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Acontecimento, verdade e sujeito: a política como condição da Filosofia em Alain Badiou
| Resumo: | Na dissertação que agora apresentamos, desenvolvemos um trabalho de investigação subordinado à articulação entre as categorias de acontecimento, verdade e sujeito, de um ponto de vista simultaneamente ontológico e político. Na realidade, nesta simultaneidade de planos reside justamente a injunção segundo a qual ganha em inteligibilidade o estatuto da política como condição da filosofia. A configuração desse estatuto, nos seus elementos constituintes, bem como no próprio processo de pensamento ao longo do qual se foi elaborando, é uma das ocupações centrais desta mesma dissertação. De modo resumido, até 1985 todo o trabalho teórico de Badiou se encontra subordinado à política, e só se deixa entender à luz daquela que foi a militância maoísta do autor. Em detrimento de uma crítica da economia política assente em bases objetivas, na variante de marxismo praticada por Badiou neste período, as teorias da subjetividade e do antagonismo político ocupam o lugar central. A partir de meados dos anos 80, Badiou refunda a sua filosofia propondo uma metafísica que assenta, por um lado, numa identidade entre a ontologia e a matemática e, por outro, numa teoria formal do sujeito que não se resume apenas à política. O sujeito não é um dado da existência, mas uma ocorrência rara, o resultado de uma decisão de fidelidade a um processo de verdade, despoletado por um acontecimento, imprevisível e incalculável, que se pode dar em quatro domínios: o amor, a arte, a ciência e a política. Estas são as quatro condições da filosofia. Argumentaremos que o autor procura relançar uma teoria nãofundacionalista e não-normativista da política, tomando esta última como uma autonomia de pensamento. Neste quadro, a política é uma prática sem qualquer garante no real, que não o de um acontecimento e dos traços que deixou no mundo, constituindo, desde sempre, uma aposta no vazio. |
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| Autores principais: | Dias, Bruno Manuel Figueiredo Peixe |
| Assunto: | Badiou, Alain, 1937- - Crítica e interpretação Filosofia política - França - séc.20 Acontecimento (Filosofia) Sujeito (Filosofia) Ontologia Teses de mestrado - 2011 |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Na dissertação que agora apresentamos, desenvolvemos um trabalho de investigação subordinado à articulação entre as categorias de acontecimento, verdade e sujeito, de um ponto de vista simultaneamente ontológico e político. Na realidade, nesta simultaneidade de planos reside justamente a injunção segundo a qual ganha em inteligibilidade o estatuto da política como condição da filosofia. A configuração desse estatuto, nos seus elementos constituintes, bem como no próprio processo de pensamento ao longo do qual se foi elaborando, é uma das ocupações centrais desta mesma dissertação. De modo resumido, até 1985 todo o trabalho teórico de Badiou se encontra subordinado à política, e só se deixa entender à luz daquela que foi a militância maoísta do autor. Em detrimento de uma crítica da economia política assente em bases objetivas, na variante de marxismo praticada por Badiou neste período, as teorias da subjetividade e do antagonismo político ocupam o lugar central. A partir de meados dos anos 80, Badiou refunda a sua filosofia propondo uma metafísica que assenta, por um lado, numa identidade entre a ontologia e a matemática e, por outro, numa teoria formal do sujeito que não se resume apenas à política. O sujeito não é um dado da existência, mas uma ocorrência rara, o resultado de uma decisão de fidelidade a um processo de verdade, despoletado por um acontecimento, imprevisível e incalculável, que se pode dar em quatro domínios: o amor, a arte, a ciência e a política. Estas são as quatro condições da filosofia. Argumentaremos que o autor procura relançar uma teoria nãofundacionalista e não-normativista da política, tomando esta última como uma autonomia de pensamento. Neste quadro, a política é uma prática sem qualquer garante no real, que não o de um acontecimento e dos traços que deixou no mundo, constituindo, desde sempre, uma aposta no vazio. |
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