poder. Outras contribuições vieram dos estudos sobre: mobilidades e deslocamentos, migrações nacionais e transnacionais; marcadores sociais, identidades, diferenças e contextos interculturais; cotidianos de cuidado entre ruas e instituições; e sobre agências. Experiências epidêmicas anteriores e processos históricos de formações urbanas, na Amazônia, e de políticas de colonização e desenvolvimento, na região, dão contorno às análises da experiência vivenciada na pandemia. Reafirma-se a relevância deste trabalho aos estudos urbanos, aos interesses da antropologia da saúde e do Estado e à antropologia na e da Amazônia - em particular, em contextos de calamidade - ao reuni-lo à crescente produção nesses campos de investigação.