Publicação
Contribuição para a caracterização da infeção do trato urinário em gatos : estudo retrospetivo em animais com e sem bypass ureteral subcutâneo
| Resumo: | Tendo em conta que a colocação de bypass ureterais subcutâneos, como forma de tratamento da ureterolitíase obstrutiva em gatos, é uma crescente realidade e considerando que a infeção do trato urinário poderá ser uma complicação deste procedimento, o conhecimento dos agentes etiológicos e padrões de suscetibilidade nestas circunstâncias é importante para o seu tratamento. Neste estudo pretendeu-se contribuir para a caracterização da infeção do trato urinário felino num hospital veterinário de Lisboa, comparando dois grupos distinguíveis pela ausência ou presença de bypass ureteral subcutâneo de modo a percecionar as diferenças existentes entre estes dois grupos. Para o efeito realizou-se um estudo retrospetivo, englobando todos os gatos submetidos a urocultura no Hospital Veterinário do Restelo, durante o período de 2012-2017. Avaliaram-se vários parâmetros, em especial os agentes etiológicos isolados, padrões de suscetibilidade e antibioterapia prescrita. Os agentes uropatogénicos isolados com maior frequência foram a Escherichia coli, o Staphylococcus spp. e o Enterococcus spp. Perante a presença de bypass, verificou-se uma maior infeção do trato urinário por Staphylococcus spp. (p<0.05) e menor infeção por E. coli (p<0.05). Não se identificaram diferenças estatisticamente significativas entre os perfis de suscetibilidade dos dois grupos. De entre os antibióticos testados, a gentamicina foi a substância ativa com maior proporção de agentes patogénicos sensíveis e a penicilina foi a molécula que apresentou maior resistência. Observou-se 25% de estirpes multirresistentes na totalidade de agentes uropatogénicos isolados nos dois grupos. Neste estudo, observou-se a prescrição de antibioterapia empírica em cerca de 30% dos animais. De modo a instituir uma antibioterapia adequada e minimizar a emergência de resistência bacteriana, é fundamental que se monitorize o uso de antibióticos e que se conheça os principais agentes etiológicos e padrões de suscetibilidade em cada região geográfica. Este estudo pode assim contribuir para o aumento do conhecimento da infeção urinária felina e auxiliar a prescrição antibiótica, principalmente em animais submetidos à colocação de um bypass ureteral subcutâneo, na região de Lisboa. |
|---|---|
| Autores principais: | Louro, Sofia Raquel Nobre |
| Assunto: | Infeção do trato urinário gatos bypass ureteral subcutâneo suscetibilidade bacteriana antibioterapia Urinary tract infection cats subcutaneous ureteral bypass antibiotic susceptibility antibiotherapy |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Tendo em conta que a colocação de bypass ureterais subcutâneos, como forma de tratamento da ureterolitíase obstrutiva em gatos, é uma crescente realidade e considerando que a infeção do trato urinário poderá ser uma complicação deste procedimento, o conhecimento dos agentes etiológicos e padrões de suscetibilidade nestas circunstâncias é importante para o seu tratamento. Neste estudo pretendeu-se contribuir para a caracterização da infeção do trato urinário felino num hospital veterinário de Lisboa, comparando dois grupos distinguíveis pela ausência ou presença de bypass ureteral subcutâneo de modo a percecionar as diferenças existentes entre estes dois grupos. Para o efeito realizou-se um estudo retrospetivo, englobando todos os gatos submetidos a urocultura no Hospital Veterinário do Restelo, durante o período de 2012-2017. Avaliaram-se vários parâmetros, em especial os agentes etiológicos isolados, padrões de suscetibilidade e antibioterapia prescrita. Os agentes uropatogénicos isolados com maior frequência foram a Escherichia coli, o Staphylococcus spp. e o Enterococcus spp. Perante a presença de bypass, verificou-se uma maior infeção do trato urinário por Staphylococcus spp. (p<0.05) e menor infeção por E. coli (p<0.05). Não se identificaram diferenças estatisticamente significativas entre os perfis de suscetibilidade dos dois grupos. De entre os antibióticos testados, a gentamicina foi a substância ativa com maior proporção de agentes patogénicos sensíveis e a penicilina foi a molécula que apresentou maior resistência. Observou-se 25% de estirpes multirresistentes na totalidade de agentes uropatogénicos isolados nos dois grupos. Neste estudo, observou-se a prescrição de antibioterapia empírica em cerca de 30% dos animais. De modo a instituir uma antibioterapia adequada e minimizar a emergência de resistência bacteriana, é fundamental que se monitorize o uso de antibióticos e que se conheça os principais agentes etiológicos e padrões de suscetibilidade em cada região geográfica. Este estudo pode assim contribuir para o aumento do conhecimento da infeção urinária felina e auxiliar a prescrição antibiótica, principalmente em animais submetidos à colocação de um bypass ureteral subcutâneo, na região de Lisboa. |
|---|