Publicação
Abordagem da nefropatia membranosa : a propósito de um caso clínico
| Resumo: | A nefropatia membranosa é uma doença glomerular e representa uma importante causa de síndrome nefrótica, particularmente em adultos caucasianos. A proteinúria nefrótica constitui uma das principais manifestações clínicas, tipicamente associada a edema, hipoalbuminémia e dislipidémia. Em cerca de 75-80% dos casos, não é identificada uma etiologia subjacente e a nefropatia membranosa classifica-se como primária, enquanto nos restantes casos a doença é secundária a condições específicas. Na maioria dos doentes com nefropatia membranosa primária, estão presentes autoanticorpos contra o recetor da fosfolipase A2 do tipo M (PLA2R). Embora a biópsia renal mantenha um papel fundamental na avaliação de doentes com síndrome nefrótica, a presença de anticorpos contra PLA2R pode dispensar a realização deste procedimento invasivo e ser suficiente para estabelecer o diagnóstico. O tratamento da nefropatia membranosa deve incluir cuidados de suporte direcionados para as manifestações clínicas e para a prevenção de complicações do estado nefrótico. A terapêutica imunossupressora deve ser implementada apenas quando se justificam os riscos associados a esta medida. Como a remissão espontânea é relativamente frequente, em doentes sem risco significativo de progressão da lesão renal pode ser razoável adiar o início desta terapêutica. Por outro lado, o tratamento imunossupressor deve ser iniciado precocemente em doentes com elevada probabilidade de evolução para doença renal terminal. Nos últimos anos, avanços significativos na compreensão desta patologia glomerular têm permitido novas perspetivas sobre a abordagem dos doentes com nefropatia membranosa, com alterações consideráveis no estabelecimento do diagnóstico, previsão do curso da doença e orientação terapêutica. Apresenta-se um caso clínico que ilustra a gestão clínica de um doente com nefropatia membranosa, como ponto de partida para uma revisão da literatura relativa à abordagem da patologia em questão. |
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| Autores principais: | Gomes, Maria Inês Patrocínio |
| Assunto: | Nefropatia membranosa Síndrome nefrótica Recetor de fosfolipase A2 do tipo M (PLA2R) Biópsia renal Imunossupressão Nefrologia |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A nefropatia membranosa é uma doença glomerular e representa uma importante causa de síndrome nefrótica, particularmente em adultos caucasianos. A proteinúria nefrótica constitui uma das principais manifestações clínicas, tipicamente associada a edema, hipoalbuminémia e dislipidémia. Em cerca de 75-80% dos casos, não é identificada uma etiologia subjacente e a nefropatia membranosa classifica-se como primária, enquanto nos restantes casos a doença é secundária a condições específicas. Na maioria dos doentes com nefropatia membranosa primária, estão presentes autoanticorpos contra o recetor da fosfolipase A2 do tipo M (PLA2R). Embora a biópsia renal mantenha um papel fundamental na avaliação de doentes com síndrome nefrótica, a presença de anticorpos contra PLA2R pode dispensar a realização deste procedimento invasivo e ser suficiente para estabelecer o diagnóstico. O tratamento da nefropatia membranosa deve incluir cuidados de suporte direcionados para as manifestações clínicas e para a prevenção de complicações do estado nefrótico. A terapêutica imunossupressora deve ser implementada apenas quando se justificam os riscos associados a esta medida. Como a remissão espontânea é relativamente frequente, em doentes sem risco significativo de progressão da lesão renal pode ser razoável adiar o início desta terapêutica. Por outro lado, o tratamento imunossupressor deve ser iniciado precocemente em doentes com elevada probabilidade de evolução para doença renal terminal. Nos últimos anos, avanços significativos na compreensão desta patologia glomerular têm permitido novas perspetivas sobre a abordagem dos doentes com nefropatia membranosa, com alterações consideráveis no estabelecimento do diagnóstico, previsão do curso da doença e orientação terapêutica. Apresenta-se um caso clínico que ilustra a gestão clínica de um doente com nefropatia membranosa, como ponto de partida para uma revisão da literatura relativa à abordagem da patologia em questão. |
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