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Formações dunares no litoral português, do final do Plistocénico e inícios do Holocénico, como indicadores paleoclimáticos e paleogeográficos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As acumulações de areias eólicas consolidadas constituem importantes formas de relevo litorais e são registos sedimentares e geomorfológicos, muitas vezes em relação com ocupações pré-históricas e testemunhos pedológicos. O seu estudo representa um importante contributo para o conhecimento da evolução das condições ambientais, em geral, e litorais, em particular. Neste capítulo, são discutidas as condições de génese, a idade, o contexto climático e ambiental destas originais formas de relevo litoral, bem como a sua repartição espacial. No que respeita a Portugal, faz-se uma síntese do conhecimento sobre estas acumulações de areia carbonatadas, ao tipo de forma que possuem ou testemunham, às condições que presidiram à sua génese (nomeadamente a relação com o nível do mar e as características do vento gerador), o seu enquadramento estratigráfico, bem como das datações de radiocarbono de que até agora se dispõe. Os dados permitem, apesar da incertezas, afirmar que o litoral português conheceu diversas fases de mobilização eólica, desde o Plistocénico Médio até ao Holocénico. Nomeadamente, reconheceram-se cinco fases: uma no Plistocénico Médio, talvez OIS6; duas no Plistocénico Superior, a primeira no OIS4-3 e a segunda no OIS2; duas no Holocénico, uma do Boreal-Atlântico e outra, mais recente, documentada pelo sistema praia-duna consolidado da Armação de Pêra. Em todas estas fases (excepto para a mais recente), a acumulação eólica corresponde a episódios de baixo nível do mar e a “consolidação” a uma relativa melhoria climática, talvez com instalação de condições xéricas. Os dados apresentados permitem sublinhar a possível sincronia com outras áreas das médias latitudes, a correspondência com o registo paleoclimático fornecido pelos dados proxy e a ciclicidade dos episódios de formação dos arenitos dunares, em ocasião de condições climáticas e ambientais específicas ou de eventos pontuais mais ou menos abruptos.
Autores principais:Ramos Pereira, A.
Outros Autores:Angellucci, D.
Assunto:Geo-história Geologia Paleogeografia Erosão Pré-história
Ano:2004
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As acumulações de areias eólicas consolidadas constituem importantes formas de relevo litorais e são registos sedimentares e geomorfológicos, muitas vezes em relação com ocupações pré-históricas e testemunhos pedológicos. O seu estudo representa um importante contributo para o conhecimento da evolução das condições ambientais, em geral, e litorais, em particular. Neste capítulo, são discutidas as condições de génese, a idade, o contexto climático e ambiental destas originais formas de relevo litoral, bem como a sua repartição espacial. No que respeita a Portugal, faz-se uma síntese do conhecimento sobre estas acumulações de areia carbonatadas, ao tipo de forma que possuem ou testemunham, às condições que presidiram à sua génese (nomeadamente a relação com o nível do mar e as características do vento gerador), o seu enquadramento estratigráfico, bem como das datações de radiocarbono de que até agora se dispõe. Os dados permitem, apesar da incertezas, afirmar que o litoral português conheceu diversas fases de mobilização eólica, desde o Plistocénico Médio até ao Holocénico. Nomeadamente, reconheceram-se cinco fases: uma no Plistocénico Médio, talvez OIS6; duas no Plistocénico Superior, a primeira no OIS4-3 e a segunda no OIS2; duas no Holocénico, uma do Boreal-Atlântico e outra, mais recente, documentada pelo sistema praia-duna consolidado da Armação de Pêra. Em todas estas fases (excepto para a mais recente), a acumulação eólica corresponde a episódios de baixo nível do mar e a “consolidação” a uma relativa melhoria climática, talvez com instalação de condições xéricas. Os dados apresentados permitem sublinhar a possível sincronia com outras áreas das médias latitudes, a correspondência com o registo paleoclimático fornecido pelos dados proxy e a ciclicidade dos episódios de formação dos arenitos dunares, em ocasião de condições climáticas e ambientais específicas ou de eventos pontuais mais ou menos abruptos.