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Níveis circulantes de péptido natriurético de tipo B (NT-PROBNP) e de galectina-3 em doentes com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica e a sua relação com parâmetros clínicos e ecocardiográficos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução e objetivos: Uma das características da miocardiopatia hipertrófica sarcomérica é a presença de fibrose cardíaca, a qual constitui substrato para arritmias ventriculares, disfunção ventricular esquerda, remodelagem e insuficiência cardíaca. Os níveis de NT-ProBNP estão elevados na doença e são um marcador de um pior prognóstico. A galectina-3, marcador de fibrose, poderá também ser útil como marcador da gravidade do fenótipo na miocardiopatia hipertrófica e associar-se à ocorrência de efeitos adversos. Neste trabalho, investigámos a associação entre os níveis circulantes de galectina-3 e de NT-proBNP e a expressão fenotípica (morfológica e funcional) de doentes com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica. Métodos: De uma vasta população de doentes com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica regularmente seguida em consulta dedicada a miocardiopatias, foram selecionados 60 doentes com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica (critério ecocardiográfico major e presença de mutação patogénica associada à doença). Nesta seleção foram incluídos apenas os indivíduos que, após realização de história clínica, observação e painel laboratorial completo, não tivessem qualquer doença ou condição suscetível de interferir com os níveis circulantes de galectina-3. Os doentes foram submetidos a realização de electrocardiograma, ecocardiograma (incluindo estudo por Doppler tecidular) e colheita de sangue para determinação dos níveis circulantes de NT-proBNP e galectina-3. Avaliou-se possíveis associações entre os níveis circulantes de ambos os biomarcadores e entre estes e índices e parâmetros ecocardiográficos estruturais e funcionais, bem como com a presença de sintomas, arritmias ventriculares significativas e hospitalizações de causa cardiovascular. Resultados: Não se verificou qualquer correlação entre os níveis circulantes de galectina-3 e as variáveis ecocardiográficas estudadas. Porém, o Log NT-proBNP correlacionou-se com o score de hipertrofia ventricular esquerda (r=0.592; p<0.001), espessura parietal máxima (r=0.580; p<0.001), dimensão da aurícula esquerda (r=0.387; p<0.026), E/E’ septal (r=0.489; p<0.004) e E/E’ lateral (r=0.590; p<0.001), E’ septal (r= -0.535; p=0.001), A’ septal (r= -0.698; p<0.001), S’ septal (r= -0.577; p<0.001) e E’ lateral (r= -0.581; p<0.001), independentemente da idade e do índice de massa corporal. Níveis circulantes mais elevados de NT-proBNP foram relacionados com a presença de sintomatologia (2038.24±2354.34 vs 557.30±733.04; p=0.001) e de hospitalizações (2345.33±2478.99 vs 698.38±1054.72; p=0.001), contrariamente aos níveis periféricos de galectina-3. Conclusões: Nesta população com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica, os níveis plasmáticos de NT-proBNP associaram-se a índices ecocardiográficos de hipertrofia ventricular esquerda e de função ventricular, à pressão tele-diastólica do ventrículo esquerdo e à dimensão da aurícula esquerda. Correlacionaram-se também com a presença de sintomas e hospitalizações pela doença, o que indica que o NT-proBNP parece ser um biomarcador com utilidade clínica nesta patologia. A utilidade da galectina-3 na avaliação diagnóstica e prognóstica dos doentes com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica permanece incerta.
Autores principais:Gonçalves, Filipa de Sousa
Assunto:Miocardiopatia hipertrófica Fibrose Galectina-3 NT-proBNP cardiologia
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução e objetivos: Uma das características da miocardiopatia hipertrófica sarcomérica é a presença de fibrose cardíaca, a qual constitui substrato para arritmias ventriculares, disfunção ventricular esquerda, remodelagem e insuficiência cardíaca. Os níveis de NT-ProBNP estão elevados na doença e são um marcador de um pior prognóstico. A galectina-3, marcador de fibrose, poderá também ser útil como marcador da gravidade do fenótipo na miocardiopatia hipertrófica e associar-se à ocorrência de efeitos adversos. Neste trabalho, investigámos a associação entre os níveis circulantes de galectina-3 e de NT-proBNP e a expressão fenotípica (morfológica e funcional) de doentes com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica. Métodos: De uma vasta população de doentes com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica regularmente seguida em consulta dedicada a miocardiopatias, foram selecionados 60 doentes com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica (critério ecocardiográfico major e presença de mutação patogénica associada à doença). Nesta seleção foram incluídos apenas os indivíduos que, após realização de história clínica, observação e painel laboratorial completo, não tivessem qualquer doença ou condição suscetível de interferir com os níveis circulantes de galectina-3. Os doentes foram submetidos a realização de electrocardiograma, ecocardiograma (incluindo estudo por Doppler tecidular) e colheita de sangue para determinação dos níveis circulantes de NT-proBNP e galectina-3. Avaliou-se possíveis associações entre os níveis circulantes de ambos os biomarcadores e entre estes e índices e parâmetros ecocardiográficos estruturais e funcionais, bem como com a presença de sintomas, arritmias ventriculares significativas e hospitalizações de causa cardiovascular. Resultados: Não se verificou qualquer correlação entre os níveis circulantes de galectina-3 e as variáveis ecocardiográficas estudadas. Porém, o Log NT-proBNP correlacionou-se com o score de hipertrofia ventricular esquerda (r=0.592; p<0.001), espessura parietal máxima (r=0.580; p<0.001), dimensão da aurícula esquerda (r=0.387; p<0.026), E/E’ septal (r=0.489; p<0.004) e E/E’ lateral (r=0.590; p<0.001), E’ septal (r= -0.535; p=0.001), A’ septal (r= -0.698; p<0.001), S’ septal (r= -0.577; p<0.001) e E’ lateral (r= -0.581; p<0.001), independentemente da idade e do índice de massa corporal. Níveis circulantes mais elevados de NT-proBNP foram relacionados com a presença de sintomatologia (2038.24±2354.34 vs 557.30±733.04; p=0.001) e de hospitalizações (2345.33±2478.99 vs 698.38±1054.72; p=0.001), contrariamente aos níveis periféricos de galectina-3. Conclusões: Nesta população com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica, os níveis plasmáticos de NT-proBNP associaram-se a índices ecocardiográficos de hipertrofia ventricular esquerda e de função ventricular, à pressão tele-diastólica do ventrículo esquerdo e à dimensão da aurícula esquerda. Correlacionaram-se também com a presença de sintomas e hospitalizações pela doença, o que indica que o NT-proBNP parece ser um biomarcador com utilidade clínica nesta patologia. A utilidade da galectina-3 na avaliação diagnóstica e prognóstica dos doentes com miocardiopatia hipertrófica sarcomérica permanece incerta.