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A relação entre o défice orçamental, o défice externo, e a taxa de desemprego : análise macroeconómica e de política orçamental num enquadramento input-output e evidência empírica para Portugal

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Resumo:Esta tese de Doutoramento tem um duplo objetivo, designadamente: (i) a averiguação da relação entre o défice orçamental e o défice externo (capítulo primeiro) e (ii) o estudo da relação conjunta entre o défice orçamental, o défice externo e a taxa de desemprego num enquadramento Input-Output (IO), admitindo também o recurso a instrumentos de política orçamental (capítulos segundo e terceiro). No capítulo primeiro, é realizada uma análise empírica, aplicada a Portugal, entre 1999 e 2016, que investiga a existência de uma relação causal entre o saldo externo (de bens e serviços e corrente) e o saldo orçamental (global e primário). Com recurso ao Teste de Causalidade de Granger (1969) e à Metodologia de Toda-Yamamoto (1995), concluímos pela existência de causalidade entre o saldo orçamental global e o saldo externo corrente e entre o saldo orçamental primário e o saldo externo corrente, o que fornece suporte empírico à Hipótese dos Défices Gémeos. Também foi encontrada alguma evidência no sentido da verificação da Hipótese do Target da Balança Corrente, o que aponta para a possibilidade de ocorrência de causalidade bi-direcional entre o défice orçamental e o défice externo em Portugal. No capítulo segundo, por seu turno, num enquadramento IO, mostramos a existência de uma ligação entre o saldo orçamental e o défice externo e entre estes e a taxa de desemprego (trade-offs défice orçamental/taxa de desemprego e défice externo/taxa de desemprego); revisitamos o conceito de saldo orçamental neutral, proposto por Lopes e Amaral (2017); explicitamos analiticamente os efeitos multiplicadores de variáveis-instrumento de política orçamental sobre o saldo orçamental, o défice externo, a taxa de desemprego, o PIB e o consumo privado; e consideramos a fixação de targets de política económica e o recurso a políticas orçamentais alternativas e a um mix de políticas orçamentais para os atingir. Estas relações e modelos são calibrados para Portugal, em 2013. Também sugerimos uma nova abordagem de avaliação da política económica da Troika para Portugal, em 2012, seguindo a abordagem de Amaral e Lopes (2017). Finalmente, no capítulo terceiro, desenvolvemos três modelos de análise de política orçamental, num enquadramento IO, distintos pelos pressupostos considerados quanto à função consumo das famílias; e derivamos os efeitos multiplicadores de variáveis-instrumento de política orçamental sobre as variáveis macroeconómicas relevantes. No âmbito do modelo com consumo das famílias endógeno, são revisitados os trade-offs défice orçamental/taxa de desemprego e défice externo/taxa de desemprego. Empiricamente, os efeitos multiplicadores são estimados para Portugal, em 2013, bem como as relações de trade-off mencionadas antes. Adicionalmente, são simulados os efeitos do envelhecimento populacional sobre o saldo orçamental, o défice externo e o emprego, bem como sobre o consumo das famílias e o PIB, resultantes da variação das transferências realizadas pelo Estado às famílias, concluindo que o envelhecimento populacional é um tópico relevante a ser considerado na análise da relação entre o défice orçamental e o défice externo e entre estes e o emprego.
Autores principais:Coelho, José Carlos Miranda
Assunto:défice orçamental défice externo taxa de desemprego métodos econométricos modelo Input-Output política orçamental budget deficit external deficit unemployment rate econometric methods Input-Output model fiscal policy
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta tese de Doutoramento tem um duplo objetivo, designadamente: (i) a averiguação da relação entre o défice orçamental e o défice externo (capítulo primeiro) e (ii) o estudo da relação conjunta entre o défice orçamental, o défice externo e a taxa de desemprego num enquadramento Input-Output (IO), admitindo também o recurso a instrumentos de política orçamental (capítulos segundo e terceiro). No capítulo primeiro, é realizada uma análise empírica, aplicada a Portugal, entre 1999 e 2016, que investiga a existência de uma relação causal entre o saldo externo (de bens e serviços e corrente) e o saldo orçamental (global e primário). Com recurso ao Teste de Causalidade de Granger (1969) e à Metodologia de Toda-Yamamoto (1995), concluímos pela existência de causalidade entre o saldo orçamental global e o saldo externo corrente e entre o saldo orçamental primário e o saldo externo corrente, o que fornece suporte empírico à Hipótese dos Défices Gémeos. Também foi encontrada alguma evidência no sentido da verificação da Hipótese do Target da Balança Corrente, o que aponta para a possibilidade de ocorrência de causalidade bi-direcional entre o défice orçamental e o défice externo em Portugal. No capítulo segundo, por seu turno, num enquadramento IO, mostramos a existência de uma ligação entre o saldo orçamental e o défice externo e entre estes e a taxa de desemprego (trade-offs défice orçamental/taxa de desemprego e défice externo/taxa de desemprego); revisitamos o conceito de saldo orçamental neutral, proposto por Lopes e Amaral (2017); explicitamos analiticamente os efeitos multiplicadores de variáveis-instrumento de política orçamental sobre o saldo orçamental, o défice externo, a taxa de desemprego, o PIB e o consumo privado; e consideramos a fixação de targets de política económica e o recurso a políticas orçamentais alternativas e a um mix de políticas orçamentais para os atingir. Estas relações e modelos são calibrados para Portugal, em 2013. Também sugerimos uma nova abordagem de avaliação da política económica da Troika para Portugal, em 2012, seguindo a abordagem de Amaral e Lopes (2017). Finalmente, no capítulo terceiro, desenvolvemos três modelos de análise de política orçamental, num enquadramento IO, distintos pelos pressupostos considerados quanto à função consumo das famílias; e derivamos os efeitos multiplicadores de variáveis-instrumento de política orçamental sobre as variáveis macroeconómicas relevantes. No âmbito do modelo com consumo das famílias endógeno, são revisitados os trade-offs défice orçamental/taxa de desemprego e défice externo/taxa de desemprego. Empiricamente, os efeitos multiplicadores são estimados para Portugal, em 2013, bem como as relações de trade-off mencionadas antes. Adicionalmente, são simulados os efeitos do envelhecimento populacional sobre o saldo orçamental, o défice externo e o emprego, bem como sobre o consumo das famílias e o PIB, resultantes da variação das transferências realizadas pelo Estado às famílias, concluindo que o envelhecimento populacional é um tópico relevante a ser considerado na análise da relação entre o défice orçamental e o défice externo e entre estes e o emprego.