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Caracterização desenvolvimentista de significações de doença e de confronto em mulheres com cancro da mama

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Detalhes bibliográficos
Resumo:INTRODUÇÃO: Os estudos científicos sobre as consequências psicológicas do cancro da mama nas mulheres permitem retirar quatro conclusões genéricas: (a) as significações pessoais sobre a doença ou a forma como a pessoa avalia o seu processo de doença e de tratamento estão intimamente ligadas ao tipo e à intensidade das reacções emocionais; (b) as reacções emocionais típicas das pacientes com cancro da mama são as reacções de ansiedade, ligadas a significações de ameaça e de incerteza e as reacções de tristeza ou depressão, associadas a significações de perda percebida; (c) os processos de confronto psicológico influenciam não apenas a qualidade da adaptação ao processo de doença, podendo aumentar ou diminuirá intensidade das reacções; emocionais, mas também parecem ter alguma influência no tempo de sobrevivência'; (d) a qualidade de vida é uma dimensão importante e deve ser valorizada e promovida durante o tempo de vida das doentes. Contudo, estes estudos podem criticar-se a dois níveis: (1) apresentam uma grande diversidade de conceitos para se referirem às significações e aos processos de confronto das mulheres, tornando difícil fazer estudos comparativos e, (2) em geral carecem de um enquadramento teórico que permita compreender melhor o que está em jogo, no processo de vivência da doença, do ponto de vista cognitivo. Assim, neste trabalho será apresentada uma conceptualização cognitivista e desenvolvimentista das significações de doença e dos processos de confronto concomitantes. Procura-se, fazer uma integração destas significações em modelos cognitivos e desenvolvimentistas, que emergiram no âmbito da Psicologia da Saúde, da Psicoterapia Cognitiva e da Psicologia do Desenvolvimento sócio-cognitivo. OBJECTIVOS: 1) aceder às significações de doença, avaliadas de acordo com os atributos de representação de doença de Leventhal (i.e., identidade, causas, curso temporal, consequências e controlabilidade); 2) analisar os conteúdos ou temas de significação, relacionados com reacções emocionais de ansiedade e de depressão, e sua distribuição na amostra; 3) ordenar as significações de doença de acordo com critérios do desenvolvimento sócio-cognitivo e propor sequências hierárquicas de significação; 4) aceder às significações de confronto ou operações dialécticas utilizadas pelas mulheres com cancro da mama e analisar correspondências entre aquelas e os níveis de significação da doença; 5) analisar correlações entre operações dialécticas, reacções emocionais, e dimensões de qualidade de vida, auto-avaliadas em questionário nos dois momentos de avaliação (no momento da entrevista e 6 meses depois); 6) analisar correlações entre níveis de significação da doença, reacções emocionais, e dimensões de qualidade de vida, auto-avaliadas em questionário nos dois momentos de avaliação. MÉTODO: Foram seleccionadas aleatoriamente 52 pacientes com cancro da mama da Consulta Multidisciplinar de Cirurgia da Mama do Hospital S. José em Lisboa. Para aceder às significações das pacientes, foi efectuada uma entrevista individual semi-estruturada e avaliada a ansiedade, depressão e qualidade de vida através de escalas clínicas (Self Anxiety Scale, Self Rating Depression Scale, e MOS-Short Form). As transcrições das entrevistas foram submetidas a uma análise de conteúdo temática e desenvolvimentista das significações de doença, e os dados qualitativos e quantitativos foram submetidos a uma análise estatística para testar as hipóteses colocadas. CONCLUSÕES: Ao nível da representação da doença, foi possível, por um lado, caracterizar um perfil típico do cancro da mama de acordo com os atributos definidos por Leventhal e, por outro, identificar os temas de significação relacionados com as reacções emocionais de ansiedade e de depressão. Do ponto de vista do desenvolvimento sócio-cognitivo foi possível ordenar as significações de doença das pacientes em diferentes níveis de desenvolvimento, verificando-se que estas funcionam preferencialmente em níveis inferiores e intermédios de significação da doença. Foi proposta uma nova hierarquia desenvolvimentista de significação para o atributo das consequências da doença. Em termos da análise estatística entre as variáveis propostas nos objectivos, constatou-se uma tendência para uma correspondência entre níveis superiores de significação da doença e operações dialécticas de restruturação compensatória, e uma correspondência entre níveis inferiores e operações dialécticas de destruturação. Em termos da relação entre níveis de significação e intensidade das reacções emocionais e qualidade de vida, verificou-se que as mulheres que funcionam em níveis superiores significação da doença têm tendência a apresentar valores mais baixos de depressão e melhor qualidade de vida do que as dos níveis inferiores. Finalmente, em termos da relação entre o tipo de confronto (operação dialéctica) e a intensidade das reacções emocionais e da qualidade de vida, verificou-se que algumas operações dialécticas apresentam correspondências com a intensidade das reacções emocionais e a qualidade de vida.
Autores principais:Travado, Luzia, 1961-
Assunto:Teses de mestrado - 2002 Cancro da mama Mulheres Consequências psicológicas Reacções emocionais Caracterização desenvolvimentista
Ano:2002
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:INTRODUÇÃO: Os estudos científicos sobre as consequências psicológicas do cancro da mama nas mulheres permitem retirar quatro conclusões genéricas: (a) as significações pessoais sobre a doença ou a forma como a pessoa avalia o seu processo de doença e de tratamento estão intimamente ligadas ao tipo e à intensidade das reacções emocionais; (b) as reacções emocionais típicas das pacientes com cancro da mama são as reacções de ansiedade, ligadas a significações de ameaça e de incerteza e as reacções de tristeza ou depressão, associadas a significações de perda percebida; (c) os processos de confronto psicológico influenciam não apenas a qualidade da adaptação ao processo de doença, podendo aumentar ou diminuirá intensidade das reacções; emocionais, mas também parecem ter alguma influência no tempo de sobrevivência'; (d) a qualidade de vida é uma dimensão importante e deve ser valorizada e promovida durante o tempo de vida das doentes. Contudo, estes estudos podem criticar-se a dois níveis: (1) apresentam uma grande diversidade de conceitos para se referirem às significações e aos processos de confronto das mulheres, tornando difícil fazer estudos comparativos e, (2) em geral carecem de um enquadramento teórico que permita compreender melhor o que está em jogo, no processo de vivência da doença, do ponto de vista cognitivo. Assim, neste trabalho será apresentada uma conceptualização cognitivista e desenvolvimentista das significações de doença e dos processos de confronto concomitantes. Procura-se, fazer uma integração destas significações em modelos cognitivos e desenvolvimentistas, que emergiram no âmbito da Psicologia da Saúde, da Psicoterapia Cognitiva e da Psicologia do Desenvolvimento sócio-cognitivo. OBJECTIVOS: 1) aceder às significações de doença, avaliadas de acordo com os atributos de representação de doença de Leventhal (i.e., identidade, causas, curso temporal, consequências e controlabilidade); 2) analisar os conteúdos ou temas de significação, relacionados com reacções emocionais de ansiedade e de depressão, e sua distribuição na amostra; 3) ordenar as significações de doença de acordo com critérios do desenvolvimento sócio-cognitivo e propor sequências hierárquicas de significação; 4) aceder às significações de confronto ou operações dialécticas utilizadas pelas mulheres com cancro da mama e analisar correspondências entre aquelas e os níveis de significação da doença; 5) analisar correlações entre operações dialécticas, reacções emocionais, e dimensões de qualidade de vida, auto-avaliadas em questionário nos dois momentos de avaliação (no momento da entrevista e 6 meses depois); 6) analisar correlações entre níveis de significação da doença, reacções emocionais, e dimensões de qualidade de vida, auto-avaliadas em questionário nos dois momentos de avaliação. MÉTODO: Foram seleccionadas aleatoriamente 52 pacientes com cancro da mama da Consulta Multidisciplinar de Cirurgia da Mama do Hospital S. José em Lisboa. Para aceder às significações das pacientes, foi efectuada uma entrevista individual semi-estruturada e avaliada a ansiedade, depressão e qualidade de vida através de escalas clínicas (Self Anxiety Scale, Self Rating Depression Scale, e MOS-Short Form). As transcrições das entrevistas foram submetidas a uma análise de conteúdo temática e desenvolvimentista das significações de doença, e os dados qualitativos e quantitativos foram submetidos a uma análise estatística para testar as hipóteses colocadas. CONCLUSÕES: Ao nível da representação da doença, foi possível, por um lado, caracterizar um perfil típico do cancro da mama de acordo com os atributos definidos por Leventhal e, por outro, identificar os temas de significação relacionados com as reacções emocionais de ansiedade e de depressão. Do ponto de vista do desenvolvimento sócio-cognitivo foi possível ordenar as significações de doença das pacientes em diferentes níveis de desenvolvimento, verificando-se que estas funcionam preferencialmente em níveis inferiores e intermédios de significação da doença. Foi proposta uma nova hierarquia desenvolvimentista de significação para o atributo das consequências da doença. Em termos da análise estatística entre as variáveis propostas nos objectivos, constatou-se uma tendência para uma correspondência entre níveis superiores de significação da doença e operações dialécticas de restruturação compensatória, e uma correspondência entre níveis inferiores e operações dialécticas de destruturação. Em termos da relação entre níveis de significação e intensidade das reacções emocionais e qualidade de vida, verificou-se que as mulheres que funcionam em níveis superiores significação da doença têm tendência a apresentar valores mais baixos de depressão e melhor qualidade de vida do que as dos níveis inferiores. Finalmente, em termos da relação entre o tipo de confronto (operação dialéctica) e a intensidade das reacções emocionais e da qualidade de vida, verificou-se que algumas operações dialécticas apresentam correspondências com a intensidade das reacções emocionais e a qualidade de vida.