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Impacto do uso de carprofeno na resposta à dor causada por pressão em vacas leiteiras com lesões podais

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As claudicações são a terceira enfermidade mais frequente na indústria de produção de leite, a seguir às mastites e aos problemas reprodutivos. As claudicações resultam normalmente de um conjunto de doenças e lesões podais que provocam dor músculo-esquelética. Devido à natureza estoica dos bovinos, o diagnóstico de claudicação é complicado e muitas vezes tardio, o que resulta num grande número de casos crónicos. Com a cronicidade surge muitas vezes, a hiperalgesia, que consiste num aumento da sensibilidade à dor. O bem-estar animal fica afetado, e consequente uma baixa da produção, custos de tratamento e refugo precoce de animais. A economia da exploração fica afetada. O objetivo deste estudo foi verificar a eficácia do uso de um analgésico na hipersensibilidade periférica secundária identificada em vacas leiteiras claudicantes. Neste estudo participaram 54 vacas leiteiras de uma exploração intensiva da zona do Ribatejo. Dos 54 animais escolhidos, 10 animais não apresentavam qualquer sinal de claudicação ou de lesão podal, servindo como controlo. Para quantificar a dor, a recolha de registos de dor foi realizada através de um algómetro digital, destinado a medir a pressão aplicada sobre um determinado ponto. Estas medições foram efetuadas no metatarso (canela) em ambos os membros posteriores de cada vaca. Para diminuir o erro, realizaram-se três medições em cada membro e foi registada a média dessas avaliações. No dia 1, após a recolha dos dados de algometria, um médico-veterinário, administrou de forma aleatória, por via subcutânea 1ml/35kg de peso vivo de carprofeno (Rimadyl® 50mg/kg) ou o mesmo volume de soro fisiológico, na zona do pescoço. No final do primeiro dia, os 54 animais foram divididos em dois grupos consoante tivessem recebido ou não o carprofeno: grupo R (com administração de carprofeno) e em grupo C (controlo – administração de soro fisiológico) respetivamente. Através da média dos valores de pressão previamente obtidos pelo algómetro, estabeleceu-se um limite de 7/8kgf para a presença ou não de dor, sendo que acima de 8kgf os animais eram considerados como não reativos à pressão. No dia seguinte mediu-se novamente a resposta à pressão com o algómetro em todos os animais. A análise estatística mostrou que, a diferença do limiar da dor do dia 1 para o dia 2 foi maior no caso dos animais pertencentes grupo R. Assim, concluímos que as lesões podais podem conduzir a um estado de hiperalgesia periférica secundária permanente e que esta pode ser mitigada com o uso de AINE’s.
Autores principais:Noné, Maria Helena Dias
Assunto:Vaca leiteira Hiperalgesia Lesões podais Bem-estar animal Algometria Dairy cow Hyperalgesia Lameness Animal Welfare Algometry
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As claudicações são a terceira enfermidade mais frequente na indústria de produção de leite, a seguir às mastites e aos problemas reprodutivos. As claudicações resultam normalmente de um conjunto de doenças e lesões podais que provocam dor músculo-esquelética. Devido à natureza estoica dos bovinos, o diagnóstico de claudicação é complicado e muitas vezes tardio, o que resulta num grande número de casos crónicos. Com a cronicidade surge muitas vezes, a hiperalgesia, que consiste num aumento da sensibilidade à dor. O bem-estar animal fica afetado, e consequente uma baixa da produção, custos de tratamento e refugo precoce de animais. A economia da exploração fica afetada. O objetivo deste estudo foi verificar a eficácia do uso de um analgésico na hipersensibilidade periférica secundária identificada em vacas leiteiras claudicantes. Neste estudo participaram 54 vacas leiteiras de uma exploração intensiva da zona do Ribatejo. Dos 54 animais escolhidos, 10 animais não apresentavam qualquer sinal de claudicação ou de lesão podal, servindo como controlo. Para quantificar a dor, a recolha de registos de dor foi realizada através de um algómetro digital, destinado a medir a pressão aplicada sobre um determinado ponto. Estas medições foram efetuadas no metatarso (canela) em ambos os membros posteriores de cada vaca. Para diminuir o erro, realizaram-se três medições em cada membro e foi registada a média dessas avaliações. No dia 1, após a recolha dos dados de algometria, um médico-veterinário, administrou de forma aleatória, por via subcutânea 1ml/35kg de peso vivo de carprofeno (Rimadyl® 50mg/kg) ou o mesmo volume de soro fisiológico, na zona do pescoço. No final do primeiro dia, os 54 animais foram divididos em dois grupos consoante tivessem recebido ou não o carprofeno: grupo R (com administração de carprofeno) e em grupo C (controlo – administração de soro fisiológico) respetivamente. Através da média dos valores de pressão previamente obtidos pelo algómetro, estabeleceu-se um limite de 7/8kgf para a presença ou não de dor, sendo que acima de 8kgf os animais eram considerados como não reativos à pressão. No dia seguinte mediu-se novamente a resposta à pressão com o algómetro em todos os animais. A análise estatística mostrou que, a diferença do limiar da dor do dia 1 para o dia 2 foi maior no caso dos animais pertencentes grupo R. Assim, concluímos que as lesões podais podem conduzir a um estado de hiperalgesia periférica secundária permanente e que esta pode ser mitigada com o uso de AINE’s.